“Queremos inspirar outras empresas a fazerem o mesmo”, diz diretora sobre adesão do Banco Bmg ao Compromisso 1%
Por: GIFE| Notícias| 20/07/2026
O Compromisso 1%, iniciativa que incentiva empresas a direcionarem parte de seus resultados financeiros a causas de interesse público, anunciou recentemente o primeiro banco do país a se tornar signatário. O Banco Bmg formalizou a destinação de 1% do seu lucro líquido anual para o Investimento Social Privado (ISP), ao aderir à iniciativa do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, em parceria com o Instituto MOL e apoio do GIFE.
Desde 2022 a instituição atua com projetos de impacto social a partir do Instituto Marina e Flávio Guimarães (IMFG). Em 2025, encerrou o ano com um lucro líquido anual de R$ 561 milhões. Se considerada essa mesma base de cálculo, a destinação de recursos seria na ordem de mais de R$ 5 milhões, apenas considerando recurso próprio. No ano passado, o IFMG ultrapassou essa margem, destinando cerca de R$ 14 milhões diretamente a projetos.
Lançado em agosto de 2024, o Compromisso 1% já reúne 28 empresas signatárias, com novas adesões em andamento. Para entender a importância da inserção de um banco a esse movimento, conversamos com Rosana Aguiar, fundadora e diretora-executiva do IMFG.
O Banco Bmg é o primeiro banco brasileiro a aderir ao Compromisso 1%. O que essa decisão representa e que mensagem a instituição busca enviar ao mercado financeiro ao assumir esse compromisso publicamente?
Em quase 100 anos de atuação, tem uma coisa que sempre esteve no DNA do grupo, alinhado com as crenças e os valores da família fundadora, que é contribuir para o desenvolvimento da sociedade para que possamos construir um país cada vez melhor. Sempre foi um compromisso pessoal dividir parte daquilo que recebem. Há quatro anos, eles fundaram o Instituto para organizar esse investimento de maneira mais estratégica e potencializar essas ações. Quando a gente tomou conhecimento sobre o Compromisso 1%, achamos que fazia muito sentido para o Bmg estar associado. Na prática, não muda nada profundamente. Ao longo da nossa história, a gente já vem doando até em valores superiores a 1% do nosso lucro líquido. Mas acreditamos fortemente que é importante tornar público esse compromisso, porque é uma forma de inspirar outras empresas a fazerem o mesmo, a atuarem mais fortemente na construção de um país mais justo, com oportunidades para todos.
O Compromisso 1% propõe uma destinação recorrente de parte do lucro para investimento social, e não ações pontuais de responsabilidade social. O que muda quando o investimento social passa a fazer parte da estratégia permanente do negócio?
O investimento social deixa de depender de uma ação ou decisão circunstancial daquela empresa, e passa a fazer parte de uma agenda permanente da organização, ou seja, sempre será doado no mínimo aquele 1%. Isso por si só permite maior planejamento, construção de programas mais consistentes, parcerias de longo prazo e acompanhamento de resultados. Porque o impacto do investimento social não acontece da noite para o dia. E é preciso garantir esse investimento contínuo. Na minha visão, a parte assistencialista também é relevante. Porque hoje, infelizmente, ainda vivemos em um país que tem pessoas num nível de necessidade muito básico. Então, é preciso doar, fazer o assistencial, porque talvez aquela pessoa não tenha condições de se desenvolver, de transformar a sua própria vida quando ela ainda não tem os recursos mais básicos. No caso do nosso Instituto, atuamos na parte assistencial, mas também muito fortemente em projetos transformadores. Nossa causa principal é capacitar pessoas para que elas possam transformar o seu futuro. Todos nós nascemos com grande potencial. O que falta, às vezes, é oportunidade.
Na prática, como esse compromisso se traduz em investimento? Que tipos de organizações, causas ou projetos devem receber esses recursos e quais critérios orientam essas escolhas para garantir impacto social de longo prazo?
Temos vários projetos voltados para crianças, em esportes, instrumentos musicais, dança, arte. Um dos nossos projetos principais é a Casa Marina, um espaço onde acolhemos mulheres em situação de vulnerabilidade social. Hoje contamos com duas unidades, ambas em Minas Gerais, e ali essas mulheres recebem treinamento de corte e costura, design de moda, manicure e pedicure, cuidadora de idosos, Tecnologia da Informação, cabeleireira. Além disso, recebem orientação de empreendedorismo e educação financeira. Formamos em torno de 600 mulheres por ano, e vamos abrir mais uma Casa ainda esse ano. O outro projeto é voltado para a educação financeira voltado a crianças e adolescentes, com um material específico também para o público 60+. Como somos uma instituição financeira, temos o compromisso de trabalhar a educação e a cidadania financeira junto à sociedade. Quanto mais investirmos em educação financeira, mais vamos ajudar as pessoas a terem capacidade de fazer melhor gestão dos seus recursos, e a partir disso construir uma vida melhor.
Como convencer outras grandes instituições financeiras da sua responsabilidade social e da importância de destinar parte dos seus lucros para causas públicas?
Muito mais do que convencer pelo discurso, queremos demonstrar na prática a relevância estratégica do investimento social. Não é bom só para a sociedade, é bom para a empresa também. Tanto nós no Bmg, como todas as outras empresas, temos a capacidade de conhecer a realidade do brasileiro. É uma responsabilidade do setor público, mas também do setor privado, em contribuir para que possamos trabalhar para resolver essas questões sociais que são tão ainda urgentes no nosso país. A gente vem fazendo isso de maneira contínua, e assumir o compromisso publicamente é uma forma de dizer que não gostaríamos de estar nesse papel sozinhos. Quanto mais instituições puderem se juntar, melhor, alavancaremos esse resultado e faremos que nossa sociedade seja cada vez melhor, justa e digna.