Rede une organizações diante do desafio de 64 milhões de brasileiros sem educação básica

Por: GIFE| Notícias| 13/07/2026

Istock

Cerca de 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica. Desse total, a maioria, 44,7 milhões, não terminou o ensino fundamental e 19,3 milhões não concluíram o ensino médio. Esses são números revelados pelo estudo ‘População de 15+ fora da escola, demanda potencial por EJA e transições para o trabalho: diagnóstico e evidências para políticas públicas’, um levantamento inédito da Rede EJA e Inclusão Produtiva, lançada no dia 07 de julho.

O descompasso entre a demanda potencial por Educação de Jovens e Adultos (EJA) e o atendimento oferecido pela modalidade constitui um dos principais pontos de atenção revelados pelo estudo. 

“Existe uma distância muito grande entre a necessidade da população e a oferta da modalidade (EJA). Pelo menos 2/3 das escolas brasileiras não ofertam a modalidade”, explica Rosalina Soares, superintendente de Conhecimento da Fundação Roberto Marinho, que integra a Rede. Ela lembra que estamos falando de uma população diversa: jovens que interromperam a trajetória escolar, adultos que precisaram deixar os estudos ao longo da vida e idosos que carregam uma trajetória histórica de exclusão educacional. “É importante compreender que, para a maior parte dessas pessoas, a interrupção dos estudos não foi uma escolha individual: ela está relacionada às desigualdades e às condições concretas de vida.”

A necessidade de trabalhar, a busca por renda e a dificuldade de conciliar estudo e trabalho estão entre os principais motivos observados. No caso das mulheres, especialmente, as responsabilidades de cuidado com filhos, familiares e tarefas domésticas seguem sendo uma barreira para a permanência e o retorno aos estudos.

Para Rosalina Soares, isso significa que enfrentar esse desafio exige atuar em várias dimensões. “É fundamental ampliar a oferta de EJA, garantindo que ela chegue aos territórios e às populações que mais precisam; construir currículos significativos, que reconheçam as trajetórias, saberes e projetos de vida dos estudantes; investir na formação e valorização dos educadores que atuam nessa modalidade.”

Para garantir que jovens, adultos e idosos consigam concluir seus estudos, a superintendente chama atenção para as políticas intersetoriais articuladas à EJA, como proteção social, trabalho e renda, transporte, cuidado, acolhimento e estratégias de busca ativa.

Rede EJA

Formada por 16 instituições da sociedade civil e organismos multilaterais, a Rede EJA visa colocar esse desafio em evidência, produzir e disseminar conhecimento, mapear políticas que funcionam, articular diferentes atores e incidir no debate nacional e em políticas públicas. A Rede surge em meio à implementação do novo Plano Nacional de Educação (PNE). O primeiro passo, de acordo com Rosalina Soares, é garantir que estados e municípios definam metas, para os planos decenais, etapa prevista no PNE. Outro ponto importante para a especialista, é construir uma EJA mais conectada aos desafios contemporâneos. 

“A educação não pode ser reduzida à preparação para o mercado de trabalho. Mas precisamos reconhecer que, em um mundo em que o trabalho exige cada vez mais capacidade de aprender continuamente, resolver problemas e lidar com tecnologia e informação, concluir a educação básica amplia oportunidades e autonomia”, pondera. 

Segundo o estudo, elevar a escolaridade da população tem impacto não apenas na vida das pessoas, mas no desenvolvimento do país. A simulação realizada aponta que a conclusão da educação básica pela população que ainda não concluiu poderia ampliar a massa salarial em cerca de R$ 66 bilhões ao ano e contribuir para a redução da pobreza.

Além da Fundação Roberto Marinho, participam da Rede Ação Educativa, Ashoka, Conhecimento Social – Estratégia e Gestão, Conselho Nacional do Sesi, Fundação Arymax, Fundação Bradesco, Fundação Itaú – Itaú Educação e Trabalho, GIFE, Instituto Rodrigo Mendes, Pacto Global, Redes da Maré, Todos Pela Educação, UNESCO, UNICEF e United Way Brasil – Juventudes Potentes.  

Acesse o estudo completo no link.

Associe-se!

Participe de um ambiente qualificado de articulação, aprendizado e construção de parcerias.

Apoio institucional

WhatsApp
Translate »