Alinhamento às políticas públicas inaugura série sobre tendências do ISP

O ano de 2017 começa com uma série de oportunidades e também desafios ao investimento social privado (ISP). Para discutir quais são as tendências do campo, o GIFE preparou uma série especial sobre cada um dos temas que são foco de suas agendas estratégicas. Inspirado no trabalho do Council on Foundations, o material conta com a participação e opinião de diversos especialistas do setor, que trazem seu olhar e análise das agendas, frente ao atual contexto sócio-político e econômico do Brasil.

O tema que inaugura a série é o “alinhamento do investimento social às políticas públicas”, visto pelo GIFE como uma forte estratégia para implementar a visão de um investimento social com maior impacto, relevância, abrangência e diversidade, podendo, inclusive, gerar resultados nessas quatro dimensões simultaneamente. A última edição do Censo GIFE, por exemplo, identificou que 86% dos respondentes têm algum tipo de alinhamento entre suas iniciativas e as políticas públicas.

Para apontar as cinco tendências dessa agenda em 2017, o RedeGIFE teve o apoio do cientista político Sergio Andrade, fundador e diretor executivo da Agenda Pública, organização que atua no aprimoramento da gestão pública e o incentivo à participação da população nas políticas públicas de localidades impactadas por grandes obras.

  1. Articulação com governos municipais

Em 2017, os municípios brasileiros iniciam novas gestões e começam uma fase intensa de planejamento para os próximos quatro anos. O começo de uma administração local é uma oportunidade mais consistente de trabalho conjunto do ISP com os governos, permitindo um alinhamento às políticas públicas em longo prazo.

Diante das indefinições de direcionamento e políticas em nível federal e estadual e o momento de crise pelo qual o país enfrenta, com a possibilidade de retração da oferta de serviços públicos, os prefeitos precisarão estabelecer novas parcerias e estarão abertos para discutir possibilidades com os investidores sociais nas cidades.

  1. Qualificação dos processos

O cenário atual do país aponta também para as administrações públicas o desafio de, cada vez mais, cortar gastos e ganhar eficiência.  Neste momento de falta de recursos e a necessidade de busca de alternativas, a aproximação e articulação do ISP com os governos deve avançar, deixando de lado uma visão de ‘prestador de serviço’ de projetos, nos quais muitas vezes os investidores assumem em determinados localidades, para um papel estratégico do ISP, no qual as expertises possam qualificar essa relação.

Trata-se de uma oportunidade de atuação conjunta para a qualificação e otimização de processos e de gestão, assim como de construção e criação colaborativa de soluções e de inovações aos desafios colocados localmente, a fim de promover de fato a transformação da realidade. A aposta é não investir e trazer aos governos soluções prontas, mas, dar um passo atrás, e, juntos pensarem nos problemas e cocriarem propostas inovadoras.

  1. Iniciativas estruturantes de interesse público

Mais do que apenas estabelecer apoio ou ações conjuntas, o momento atual traz para o ISP a possibilidade de qualificar o debate junto às administrações públicas. Os investidores podem contribuir para ajudar a conectar uma agenda de desafios locais a agendas estruturantes, ou seja, aquelas que trazem consigo princípios, metas e indicadores claros, como, por exemplo, o Programa Cidades Sustentáveis, Programa Cidades Educadoras e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Essa conexão permite que as agendas estabelecidas não sejam pontuais e tenham respaldo e direcionamento de ações estruturantes e com impacto na sociedade.

  1. Parcerias em políticas regionais

Olhar o local, mas com uma visão ampliada do território. Essa pode ser a oportunidade para enfrentar os desafios sociais complexos pelos quais o ISP se detém ao atuar alinhado às políticas públicas.

A capacidade de conexão e articulação do ISP com diversos atores pode ser colocado a favor de iniciativas que busquem enfrentar os problemas sociais de uma maneira mais eficiente em nível regional. A ação pode ser, inclusive, fortalecida com parcerias estabelecidas entre os próprios investidores sociais que já atuam em determinada região, trazendo mais longevidade aos processos.

  1. Ampliação do impacto do ISP

Para o investidor social, articular suas ações de interesse público às políticas públicas é fundamental se a proposta é buscar escala e maior impacto social. São os governos que têm maior capacidade – tanto do ponto de vista de recursos, quanto de legitimidade pública – para enfrentar os problemas da sociedade.

Se o ISP articula suas iniciativas às políticas públicas tem a possibilidade de atuar de forma mais estruturante e não apenas resolvendo desafios pontuais. Além disso, neste momento de adversidade enfrentada pelo país, é fundamental combinar os esforços para garantir melhores resultados.

 

Outros materiais

 

Confira outros materiais elaborados pelo GIFE que discutem o alinhamento do ISP às políticas públicas:

  • Mesa sobre políticas públicas que aconteceu no 9º Congresso GIFE (aqui).
  • Artigo “O alinhamento do investimento social privado às políticas públicas” publicado no Censo GIFE (aqui)
  • Reportagem “Alinhamento entre ISP e políticas públicas ganha diversos contornos e práticas no país” (aqui)
FacebookTwitterLinkedInGoogle+