Relatório do Fórum Econômico Mundial aponta crise climática como maior ameaça ao mundo e à economia

A crise do clima é a maior ameaça à humanidade nos próximos dez anos. A conclusão é da última edição do relatório do Fórum Econômico Mundial, que reuniu líderes políticos, empresariais, acadêmicos e jovens do mundo todo em Davos, na Suíça, no final de janeiro.

Pela primeira vez desde que começou a ser publicado em 2007, o Global Risk Report aponta fatores ambientais no topo da lista dos principais riscos à humanidade e à economia global. Dos cinco principais riscos mais prováveis, quatro são relacionados diretamente com a crise do clima, e um – a perda de biodiversidade – é por ela agravado. E dos cinco riscos de maior impacto potencial, apenas um – a proliferação de armas de destruição em massa – não tem relação com o clima.

“A mudança climática está atingindo o mundo de forma mais dura e mais depressa do que se previa. As consequências no curto prazo perfazem uma emergência planetária. As implicações são catastróficas, amplas e intercruzadas. Pior ainda, a complexidade do sistema climático implica em que alguns impactos ainda sejam desconhecidos”, afirma o relatório.

Entre os impactos conhecidos estão o risco para vidas humanas, espécies e ecossistemas. Mas há impactos econômicos também: apenas em 2018, desastres naturais custaram US$ 165 bilhões. E os bancos centrais começam a ver o clima como um risco sistêmico para os mercados de capitais: segundo cálculos apresentados pelo relatório, em 2018, o “buraco” nos seguros – ativos que deveriam ter sido segurados contra desastres naturais, mas não foram – foi de US$ 280 bilhões.

O relatório lembra que 2020 é um ano crucial no qual os países foram convidados a aumentar a ambição de suas metas no Acordo de Paris e que a humanidade só tem até 2030 para cortar emissões de forma a ter chance de se manter na meta do acordo.

De acordo com o documento, o não alcance das metas para 2020 implica em “custos muito mais altos de transição para uma economia descarbonizada; o risco de algum governo entrar em pânico e implementar as controversas ações de engenharia planetária, como bloquear a luz do sol; e o risco de desmonte do processo multilateral que, com todas as suas falhas, é o único método existente hoje para produzir uma solução global e equitativa para a crise climática”.

ISP Por Mudanças Climáticas

Diante dessa demanda urgente fica a pergunta “O que o investimento social privado pode fazer?”, que dá nome a uma série do GIFE lançada em 2019.

Segundo o Observatório do Clima, o Brasil foi responsável por 4% das emissões brutas e por 5% das emissões líquidas globais de gases de efeito estufa na atmosfera entre 1990 e 2016, ano em que o país emitiu 2,27 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico, sendo a agropecuária a principal fonte de emissão (74%). Já o ClimaInfo aponta que para manter o aquecimento abaixo de 1,5ºC, as emissões de dióxido de carbono teriam que diminuir cerca de 45% entre 2010 e 2030 e as emissões líquidas de gases de efeito estufa zeradas até 2050.

Esses são alguns dados e informações apresentadas no guia O que o Investimento Social Privado pode fazer por Mudanças Climáticas?. Relacionado diretamente ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13, que versa sobre ação contra a mudança global do clima, o tema mudanças climáticas é um dos oito tópicos que compõem a série O que o ISP pode fazer por…?, lançada em 2019 pelo GIFE.

Para produzir o guia, o GIFE realizou, em parceria com a Move Social e instituições que atuam no tema, como Fundação Grupo Boticário, Instituto Clima e Sociedade e Observatório do Clima – copromotoras do guia –, um workshop que reuniu 17 organizações para discutir possíveis caminhos de atuação do ISP no tema de mudanças climáticas.

O documento aponta cinco principais desafios  para a agenda do clima: sensibilização e adesão; desmobilização das instâncias responsáveis pela área climática; modelo de produção atual e suas altas taxas de emissão de carbono; desmatamento e modelo de transporte mais individualizado em detrimento do coletivo; e predominância do uso de combustíveis fósseis.

Considerando esse cenário, são apresentadas sete linhas de atuação possíveis para o ISP no tema: incorporação do tema de modo transversal às áreas de atuação já existentes; fomento a iniciativas inovadoras voltadas a questões climáticas; desenvolvimento e implementação de ferramentas financeiras; fomento a modelos sustentáveis de negócio; produção e disseminação de conhecimento; mobilização para a causa climática; e advocacy para questões climáticas. Saiba mais ou acesse o guia completo.

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