Programa da Fundação Volkswagen aposta em empreendedorismo e corte e costura para gerar impacto sustentável

Incentivar o empreendedorismo e ao mesmo tempo investir em um futuro mais sustentável. Essa é a estratégia do Costurando o Futuro, projeto da Fundação Volkswagen realizado desde 2009.

A ideia de reaproveitar tecidos de uniformes desgastados da fábrica da Volkswagen partiu, na verdade, de um funcionário da montadora, que tinha entre outras funções, fazer a coleta desses uniformes na linha de produção.  

A partir da sugestão, um programa foi pensado inicialmente para a região do ABCD Paulista, envolvendo os municípios de Santo André (SP), São Bernardo do Campo (SP), São Caetano do Sul (SP) e Diadema (SP), e na capital, com o objetivo de articular e compartilhar conhecimento, contribuindo para o desenvolvimento de empreendedores em corte e costura. No projeto Costurando o Futuro, a Fundação faz a intermediação para doação de tecidos das roupas e de outros materiais como revestimentos de bancos de carro e cintos de segurança do Grupo Volkswagen e de seus fornecedores.

“O Costurando o Futuro tem contribuído para transformar a vida de dezenas de empreendedores e de suas famílias, além de movimentar as comunidades onde o projeto acontece”, comemora Daniela de Avilez Demôro, diretora-superintendente da Fundação Volkswagen.

Depois de definir como seria o projeto, a Fundação passou a identificar pequenos empreendedores da região que possuíam habilidades prévias em corte e costura, mas desejavam transformar esse dom em renda. Para a formação da primeira turma, a oportunidade de participar de oficinas de formação foi divulgada em regiões onde a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de São Bernardo do Campo já atuava. Como o programa é realizado há quase uma década, o formato das oficinas passou por alguns processos de reformulação. Hoje, os participantes de São Paulo já são costureiros formalizados.

Durante os encontros, os alunos têm a oportunidade de se desenvolver pessoal e profissionalmente ao aprender sobre temas diversos da área de negócios como vendas, precificação, relacionamento com os clientes e planejamento. Entretanto, a turma de cada ano é única em suas demandas e necessidades. Em 2016 e 2017, por exemplo, foram trabalhados temas como captação e doação de tecidos, índice de produção, índice de inclusão empreendedora, mobilização, mediação de conflitos, alinhamento de expectativas, organização financeira, prospecção de oportunidades e clientes, busca de novas parcerias, eleição de comissões e documentos internos, entre outros.

Expansão do projeto

O processo de capacitação de novos empreendedores deu tão certo que o Shopping Grand Plaza, localizado em Santo André, abrigou uma loja social para venda de produtos confeccionados por participantes do Costurando o Futuro. Esse foi o início de um movimento, fazendo com que em 2017, 2.413 produtos produzidos no âmbito do programa fossem comercializados em cinco lojas sociais em shoppings de São Paulo (SP), Santo André (SP) e São Bernardo do Campo (SP).  

A expansão, entretanto, aconteceu também dentro da própria Volkswagen. Depois de perceber o potencial de adaptar o formato da loja social para as unidades de negócio do Grupo, a Fundação decidiu levar os produtos para os colaboradores com a realização do primeiro Bazar Social da Fundação, que aconteceu em outubro, na sede da Volkswagen Serviços Financeiros, em São Paulo. O evento serviu tanto para a divulgação interna do projeto e seu propósito, quanto para que os participantes comercializassem suas produções. Além dessa primeira, outras edições do Bazar já foram realizadas.

Chegada ao Paraná

Ter um projeto bem sucedido e estruturado despertou na Fundação Volkswagen a vontade de beneficiar mais pessoas com as capacitações. Por isso, o Costurando o Futuro foi levado para São José dos Pinhais, no Paraná, em 2017. A iniciativa é uma parceria da Volkswagen do Brasil e do Governo do Estado do Paraná e conta com o acompanhamento técnico da Fundação e execução da Aliança Empreendedora em parceria com a Academia Burda e a Badu Design.

A seleção dos participantes é feita a partir da indicação da Secretaria Estadual da Família e Desenvolvimento Social (SEDS), com apoio dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), para que seja dada prioridade a pessoas de comunidades em situação de vulnerabilidade social.  

As aulas iniciais das oficinas versam sobre fundamentos básicos de corte e costura, para depois evoluir para ensinamentos sobre empreendedorismo, com lições, por exemplo, para abertura do próprio negócio. A Academia Burda fica responsável pela parte de corte e costura, a Badu Design por design artesanal com foco no reaproveitamento de tecidos e materiais para o artesanato voltado à sustentabilidade, e a Aliança Empreendedora pelo oferecimento de cursos online sobre precificação, canais de venda e outros temas.

No primeiro semestre de 2018, o Costurando o Futuro envolveu dez municípios do sudoeste paranaense, na região de Francisco Beltrão. Ao final da formação, foram certificados 170 empreendedores, que contribuíram para atingir o número de 64 produtos desenvolvidos na edição paranaense do programa. Já no segundo semestre, mais de 200 pessoas participaram da formação, que aconteceu em cinco municípios da região metropolitana de Curitiba: Rio Negro, Mandirituba, Lapa, Agudos do Sul e Piraquara.

Empoderamento e sustentabilidade

Desde seu surgimento em 2009, o Costurando o Futuro reutilizou 76 toneladas de tecido e capacitou 434 empreendedores. Com uso da técnica do upcycling, que transforma resíduos que antes seriam descartados em produtos de qualidade, o ciclo de vida dos materiais é ampliado, contribuindo para a sustentabilidade do planeta e gerando renda para famílias inteiras.

O fortalecimento de cada pessoa que passa pela formação contribui não somente para o aspecto profissional, mas também pessoal, uma vez que, com a confecção e comercialização dos produtos, há um aumento na autoestima juntamente com a sensação de realização e contribuição para a transformação do ambiente onde cada um está inserido.

Daniela afirma que o propósito da Fundação vai muito além de formações sobre corte e costura. “Os participantes aprendem, por exemplo, a interagir em rede, a organizar e a gerir seus pequenos negócios e, assim,tornam-se protagonistas de mudanças efetivas na realidade em que vivem. Mais ainda, com o Costurando o Futuro, valorizamos o empreendedorismo comunitário, estimulando a economia local e a preservação do meio ambiente.”

Eliane Romano, participante do Costurando o Futuro no ABCD paulista, ressalta o caráter transformador do programa, que contribui para o empoderamento das pessoas que passam por ele. “Além de trazer a parceria e o material, a Fundação nos ensina, ajuda e incentiva. Nós mostramos a outras pessoas que conseguimos trabalhar em rede para fazer um grande número de peças para uma empresa grande. Somos donas de um empreendimento. Trabalhamos com a costura, mas isso não significa que só costuramos. Nós planejamos as nossas vendas, vendemos e pensamos em tudo o que precisa na oficina. Quando as mulheres vêm aqui, elas não saem motivadas, elas saem transformadas. Porque a motivação acaba, transformação não.”

Daniela ressalta a importância do aspecto socioemocional do Costurando o Futuro. “Por meio de iniciativas como essa, propiciamos avanços concretos em direção à equidade, ao protagonismo social e à cidadania, sem descuidar do compromisso com a sustentabilidade e a perenidade de nossas ações.”

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