Tendências do alinhamento entre investimento social e o negócio para 2017

O alinhamento entre o investimento social e o negócio vem sendo percebido pelo setor como uma forte tendência dos últimos anos, aproximando as relações entre os movimentos de responsabilidade social empresarial e sustentabilidade da atuação de institutos e fundações, principalmente os de origem empresarial.

Tamanha presença, o tema virou uma das agendas estratégicas do GIFE, ganhando destaque em 2016, por meio de iniciativas como o próprio Congresso do GIFE, que lançou luz sobre a importância do sentido público do interesse social privado; o lançamento da publicação “Temas do Investimento Social: Alinhamento entre o investimento social privado e o negócio”; e, mais recentemente, a pesquisa “Entre o público e o privado: caminhos do alinhamento entre o investimento social privado e o negócio”, em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces) e o Instituto C&A.

Para o GIFE, essa série de produções e os debates promovidos têm tido o papel de adensar e compartilhar uma discussão que está longe de ser simples, e que cujas principais implicações colocam a tensão entre o público e o privado no centro do debate. Se, de um lado, os institutos e fundações têm o potencial de contribuir para que as empresas exerçam seu papel social de maneira mais integrada, fluida, responsável e articulada às realidades sociais, econômicas e ambientais em que atuam, é necessário, cada vez mais, reconhecer os limites dessa influência mútua e refletir sobre mecanismos capazes de preservar o sentido público das ações de investimento social privado.

Assim, dando continuidade à série especial criada pelo GIFE sobre as tendências do campo para 2017, o segundo texto do material irá abordar justamente a questão do alinhamento entre investimento social e o negócio. A matéria contou com a colaboração de Aron Belinky e Lívia Menezes Pagotto, pesquisadores do GVces e responsáveis pela elaboração da pesquisa.

Investir no alinhamento territorial

A pesquisa lançada em 2016 pelo GVces identificou cinco tipos de alinhamento, entre eles o territorial, ou seja, o espaço geográfico diretamente impactado pela atividade da empresa é um elemento central na configuração do alinhamento. Tendo em vista o momento atual do país, marcado por uma instabilidade política em nível federal, e a renovação das administrações municipais, em que iniciam uma nova gestão para os próximos quatro anos, trata-se de uma oportunidade mais sólida de conexão entre o ISP e o território. É justamente nesse espaço em que poderão ser intensificadas as interações e relações entre empresa e sociedade tendo em vista o movimento de alinhamento entre ISP e o negócio.

Estabelecer equilíbrio entre os elementos do alinhamento

Nesse cenário político e econômico ainda instável pelo qual o país deve viver em 2017, com restrição de investimentos tanto públicos quanto privados, os institutos e fundações deverão sofrer uma pressão maior para tornar justificáveis os recursos direcionados às suas ações. Essa pressão irá requerer uma habilidade maior dos gestores para equilibrar os três grandes elementos nos quais o alinhamento tende a se estruturar: atender à missão, garantir o acesso a recursos para sua sustentabilidade e gerar valor do ISP à empresa mantenedora.

Será preciso uma atenção especial para que esse equilíbrio se mantenha e o elemento que diz respeito à missão destas organizações – que deve ser sempre voltada ao interesse público – não fique subordinado à necessidade de mobilizar recursos ou de valor à empresa para conseguir se manter. É necessário um cuidado e uma visão estratégica por parte dos gestores para apontar de que forma essa geração de valor se dá não só no curto prazo, mas de que forma os institutos e fundações agregam em capacidades e habilidades às empresas em questões hoje centrais da sociedade.

Valorizar a capacidade de interação e diálogo do ISP

O Brasil tem vivido, nos últimos anos, um processo cada vez maior de acirramento de conflitos na esfera pública. Diante deste quadro, se mostra eminente a necessidade de resgatar a capacidade de diálogo da sociedade para superar as tensões e construir novos espaços e caminhos de consenso para uma mudança social mais estruturada, com uma agenda positiva de cooperação.

Os institutos e fundações se apresentam, assim, como atores importantes nesse movimento, pois têm capacidade de diálogo com diferentes segmentos da sociedade, além de legitimidade para atuar na esfera pública e aposta em valores que permitem interagir e compreender as questões da sociedade em termos diferentes das suas empresas mantenedoras.

O que se percebe é que, na medida em que esses investidores sociais atuam dessa forma, geram valor para as empresas que os mantém, pois estão contribuindo para ajudar a resgatar o tecido social brasileiro na qual a empresa opera.

 Ampliar a articulação com temáticas globais

Atualmente, há uma série de demandas e desafios a serem olhados com atenção tanto por empresas como pelos investidores sociais. A Agenda 2030, por exemplo, é uma agenda global e ambiciosa, que aponta de que forma a sociedade se propõe a coordenar suas ações em busca de um desenvolvimento econômico, social e ambiental, de forma indivisível e integrada.

Trata-se de uma oportunidade para institutos, fundações e suas empresas mantenedoras terem um olhar unificado para os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) atuando, cada um com suas capacidades e atribuições, de forma conjunta para um bem comum. A proposta é qualificar essa atuação de ambos, contribuindo para ampliação dos conhecimentos a respeito dos temas – a partir das várias expertises – e uma ação mais coordenada e integrada, na qual a Agenda 2030 aposta.

 

Aprofundar as diferentes vertentes do tema

 Tendo em vista a pluralidade de caminhos que marcam o alinhamento do investimento social privado aos negócios, assim como as várias inquietações e dúvidas ainda presentes neste debate, há uma oportunidade para aprofundar as discussões a respeito, apostando em mais pesquisas, estudos e investigações para entender esse fenômeno e seus impactos.

Entre os assuntos que podem receber mais atenção estão questões como: de que forma o alinhamento está ecoando no ecossistema da sociedade civil? Como está sendo feito esse alinhamento do ponto de vista organizacional, ou seja, há uma fusão de determinadas áreas das empresas e dos institutos e fundações, que tipo de profissional está atuando nesse campo?

Outros materiais

Confira outros materiais elaborados pelo GIFE que discutem o alinhamento do ISP ao negócio:

  • Artigo “Alinhamento entre investimento social e negócio: o que o Censo GIFE nos revela?” (aqui)
  • Pesquisa “Entre o público e o privado: caminhos do alinhamento entre o investimento social privado e o negócio” (aqui).
  • Publicação “Temas do Investimento Social: Alinhamento entre o investimento social privado e o negócio” lançada durante o 9º Congresso GIFE (aqui).
  • Reportagem “Pluralidade de caminhos marcam o alinhamento entre investimento social e o negócio, apontam especialistas” (aqui)
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