GIFE apresenta resultados em Assembleia e aponta caminhos para o ISP em 2016

Criação de novos projetos e de áreas de trabalho, assim como a consolidação e ampliação de iniciativas já em andamento. Todas ações desafiantes, mas com a proposta de fortalecer cada vez mais o campo do investimento social privado no país. Essa foi a marca de atuação do GIFE em 2015 e a aposta para 2016, apresentada durante a Assembleia Geral realizada junto aos seus associados, no fim de junho.

Andre Degenszajn, secretário-geral do GIFE, destacou a importância deste momento para uma organização como o GIFE, que conta com mais de 130 associados, para legimitizar os esforços realizados até agora e apontar caminhos para as ações previstas para os próximos meses do ano.

Iniciativas que começaram a ser pensadas no ano passado e lançadas em 2016 passam a já colher resultados, como é o caso do Painel GIFE de Transparência, uma ferramenta online que organiza e disponibiliza informações institucionais relevantes sobre as fundações e os institutos associados ao GIFE a partir de um grupo de indicadores. Este instrumento permite a qualquer um observar se a organização publica em seu site a informação sobre cada indicador e acessá-la por meio de link que direciona o usuário para o dado no site do associado.

O painel contou com 40% de adesão dos associados no lançamento e teve impacto direto nos indicadores de transparência destas organizações, com crescimento médio de 16.25 pontos percentuais, em relação ao marco zero. “Só o movimento que fizemos de apresentar o grupo de indicadores aos associados, mostrar quais eram as informações que eles disponibilizam ou não e convidá-los a se engajar no painel, gerou uma reflexão interna nestas instituições, que passaram a buscar as informações necessárias e, consequentemente, gerando mais transparência ao setor. Esse é um resultado muito positivo”, comentou Andre.

O mesmo movimento tem ocorrido em relação aos Indicadores GIFE de Governança, que conta com mais de 100 usuários na plataforma, impactando não apenas os associados GIFE, mas organizações da sociedade civil como um todo, já que trata-se de um instrumento que permite a associações e fundações avaliar por si mesmos o grau de desenvolvimento de sua governança tendo como referência as linhas gerais estabelecidas pelo Guia das melhores práticas de governança para institutos e fundações empresariais, elaborado pelo GIFE e o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Outro ponto de destaque para os associados GIFE, apontado durante a Assembleia, foi o Congresso de 2016, que contou com recorde de público, tendo mais de 1300 participantes entre os presentes na programação oficial e nas atividades abertas. Entre as novidades deste ano estão a Semana do Investimento Social, com 800 participantes em 54 atividades promovidas em vários Estados do país, além da disponibilização dos vídeos na integra de todas as mesas e o lançamento da Websérie Comum, com oito capítulos sobre as agendas estratégicas do GIFE.

O caráter provocador das discussões do Congresso – que tiveram como norte o tema “o sentido público do investimento social privado” – foi o mais elogiado pelos associados. “Participei de todos os congressos e nunca fui tão provocada quanto no evento deste ano. Os temas abordados nos permitiram refletir criticamente sobre crenças e formas de atuação. Mais do que atender a interesses institucionais ou corporativos, o evento nos colocou cara a cara com nossas responsabilidades em relação às questões de interesse público. Transparência, governança, fortalecimento da sociedade civil, participação política e impacto são desafios colocados para os investidores sociais privados que querem de fato contribuir com a promoção de mudanças sistêmicas”, disse Anna Penido, diretora executiva do Instituto Inspirare, provocando os investidores a continuar as discussões levantadas na ocasião para criar parâmetros de atuação.

Segundo Andre, o retorno dos associados em relação ao Congresso sinaliza ao GIFE que é possível traçar um caminho mais ousado de trabalho e de atuação e um sinal positivo de que os investidores sociais privados estão avançados em discussões que problematizam mais o campo.

Uma das frentes de ação do GIFE amplamente comentada durante a Assembleia é a de fomento aos espaços de diálogo e articulação, como as Redes Temáticas que, em 2015, foram cinco – em 2016 já são seis – e contou com quase 450 participantes, com 15 encontros realizados. As redes, inclusives, fizeram dois posicionamentos públicos, um em relação à maioridade penal e outro em relação ao Pronas. Além disso, foi feita a facilitação de duas redes regionais, em Curitiba e Brasília, articulando os investidores sociais em outras localidades.

Outras articulações foram realizadas como, por exemplo, a aproximação do ISP com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), conversa com o BNDES e a participação no Grupo de Diálogo Mineração, Democracia e Desenvolvimento Sustentável (GDM).

Ao longo da Assembleia, foram compartilhados também os resultados de outras iniciativas promovidas em 2015 e início de 2016, como o Sinapse, que conta atualmente com mais de 500 publicações disponíveis para download gratuito, o lançamento do novo site e da publicação “Alinhamento entre investimento social privado e negócios”, e o Censo GIFE, que contou com 90% de participação dos associados, com alta qualidade de dados e análises. Em 2016, inclusive, serão disponibilizados novos relatórios de comparação a partir dos dados levantados.

Um dos focos de ação do GIFE para 2016 será a a área de advocacy. As ações de incidência externa estão articuladas em três frentes:  análise e acompanhamento do processo legislativo, qualificação e democratização das informações, e articulação com  sociedade civil e poder público. “O momento atual do país exige uma capacidade de atuação mais significativa do GIFE nesta área e a nossa aposta foi bem recebida pelos associados, reforçando que trata-se, portanto, de uma decisão correta”, ressaltou o secretário-geral do GIFE.

O destaque nesta área será para o ITCMD (Imposto sobre Transmissão ′Causa Mortis′ e Doação), um imposto de competência dos Estados e do Distrito Federal. Atualmente, para o Estado brasileiro é indiferente se um cidadão deixa seu dinheiro para seus herdeiros (finalidade privada) ou doe para uma organização sem fins lucrativos (finalidade pública). O modelo de filantropia no Brasil é muito influenciado por esse tipo de regulação tributária.

Toda essa movimentação no GIFE gerou uma avaliação positiva por parte dos seus associados, refletindo-se no aumento do nível de engajamento e satisfação. Para 2016, outras iniciativas estão previstas, como a organização de um colóquio sobre investimento social familiar, a fim de articular e disseminar conhecimentos específicos sobre este campo, assim como uma pesquisa investigativa para identificar o universo dos investidores sociais no Brasil.

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