Alana e Ashoka convocam a sociedade a uma nova conversa sobre educação

“Para mim, as escolas transformadoras são as que entendem e transformam a educação. Que olham para o aprendizado de portas abertas. Aquele aprendizado que acontece com as trocas. Quando os professores trocam, os alunos trocam. São aquelas preocupadas em formar pessoas que olham para o mundo, que vivem o mundo e querem transformá-lo”.

A fala da jovem Marina Cartum, 14 anos, aluna do nono ano do Ensino Fundamental do Colégio Equipe, em São Paulo (SP), reflete o pensamento de mais de centenas de estudantes, professores, familiares e especialistas envolvidos e participantes do programa Escolas Transformadoras. Iniciativa da Ashoka e correalizada no Brasil com o Alana, o projeto ganha agora eco no novo livro que acaba de ser lançado pelas organizações.

A publicação O ser e o agir transformador – para mudar a conversa sobre educação’ é um convite a todos que acreditam na necessidade de se criar um novo marco de referência para a educação e a vida das pessoas em sociedade, no qual seja possível sonhar novos mundos onde todo estudante, educador e comunidade pode ser um agente de transformação social.

“Em meio a debates como o da Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e a reforma do Ensino Médio, a publicação convida o leitor a se engajar em uma importante conversa. Que a educação é uma das principais ferramentas de formar pessoas engajadas com a solução de problemas e para a transformação da sociedade. Essas escolas revelam que seus currículos são vivos, críticos, diversos e que, antes de serem escolas transformadoras, foram escolas que toparam se transformar e ainda o fazem diante de tantos desafios. Uma educação verdadeiramente transformadora transborda os muros da própria escola e contagia toda a sociedade”, explica Raquel Franzim, assessora pedagógica do Alana.

Para dar vida a este debate, o livro reúne experiências das 15 primeiras escolas reconhecidas pelo programa Escolas Transformadoras no Brasil – atualmente já são 18. Ao longo dos quatro capítulos, o leitor é provocado a refletir, a partir das entrevistas, depoimentos, artigos e histórias, sobre o papel da educação frente aos desafios sociais, econômicos, políticos, culturais, quais percursos essas escolas encontraram para superá-los e o que impactaram em seus territórios, comunidades e até mesmo na educação do país.

“Mais do que apresentar uma fórmula, um passo a passo, o material tem a proposta de mostrar que esse lugar de uma escola transformadora é construído muito no dia a dia, a partir de uma equipe, de pessoas engajadas, que tem a força, o agir transformador e que articulam e constroem junto com os professores, os estudantes, as famílias e a comunidade. Ou seja, mais do que mostrar o que as escolas fazem, a nossa proposta é discutir como elas chegaram a estas escolhas, que caminhos percorreram”, ressalta Antonio Lovato, coordenador do programa.

Além dessa narrativa construída a partir das histórias das escolas, a publicação reúne também uma conversa motivadora realizada sobre o tema entre Anamaria Schindler, diretora Ashoka América Latina; Ana Lucia Vilella, fundadora e presidente do Alana; Natacha Costa, da Associação Escola Cidade Aprendiz; e Ana Elisa Siqueira, da EMEF Amorim Lima. Também dá voz aos estudantes das escolas refletidas e abre espaço para convidados como Flavio Bassi, diretor de empatia e juventude da Ashoka na América Latina e Mary Gordon, fundadora do Rootys of Empaty.

Antonio Lovato destaca, inclusive, que esse movimento de articulação é um dos focos centrais do programa, conectando a comunidade ativadora da iniciativa – formada pelas escolas participantes, empreendedores sociais, formadores de opinião, especialistas – a possíveis parceiros de multiplicação, como organizações da sociedade civil, governos, universidades, mídia etc. – a fim de levar essa nova narrativa sobre a educação para outros espaços, ajudando a potencializar a mensagem, com possibilidade de incidência e intervenção em políticas públicas.

Uma iniciativa neste sentido, por exemplo, é a parceria com a Secretaria Estadual de Educação da Bahia, no qual o programa está promovendo uma formação com a equipe técnica do governo, com engajamento de três escolas participantes do programa. Outras ações a serem realizadas em breve também é o lançamento de uma série de televisão sobre o tema, além de outras publicações sobre trabalho em equipe e criatividade.

Informações

A publicação ‘O ser e o agir transformador – para mudar a conversa sobre educação’ contou com o patrocínio do Instituto Jama e criação e produção do Estúdio Cais – Projetos de Interesse Público. O material pode ser acessado aqui.

Até o fim do ano, a publicação está sendo lançada, regionalmente, nos estados de algumas das escolas participantes, com a participação de diversos parceiros locais. As próximas datas são: 24 de outubro em Salvador (BA), 01 de novembro em Manaus (AM) e 09 de novembro no Encontro Latino-Americano do Programa, em Bogotá, em Colômbia.

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