Fundações lançam material de práticas pedagógicas para Educação Integral

Por: GIFE| Notícias| 31/10/2016

A Educação Integral está na pauta dos atuais debates e propostas de políticas educacionais, se destacando como uma estratégia com potencial para a melhoria da aprendizagem e redução das desigualdades. Ela compreende que a educação deve garantir o desenvolvimento dos estudantes em todas as suas dimensões. Seja intelectual, física, emocional, social e cultural.

Tendo isso em vista, o projeto pedagógico – incluindo o currículo, as práticas, os recursos, os agentes educativos, os espaços e os tempos – é construído e orientado a partir do contexto; interesses; necessidades de aprendizagem e desenvolvimento; e perspectivas de futuro dos alunos. Mas, como incorporar a Educação Integral no dia a dia da escola? Como os educadores podem adotar essa perspectiva em seu planejamento cotidiano?

Com a proposta de trazer subsídios, ferramentas e dicas para que os educadores possam implementar práticas que favoreçam o desenvolvimento integral dos estudantes, a Fundação SM e a Fundação Itaú Social, em parceria com o Centro de Referências em Educação Integral e o Cenpec, elaboraram o kit: “Práticas pedagógicas para Educação Integral”.

“Para que a escola se converta em um espaço essencial para assegurar que todos e todas tenham garantida uma formação integral, os seus educadores necessitam de todo apoio. E o kit faz parte desta infraestrutura de formação. Ela é absolutamente estratégica para que os princípios da Educação Integral saiam do papel e se traduzam na prática pedagógica da escola”; comenta Maria Pilar Lacerda, diretora da Fundação SM.

Julia Dietrich, coordenadora do Centro de Referências em Educação Integral, destaca que o material foi elaborado a fim de trazer às mãos dos professores instrumentos concretos; embasados em referências práticas de escolas e organizações educativas de todo o país. Exemplos que têm vencido os desafios apresentados pela perspectiva da Educação Integral.

“São caminhos viáveis, concretos, operados na realidade de escolas brasileiras em diferentes contextos e que podem ser replicados. O kit deve ser entendido como um ponto de partida para a construção de práticas autorais dos docentes; que eles possam se apropriar deste material, recriá-lo e adaptá-lo a partir das suas necessidades e interesses dos estudantes”, ressalta.

O material

A elaboração do kit parte da mandala. Ela é uma representação simbólica que destaca, a partir de uma abordagem sistêmica, a proposta pedagógica de articulação, integração e interação entre as áreas do conhecimento e os saberes locais, entre escola e comunidade, nas diferentes etapas. Sempre considerando o estudante como o centro do processo educativo.

“É importante destacar que, fundamentalmente, o processo de ensino e aprendizagem na Educação Integral tem e assume o estudante como foco central; garantindo atenção e promoção ao seu desenvolvimento integral. Portanto, parte da multidimensionalidade do estudante, atendendo às suas necessidades específicas de ‘unicidade’. Isso requer a elaboração de caminhos personalizados para que cada um possa se desenvolver plenamente. Ao mesmo tempo, esse processo de ensino e aprendizagem pressupõe a ampliação e oferta de múltiplas oportunidades e interações educativas, que tenham como fim atender cada um desses sujeitos em suas trajetórias específicas”, explica Julia Dietrich.

Tendo isso em vista, todas as práticas pedagógicas propostas pelo kit foram organizadas a partir de diferentes estratégias. Entre elas “Ensino-aprendizagem na cidade”; “Experimentação”; “Múltiplas interações”; “Letramento e cultura digital”; “Participação educativa da comunidade” e “Personalização”. A proposta é que o educador possa lançar mão de múltiplas possibilidades. Ele poderá combina-las como quiser, de acordo com a sua intencionalidade pedagógica.

Há propostas que vão desde a contação de histórias inclusivas, passando por práticas de esporte educacional e grupos interativos, até criação de aplicativos para celular, expedições investigativas ou formação de mediadores de leitura.

Na plataforma, é possível encontrar um aprofundamento sobre cada estratégia. Para cada prática, há orientações de como implementá-la. Há também vários exemplos de escolas e organizações que já desenvolvem ações nessa perspectiva. Além disso, oferece materiais complementares com dicas e orientações.

A proposta é também que os professores possam enviar suas práticas para serem incorporadas à plataforma. Ela será atualizada periodicamente.

Os interessados em compartilhar suas ações podem enviar o material para o e-mail: [email protected]com, indicando “prática pedagógica” no assunto. Outra opção é direto no formulário de contato do Centro de Referências.

Políticas públicas

Na avaliação dos organizadores do material, a iniciativa vem ao encontro de um esforço de várias instituições em efetivar a implementação dessa agenda no país. Pilar Lacerda lembra que o programa do governo federal “Mais Educação”, implementado a partir de 2008 em todo país, induziu a práticas inovadoras que ampliam o tempo e também as práticas escolares. Há também o Mapa de Inovação e Criatividade elaborado pelo MEC. Nele são apontadas várias ações desenvolvidas pelo país nessa perspectiva.

Porém, segundo a diretora da Fundação SM, o desafio posto agora é que, cada vez mais, essa ampliação da jornada escolar seja um ativo para que a educação possa propiciar aos alunos acesso às mais diferentes, complexas, ricas, diversificadas e qualificadas interações sociais. Ampliando, assim, o seu universo social e cultural e garantindo o seu desenvolvimento integral.

Julia Dietrich ressalta também a necessidade de avançar em mecanismos de gestão, que favoreçam essas práticas e garantam as condições necessárias para que elas aconteçam. “Não é possível falar em inovação, em Educação Integral e qualidade sem recursos e sem a possibilidade de investir fortemente nesta, que acreditamos é a agenda estruturante para o desenvolvimento do país”.

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