Parque das Neblinas, gerido pelo Instituto Ecofuturo, se torna referência em recuperação de biomas

A partir de uma série de ações integradas no Parque das Neblinas, envolvendo pesquisa, conservação, manejo, educação e participação comunitária, o Instituto Ecofuturo tem conseguido bons resultados na conservação das áreas com remanescentes de vegetação natural, contribuindo para a restauração da paisagem e para a manutenção dos serviços ecossistêmicos.

O Parque das Neblinas fica entre Mogi das Cruzes e Bertioga, ao lado do Parque Estadual Serra do Mar, em São Paulo, e é uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), criada numa área de mais de 6.100 hectares da Suzano Papel e Celulose, de forma voluntária, e em caráter perpetuo há cerca de 10 anos.

“Ele tem origem numa forma inovadora da empresa em enxergar a gestão das suas florestas desde a década de 80, antes mesmo da intensa discussão sobre o Código Florestal e da criação de mecanismos de certificação. Inclusive, o Instituto Ecofuturo surge pra inspirar esse processo, em 1999. Foi nesse momento que começamos a trabalhar fortemente para identificar a vocação destas fazendas e, em 2004, inauguramos o Parque, que tem uma reconhecida  vocação para reflorestamento da Mata Atlântica e promoção da educação ambiental”, relembra Paulo Groke, diretor de sustentabilidade do Ecofuturo.

O diretor destaca que, ao atuar na restauração da Mata Atlântica, o Parque está efetivamente contribuindo para a conservação do bioma mais ameaçado do país, além de demonstrar que é possível promover a regeneração da mata nativa em áreas onde foram manejados eucaliptos.

E essa regeneração no Parque é feita sem grandes intervenções, mas sim de forma mais natural possível. Ou seja, ao invés de se realizar o plantio de várias espécies num determinado terreno, como acontece em alguns locais, nesta Reserva, tendo em vista que é uma área muito rica em umidade e trânsito de fauna, acompanha-se a regeneração natural e realiza-se alguns procedimentos para colaborar no processo.

No caso do Parque, por exemplo, percebeu-se a necessidade de reintrodução de duas especieis-chave, a Palmeira Juçara e o Cambuci, que já estavam quase extintos nessa região. A Palmeira Juçara, por exemplo, é uma fonte rica de alimento para cerca de 80 espécies da fauna, o que garante mais dispersão da sua semente.

Sendo assim, o trabalho no Parque foi o de reintroduzir a planta no ambiente por meio de um programa de manejo com proprietários rurais da região, valorizando aqueles que conseguiram manter a floresta em pé. “Incorporamos à equipe do Parque muitas pessoas que estavam à margem. Eles passaram a colher os frutos da Palmeira, tirar a polpa e jogar as sementes na mata, fazendo o papel que cabia à fauna. Ao longo destes anos, reintroduzimos na mata cerca de 5.5 milhões de sementes da Palmeira, fazendo assim com que a fauna ressurgisse também no local”, explica Groke, destacando que a ação envolveu 60 proprietários e realizou 18 oficinas de manejo com a comunidade.

A polpa, inclusive, passou a fazer parte da culinária no Parque, que resgatou receitas tradicionais com ingredientes nativos a partir da atuação de cozinheiras locais. Hoje, elas são responsáveis pela produção de alimentos vendidos no local para os visitantes, garantindo, assim, maior envolvimento da comunidade do entorno nas ações realizadas no espaço.

“Todas essas iniciativas mostram a importância do envolvimento comunitário no processo. Não é apenas promover a restauração da mata, mas é um resgate da cultura, do engajamento dos moradores locais. E é essa forma de atuação que tem sido reconhecida. Tanto é que, em setembro, recebemos a visita de uma comitiva de cerca de 20 pesquisadores organizada pelo WRI (World Resources Institute) no Parque. O objetivo do encontro foi apresentar o case de recuperação da Mata Atlântica desenvolvido no local e em outros núcleos florestais da empresa”, destaca o diretor do Ecofuturo.

No local, são realizados também os Programas de Ecoturismo e Socioambiental, que promovem a sensibilização e educação ambiental com visitações guiadas por monitores da comunidade para escolas públicas e grupos que queiram explorar o Parque. Nestes anos, já foram realizadas quase 30 mil visitas.

Para isso, a Reserva conta com um conjunto de trilhas, atividades de canoagem, observação de aves e orquídeas e, em breve, uma nova trilha para ser realizada com bicicleta. Todas as atividades precisam ser agendadas e são acompanhadas por guias. O preço varia de acordo com a atividade. Para dar suporte a essas ações, há uma infraestrutura com Centro de Visitantes.

Diante de todas as iniciativas realizadas no Parque, há também um Programa de Pesquisas, com mais de 60 trabalhos científicos desenvolvidos.

“Muitas vezes, as áreas de reserva florestal das empresas são consideradas fonte de problemas. Porém, o que queremos mostrar é elas tem um grande potencial para serem ativos na estratégia do negócio. Por meio de iniciativas como estas, podemos trazer a comunidade para próximo da empresa, permitir o cumprimento ao Código Florestal e melhorar o relacionamento da companhia nas regiões onde ela atua”, destaca o diretor do Ecofuturo.

As visitas podem ser agendadas pelos telefones (11) 4724-0555 e 4724-0556. Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail: [email protected].

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