Campanha endereça a importância de mulheres ocuparem cargos de liderança nas empresas

Se mais da metade da população brasileira é formada por mulheres, metade dos cargos e posições de liderança em organizações, empresas e no mercado de trabalho, de forma geral, também é ocupado por elas, certo? Errado. Segundo dados reunidos pelo guia O que o Investimento Social Privado pode fazer por Direito das Mulheres, lançado pelo GIFE em 2020, apenas 31% dos cargos de gerência e 13% dos cargos do quadro executivo das 500 maiores empresas do Brasil são ocupados por mulheres. 

Essa diferença se manifesta em inúmeras instâncias: na política, considerando que mulheres representam 10,5% das cadeiras da Câmara dos Deputados e 16% dos assentos do Senado Federal, na disparidade salarial, sendo que, em 2018, o rendimento médio das mulheres ocupadas equivalia a 79,5% do recebido pelos homens; e na dedicação aos afazeres domésticos. Ainda, a equação complexa conta com outros fatores, como violência, maior ocupação feminina em cargos informais e o não reconhecimento do trabalho de cuidado. 

Considerando esse cenário, ainda mais agravado pela pandemia de Covid-19, bem como o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5, que visa acabar com a violência, alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas, a Rede Brasil do Pacto Global acaba de lançar o movimento #BoteNaMesa

Segundo Gabriela Almeida, assessora de Direitos Humanos da Rede Brasil do Pacto Global, a ideia é ressignificar a expressão machista sobre “botar na mesa”, que para muitos é sinônimo de atitude e posicionamento forte. “O #BoteNaMesa é um movimento que incentiva mais mulheres em cargos de alta liderança por meio da adesão ao programa Equidade é Prioridade, da Rede Brasil do Pacto Global. A iniciativa mostra às empresas o que realmente precisamos colocar na mesa: respeito, equidade de gênero e mais mulheres na liderança”, explica. 

Desigualdade = perda de oportunidades 

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), em 2020 foram criadas mais de 230 mil vagas de trabalho em postos formais para homens, ao passo que, para as mulheres, houve um saldo negativo entre admissões e demissões de mais de 87 mil postos. 

Entretanto, um estudo do Bank of America mostra que alcançar a equidade total de gênero pode significar um ganho de 28 de trilhões de dólares para a economia global. A pesquisa aponta, ainda, que conselhos mais diversos tendem a obter retornos financeiros mais altos. A esses dados, somam-se outros não tão recentes, provando que o desafio é antigo. Empresas premiadas pelo ranking Great Place to Work Mulher (GPTW) 2019 tiveram um faturamento de 12,2% em média, crescimento seis vezes maior do que o registrado no mercado de forma geral. 

“Mulheres com carteira assinada recebem menos de 78% dos salários dos homens. Precisamos de políticas afirmativas para mudar esse cenário, e incluir mais mulheres em cargos de liderança é uma delas, considerando que as desigualdades aumentam à medida que subimos na pirâmide hierárquica das empresas. Mulheres ocupam, em média, apenas 35% dos cargos de gerência, 16% dos cargos de liderança como diretoria, menos de 10% das presidências, 11% dos assentos em conselhos de administração e 6% das posições de presidência dos conselhos. Nesses casos, ainda recebem 62% menos do que os homens, segundo o IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística]. A equidade beneficia o público feminino, com mais oportunidades, e também a economia, que terá espaço para crescer”, defende Carlo Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global. 

Carlo comenta que falar sobre os ganhos financeiros de incluir mulheres no quadro de funcionários e em posições de tomada de decisão é uma forma de diversificar os argumentos em prol dessa agenda. “O estudo do Bank of America também destaca que conselhos mais diversos têm um retorno financeiro 15% mais alto.” 

Possíveis ações 

Um dos principais objetivos do #BoteNaMesa é convidar empresas a participar da iniciativa Equidade é Prioridade. “A agenda do desenvolvimento sustentável só será alcançada se não deixarmos ninguém para trás. No entanto, a pandemia alongou em 36 anos a projeção de igualdade de gênero no mundo, de acordo com levantamento do Fórum Econômico Mundial divulgado em 2021 (de 99 para 135 anos). Da parte das empresas, acreditamos que precisamos de ações mais claras relacionadas ao avanço das mulheres em todos os níveis da organização, mas em especial nos níveis com poder de decisão”, explica Carlo. 

Lançada com o objetivo de estabelecer metas claras para que empresas integrantes da Rede Brasil do Pacto Global aumentem a quantidade de mulheres em cargos de alta liderança, a iniciativa Equidade é Prioridade promove sensibilização, compromissos públicos, capacitação e mentoria para empresas interessadas em aumentar a quantidade de mulheres nessas posições.

O programa divide-se em três pilares: carta compromisso, programa de capacitação e campanhas de comunicação. Em primeiro lugar, vem a assinatura do compromisso público, onde uma empresa se compromete a ter 30% de mulheres ocupando cargos de alta liderança até 2025 ou ter 50% de mulheres até 2030. 

As empresas que assinarem o compromisso poderão ser escolhidas para integrar o programa de capacitação, uma ação global de aceleração da igualdade de gênero no setor empresarial composta por workshops, palestras e monitoria. 

Entre as possíveis ações para contribuir com o avanço da agenda de mais mulheres ocupando cargos de alta liderança, a Rede Brasil do Pacto Global reforça a importância da divulgação de dados relacionados à desigualdade na ocupação de cargos de alta liderança no mundo corporativo e incentiva a promoção de debates em torno do ODS 5, como o compartilhamento de notícias sobre a igualdade de gênero e reivindicação de tratamento e salários iguais para homens e mulheres. 

Além de endereçar a questão de gênero, a iniciativa também conta com a vertente exclusiva de raça. Lançada em parceria com o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), o movimento Equidade é Prioridade Étnico-Racial também trabalha com compromissos públicos, capacitação e mentoria, mas com foco em aumentar a quantidade de pessoas negras em cargos de liderança. Conheça e participe

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