Setor filantrópico é convidado a se engajar na nova agenda urbana global

Após 20 anos, o tema da agenda urbana volta ao palco em 2016, tendo em vista a realização da “Habitat III”, a Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável, que acontecerá em Quito, no Equador, de 17 a 20 outubro. A proposta é revigorar o compromisso global de urbanização sustentável, com base na Agenda Habitat de Istambul, definida na conferência de 1996.

Até outubro, diversas organizações irão se mobilizar para articular agentes de todos os setores da sociedade, a fim de lançar luz ao tema, que se torna tão urgente tendo em vista que, hoje, 83% da população mundial vive em cidades.

A Fundação Avina e a Fundação Ford assumiram esta empreitada e estão convocando o setor filantrópico a se unirem à Assembleia Geral de Sócios (AGS), formada por 14 Grupos de Sócios Constituintes (GSC) com membros dos maiores grupos participantes das Nações Unidas e outros parceiros estratégicos. A ideia é que mais instituições possam discutir o tema da nova agenda urbana e gerar novas reflexões sobre os impactos na sociedade.

“Não há como pensar em desenvolvimento sustentável sem olhar para o ecossistema urbano. O tema hoje é central se queremos construir cidades mais justas, equitativas e respeitosas. Parte do desafio agora, inclusive, é entendermos melhor o sistema urbano que estamos inseridos e suas relações interurbanas, tendo em vista que as cidades se relacionam umas com as outras e também com as áreas rurais”, ressalta Oscar Fergutz, diretor programático da Fundação Avina.

Segundo Oscar, ideia do Grupo de Trabalho que está sendo liderado pelas duas fundações é despertar o setor para a agenda, tendo em vista que o tema de “cidades e territórios” não é algo ainda presente como foco de atuação da maior parte dos investidores sociais privados, apesar da sua importância.

Na visão do diretor da Fundação Avina, é fundamental o engajamento do setor filantrópico na nova agenda urbana pelas suas características e maneira diferenciada de incidir em questões cruciais da sociedade. “Os institutos e fundações são organizações que transitam e promovem diálogos entre os setores, o que é essencial neste campo, além de disponibilizar recursos para iniciativas de risco. E a transformação hoje necessária para construir cidades mais sustentáveis só será possível por meio da inovação. O setor historicamente tem assumido esse papel de construir novos modelos que possam ser replicados e com visão de futuro”, ressalta.

Próximos passos

Em março e abril serão realizados diversos eventos preparatórios. Alguns serão temáticos e outros regionais. Para a América Latina e Caribe está previsto um encontro em abril. Nestes eventos, serão mapeados temas de interesse a respeito da agenda urbana, assim como elaborados documentos elencando os principais problemas e as possíveis soluções.

A partir de maio, será elaborado um documento prévio para o acordo a ser assinado pelas nações em Quito. “Tendo em vista que as conferências sobre a temática urbana só acontecem a cada 20 anos, é fundamental que todos participem e opinem sobre o que esperam para os próximos anos”, afirma Oscar.

Outra questão que traz relevância à Conferência de Quito é que esta será a primeira depois do lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que irão nortear as ações globais para os próximos 15 anos. De acordo com Oscar, a proposta é que a Habitat III avance no sentido de orientar a implementação dos ODS vinculados à agenda urbana. “Essa é uma agenda estratégica, tendo em vista que entre 75 a 85% dos ODS se materializam no nível das cidades”, ressalta.

Como participar

Os interessados em se unir ao GT de Fundações e Associações podem acessar o documento criado pela AGS, que aponta ideias e propostas para a nova agenda urbana e, em seguida, preencher um formulário. Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail: [email protected]

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