Associação Samaritano chega à Rede GIFE

O GIFE irá fechar 2017 com mais uma organização na sua lista de associados: a Associação Samaritano. Com mais de 120 anos de atuação, a organização está passando por um período de mudanças e 2018 será um ano de novidades.

Até 2016, antes da venda do Hospital Samaritano, a Sociedade Beneficente Hospital Samaritano, como era chamada a associação, atuava em parceria com o Ministério da Saúde a partir do Programa de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS). Foram desenvolvidas diversas ações a partir do programa, que usavam a estrutura do hospital para realizar atendimentos, cirurgias, transplantes, entre outros procedimentos.

Apesar da venda do hospital para a empresa americana UnitedHealth, dona da Amil, a associação se comprometeu a terminar os projetos em andamento e encaminhar os pacientes para outras unidades de saúde. O desligamento do hospital trouxe uma nova estratégia de atuação da associação: a partir de 2018, o foco será o desenvolvimento de ações nas áreas de prevenção de doenças e promoção à saúde.

Mesmo com o novo posicionamento, nem todos os programas desenvolvidos até agora serão transferidos. O AMA (Programa de Atendimento Multiassistencial Samaritano), por exemplo, será mantido. Luiz Maria Ramos Filho, superintendente de Responsabilidade Social da associação, destaca que essa ação será mantida, pois é compreendida como um instrumento de prevenção de doenças e promoção da saúde, uma vez que trabalha com diagnósticos precoces e atendimento ambulatorial especializado em pediatria.

Outra ação que terá continuidade é a Central de Regulação de Partos, projeto realizado em parceria com a prefeitura de São Paulo, que apoia a regulação municipal no referenciamento de gestantes de baixo e alto risco. Em operação desde agosto de 2016, o projeto é desenvolvido na Central de Regulação de Urgência e Emergência (CRUE), do município de São Paulo, e conta com uma equipe de médicos e enfermeiros da associação para fazer o encaminhamento das gestantes.

Rogério L’Abbate Kelian, gerente de Responsabilidade Social, destacou que depois das mudanças, a associação está em um período de transição, refazendo o fluxo de avaliação e a forma de monitoramento de projetos. Uma das medidas a ser adotada nos próximos meses é manter um número menor de projetos, começando por uma ação a ser desenvolvida no município de São Paulo, devido à proximidade, o que facilita o monitoramento. “Hoje, nós temos projetos em praticamente todo o país. Então, nós pretendemos voltar um pouquinho para aprender de uma forma diferente: primeiro fazer os poucos projetos em São Paulo para depois expandir”, explica Luiz Maria.

Para essa reestruturação e reposicionamento, estamos fazendo consultorias, realizando benchmarking, temos ajuda externa para estabelecer o mapa de instituições com as quais queremos manter um relacionamento, e isso tem nos ajudado bastante a entender um pouco mais desse setor”, ressalta Rogério.

Segundo o gerente, a partir desse movimento de escuta e pesquisa, foi possível perceber que a associação deveria se preocupar mais em ter uma estratégia bem definida do que assumir compromissos e investir recursos sem ter uma estruturação metodológica de captação e monitoramento.

Modelo de financiamento e a associação ao GIFE

Com essa mudança de foco, a associação adotou um novo direcionamento estratégico, que envolve desde o modelo de financiamento até o relacionamento com outras instituições.

É importante ressaltar que hospitais filantrópicos, como é o caso do Samaritano, têm isenções fiscais sobre patrimônios, rendas ou serviços. Com a venda desse ativo, Rogério defende a nova visão da organização no sentido de diminuir a dependência do Ministério da Saúde. “Antes, nós utilizávamos recursos da nossa isenção fiscal. Com a separação do hospital, passamos a investir recursos próprios, sem a interface com o Ministério. Por isso que nossa visão agora é ser referência em investimento social privado na área de saúde no Brasil”.

Apesar de mudar o modelo de financiamento, Rogério ressalta que a associação irá continuar trabalhando com o poder público, além de iniciar uma relação com o terceiro setor. Nesse sentido, a associação ao GIFE veio para ensinar sobre esse campo. “O GIFE tem um nome consolidado no terceiro setor. Entrar nessa rede é conhecer um pouco mais desse lado que, para nós, é novidade”, ressalta Rogério.

Luiz também destaca a importância de pertencer à seleção de instituições que o GIFE congrega. “Nós sempre tivemos o GIFE como referência nessa área, pois reúne as principais entidades. A partir disso, queremos ter uma interface maior com o terceiro setor”.

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