Canal Negras Potências busca projetos que atuem no campo da equidade racial e de gênero

 

Desigualdades de gênero e raça estão no centro de desafios enfrentados diariamente por milhares de brasileiros. Para apoiar iniciativas que atuem no campo da equidade racial e de gênero, empoderando meninas e mulheres negras do Brasil, a plataforma de financiamento coletivo Benfeitoria, juntamente com o Fundo Baobá e com apoio do Movimento Coletivo, da Coca-Cola, acaba de lançar o Negras Potências.

O projeto surgiu para alertar sobre a realidade que esse público enfrenta todos os dias. Apesar da violência contra mulheres estar presente nos noticiários cotidianamente, um levantamento realizado pelo Mapa da Violência aponta que, enquanto o assassinato de mulheres brancas diminuiu, o de negras aumentou 54% em um período de dez anos.

Selma Moreira, diretora do Fundo Baobá, defende que, mesmo quando há a proposição de soluções focadas em grupos mais vulneráveis, como as mulheres, a população negra ainda tem mais dificuldade de acesso, o que justifica um edital que mira as questões de gênero e raça.

“Quando a gente trata da pirâmide de hierarquia da sociedade, no topo está a figura do homem branco heterosexual. Na base, estão as mulheres negras, e mais na base ainda estão as mulheres negras LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e pessoas Intersex). Ainda que existam propostas endereçadas às mulheres, as negras ainda estão numa situação de maior vulnerabilidade. Então, esse direcionamento é proposital e é focado em empoderar e fortalecer esse grupo que de fato é mais frágil”.

Além de tratar de um tema tão relevante, a iniciativa conjunta traz uma novidade: o Matchfunding. Trata-se de uma solução que apoia o financiamento coletivo (crowdfunding) e também amplia os recursos financeiros destinados a esses projetos.

Funciona assim: a comissão avaliadora do Negras Potências irá escolher as iniciativas que irão participar do programa. Cada uma delas irá receber R$ 5 mil de verba inicial, para estruturar suas campanhas de financiamento coletivo, assim como uma formação para desenvolver planos factíveis, possíveis de serem alcançados.

“Os pré-selecionados vão receber treinamento da Benfeitoria para aprender a fazer o processo de crowdfunding e também do Fundo Baobá, para garantir que as propostas não sejam só bacanas do ponto de vista de captação, mas também sejam sensíveis para a temática de gênero e raça, para não correr o risco de estereotipar o tema que já é complexo”, explica Selma.

A diretora do Fundo Baobá também ressalta que a escolha do modelo de financiamento coletivo se deu por dois motivos: o primeiro deles é dar mais visibilidade ao tema, já que as organizações que de fato forem selecionadas para realizarem suas campanhas terão de divulgar suas arrecadações, seja para pessoas já militantes e envolvidas com o tema ou para aqueles que não sabem muito sobre o assunto. Já o segundo motivo consiste em promover o aprendizado sobre captação de recursos.

“As organizações negras são historicamente bastante fragilizadas; muitas vezes tiveram pouco acesso a crédito, o que as faz trabalhar com poucos recursos. Nesse momento que a sociedade e a economia como um todo têm sofrido muito, as organizações também têm sentido bastante. Trazer essa capacitação de desenvolvimento por meio do crowdfunding é um ganho duplo: é o próprio recurso do edital e também possibilitar que as organizações, ainda pequenas, aprendam a melhorar e diversificar as estratégias de captação”.

Depois dessa fase inicial, as propostas serão de fato lançadas para o financiamento coletivo. Nessa etapa, a cada R$ 1 recebido pelo projeto, o Movimento Coletivo “dá match” e ficará responsável por doar o dobro do valor. Ou seja, supondo que um colaborador doe R$ 100, o projeto, na verdade, receberá R$ 300: R$ 100 do doador e R$ 200 do Movimento Coletivo.

É importante ressaltar que, caso o projeto atinja ou ultrapasse sua meta de financiamento ao final do prazo da campanha, as recompensas devem ser distribuídas aos colaboradores. Se a meta não for atingida, os responsáveis pelo projeto devem devolver o dinheiro arrecadado.

Participe

Podem participar da chamada propostas realizadas por organizações da sociedade civil, negócios de impacto, startups, cooperativas, empreendimentos sociais em geral, coletivos, redes e movimentos, desde que tenham um CNPJ e contem com mulheres negras na coordenação e no desenvolvimento das iniciativas.

Já a seleção ficará a cargo de uma comissão formada por profissionais das três organizações responsáveis pelo Canal Negras Potências. Entre os critérios classificatórios de seleção, estão: qualidade e alcance do impacto da iniciativa; inovação; sustentabilidade e potencial de continuidade; e potencial de arrecadação via financiamento coletivo.

Ao final do processo, serão selecionadas até 25 iniciativas, com metas de orçamento entre R$ 10 mil e R$ 100 mil. Como já citado, todos os selecionados irão receber uma quantia inicial de R$ 5 mil para estruturar a campanha de financiamento coletivo. Esse valor pode ser aplicado na preparação de materiais, contratação e equipe dedicada e verba para divulgação da campanha. O regulamento completo do Canal Negras Potências está disponível no site da Benfeitoria.

Os interessados em participar podem realizar as inscrições até o dia 30 de março na plataforma. A divulgação das iniciativas selecionadas acontecerá em maio no canal Benfeitoria e no Fundo Baobá. Eventuais dúvidas podem ser enviadas para o email negraspotencias@benfeitoria.com.

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