Com aposta no empreendedorismo da zona norte de São Paulo, Instituto Center Norte chega ao GIFE

Maio marca a chegada de mais um membro do GIFE: o Instituto Center Norte (ICN). A organização foi criada em 2002 para gerenciar os projetos sociais da Família Baumgart, que há mais de 80 anos atua no desenvolvimento da zona norte de São Paulo.

A criação do Instituto partiu de uma demanda do próprio Grupo Baumgart, uma vez que a família homônima sempre teve uma presença forte na região, com um olhar voltado para o desenvolvimento social do território. Dessa forma, o Instituto foi concebido com a missão de ‘criar um ambiente de aprendizado e inovação para que pessoas e instituições empreendam soluções capazes de melhorar a vida na zona norte de São Paulo’.

Durante 15 anos, a organização realizou projetos relacionados a educação e capacitação profissional de jovens para o mercado de trabalho. Depois de uma reformulação total do seu escopo de atuação, missão e visão em 2017, hoje a maioria de suas atividades está relacionada a inovação social, empreendedorismo, mobilidade e urbanismo, todas elas focadas na zona norte da cidade.

“Foi um marco importante para o Instituto, pois houve uma provocação de como a organização poderia se conectar com as ações do negócio e olhar o investimento social privado de forma mais estratégica. Nessa época, a família começou um comitê, um conselho de administração e fez a contratação de um CEO,” explica Daniela Pavan, head do Instituto Center Norte e Sustentabilidade.   

As novas áreas de interesse estão conectadas à visão do Instituto, que por sua vez se baseia na crença de que empreendedorismo e inovação social são grandes agentes de transformação e, combinados, podem tornar aquele território um importante pólo de desenvolvimento sustentável da Cidade Center Norte [composta pelo Shopping Center Norte e o Lar Center, o Complexo Expo Center Norte e o Novotel].

“Buscamos o desenvolvimento territorial sustentável e, para isso, temos alguns princípios. Acreditamos que é preciso trazer a diversidade como prioridade nas nossas iniciativas, sobretudo em uma sociedade tão desigual; apostamos no fortalecimento de pessoas e organizações que, por sua vez, fortalecem o território; e usamos respeito, diálogo e escuta para cocriar soluções com nossos parceiros, sempre com um olhar sobre como conectar a zona norte sustentável”, defende Daniela.

Linhas de atuação

Dentro de sua missão, o Instituto dividiu seus projetos e ações em duas linhas de atuação. Uma delas é a Zona Norte Empreendedora, que aposta em iniciativas de desenvolvimento pessoal e profissional voltadas aos moradores da região, sobretudo de mulheres e jovens, com cursos e ações de capacitação para geração de renda.

A outra linha é a Zona Norte Sustentável, que busca e apoia soluções e inovações em ações sociais criadas para melhorar a qualidade de vida dos moradores, proporcionando experiências saudáveis, culturais e sustentáveis. “Caminhamos com essas duas vertentes porque o Instituto tem a finalidade de ajudar a melhorar tanto a qualidade de vida como a renda dos moradores da região”, afirma Daniela.  

Projetos

Um dos projetos de sucesso do Instituto é o Quiosque Solidário. Trata-se de um espaço dentro do Shopping Center Norte que é cedido a organizações e instituições para que comercializem seus projetos em um ambiente onde há grande circulação de pessoas, possibilitando maior visibilidade e receita para seus negócios.

Daniela explica que não é incomum que organizações assumam o quiosque e não consigam absorver a demanda. Segundo a experiência do Instituto, organizações atuais têm dificuldade na questão da profissionalização, como precificação, visual merchandising, emissão de nota fiscal, entre outros pontos. “As organizações são cobradas como negócio. Então, pensamos em como empoderar essas pessoas para que estejam preparadas para o mercado de trabalho, que exige qualidade de produtos, por exemplo.”

Esse foi um dos motivos para a criação do projeto Rede Crianorte, em parceria com Rede Asta e Aliança Empreendedora. A ideia é capacitar mulheres que vivem em situação de vulnerabilidade social, possibilitando que se tornem empreendedoras da moda.

A ideia, portanto, é evitar projetos isolados e pontuais e formar uma rede de fato. Daniela explica: “Nós começamos [a capacitação] com 50 mulheres e terminamos com 20. Houve bastante saída porque elas não conseguem conciliar a produção com outras tarefas e sentem-se inseguras em assumir o quiosque do shopping. Então, além da capacitação profissional, precisa ser feito um trabalho de autoestima e desenvolvimento pessoal.”

Outra iniciativa de destaque é a Startup Varejo – Ideias de Futuro. O projeto baseia-se na capacitação de alunos da rede pública estadual da zona norte para que possam desenvolver competências empreendedoras aplicadas ao varejo. No ano passado, o trabalho foi realizado em quatro escolas. Neste ano serão sete.  

Apesar de trabalhar com o mesmo público, os projetos também variam na temática. O Marcenaria para Jovens, por exemplo, desenvolvido em parceria com o Instituto Tomie Ohtake, aposta na formação teórica e prática em marcenaria durante quatro meses. O mobiliário urbano criado é repassado para um parque ou espaço público do território.

Já o Todo Lugar tem uma História para Contar, em parceria com o Museu da Pessoa, é um projeto voltado à memória da região da Vila Guilherme. A partir da capacitação de jovens para serem multiplicadores do projeto e do envolvimento de instituições locais, a iniciativa traz um pacote de produtos, vídeo-depoimentos de histórias de vida, coleção virtual no Museu da Pessoa, relatório diagnóstico da comunidade e até mesmo um guia com orientações para continuidade do projeto pelos jovens moradores da comunidade.

Associação ao GIFE

Daniela afirma que toda a equipe da organização tem trabalhado desde 2017 para se posicionar de forma mais estratégica e para que o ICN reveja o modelo de investimento social privado em uma busca de uma conexão maior com o momento vigente do país e com as demandas das comunidades do entorno.

Uma das estratégias para continuar em um processo de aprimorar suas práticas é se relacionar com pares que também apostam na mudança de contexto social. Segundo Daniela, o Instituto Center Norte enxerga o GIFE como um grande hub que reúne atores com esse foco, possibilita a geração de novos conhecimentos, provoca os associados para temáticas que ainda não recebem a atenção necessária e facilita o estabelecimento de parcerias.

“Participar de um grupo como o GIFE nos inclui nessa caminhada, ao lado de muitos outros. Acredito que temos esse papel de participar de grandes movimentos para que tenhamos nossa voz, sejamos transparentes e para que de fato nos posicionemos dentro do investimento social privado”, afirma.

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