Com objetivo de promover e qualificar a prática de grantmaking no Brasil, GIFE lança a plataforma GrantLab

Promover a prática de grantmaking no Brasil a partir da ampliação de conhecimentos sobre o tema no universo do investimento social privado (ISP) brasileiro é o principal objetivo da plataforma GrantLab, lançada na última sexta-feira (19/06) pelo GIFE. 

A ideia de lançar um site para compartilhamento de conhecimento prático sobre grantmaking, voltado principalmente para fundadores, conselheiros, diretores e equipes executivas de organizações financiadoras, ou seja, fundações, institutos, fundos filantrópicos e empresas, surgiu em colaboração com associados e parceiros do GIFE. 

A plataforma conta com o apoio de Instituto Clima e Sociedade (iCS), Instituto Humanize e Instituto SICOOB. Além dessas, participam da iniciativa outros atores do campo da filantropia e do investimento social, como organizações integrantes da Rede Temática (RT) de Grantmaking, lançada em 2018, durante o X Congresso GIFE. 

Karen Polaz, coordenadora da plataforma, explica que a RT de Grantmaking e o GrantLab estão conectados e ambos foram idealizados para fortalecer as práticas de doação e grantmaking no Brasil e para qualificar o campo do ISP nessa direção. Segundo o Censo GIFE 2018, entre 2016 e 2018, houve um aumento de sete pontos percentuais – 16% para 23% – de investidores sociais predominantemente financiadores, ou seja, que destinam maior proporção de recursos para projetos de terceiros. Apesar da queda de 43% para 40% daqueles com perfil predominantemente executor, isto é, que direcionam maior proporção de recursos para projetos próprios, ainda é alto o índice de organizações que preferem executar seus próprios projetos. 

Desta forma, a missão do GrantLab é apoiar o desenvolvimento de um investimento social privado brasileiro mais doador, numa ação em conjunto com a RT de Grantmaking, contribuindo para o fortalecimento da sociedade civil, de instituições e espaços de interesse público e do tecido democrático no país.

Hub de conteúdos 

Segundo Karen, uma organização interessada em fazer ou que já realize grantmaking precisa de um espaço onde possa se qualificar, trocar experiências entre pares e saber o que outras organizações – muitas vezes, com características semelhantes a ela – estão praticando. 

A RT, antes destinada apenas a associados ao GIFE e que no ano passado se abriu a outras organizações grantmakers, já foi criada para ser esse espaço de troca. “A plataforma GrantLab, por sua vez, segue nessa mesma direção de focar em conteúdos práticos, com o compartilhamento de reflexões, dicas, aprendizados, ferramentas, recomendações, desafios e caminhos para superá-los”, observa. 

A plataforma se configura, assim, como um hub de conteúdos, por reunir informações sobre o universo do grantmaking em diferentes formatos, como artigos, guias, cases, infográficos, podcasts e vídeos. Os conteúdos são destinados principalmente aos atores do investimento social privado dos diferentes perfis – essencialmente doadores, executores e híbridos -, mas também a consultores, acadêmicos e organizações da sociedade civil e outros tipos de grantees que queiram  qualificar ainda mais suas práticas e aprimorar o acesso e o relacionamento com as instituições financiadoras.

Diversidade de temas e vozes 

Os conteúdos disponibilizados no GrantLab foram estruturados a partir de três frentes: curadoria de conteúdos de referência sobre grantmaking publicados no Brasil e no mundo, produção de uma série de conteúdos pelo GIFE com a colaboração de associados e parceiros e, para o lançamento da plataforma, também foram convidados representantes de organizações financiadoras e demais atores do campo da filantropia e do ISP para publicarem seus próprios artigos sobre o assunto. 

“O GrantLab foi construído a muitas mãos. Para a elaboração de conteúdos adaptados ao contexto brasileiro, buscamos abordar, dentro da temática transversal de grantmaking, vários temas e experiências vindas de diferentes tipos de organizações. Muitas organizações e pessoas participaram da produção e, portanto, essa diversidade de perspectivas e opiniões relacionadas aos modos de se fazer grantmaking também está refletida nos conteúdos, o que é bastante valioso”, conta a coordenadora.

A coordenadora explica ainda que a maioria dessas ideias de conteúdos para a plataforma surgiu a partir das principais demandas identificadas durante os encontros da RT de Grantmaking realizados desde o lançamento do grupo em 2018.

“A partir dessas demandas, pudemos pensar os temas e elaborar os primeiros conteúdos para serem disponibilizados no lançamento da plataforma, garantindo uma ampla diversidade temática. Abordamos, por exemplo, as tendências para a atuação de grantmakers brasileiros na nova década, as relações de confiança entre financiadores e grantees, formas de tornar a prestação de contas menos burocrática, as oportunidades e aprendizados em se financiar negócios de impacto, entre muitos outros. Nos podcasts, por sua vez, cada pessoa entrevistada fala sobre a experiência de sua própria organização a partir de diferentes temas que são de interesse dos associados e participantes da RT de Grantmaking, como articulação em rede, atuação internacional e uso de ferramentas na gestão de grants. Já os textos sobre como institutos e fundações do investimento social têm atuado no fortalecimento institucional das organizações que apoiam também partiram dos cases apresentados nos encontros da RT de Grantmaking ao longo do ano passado”, observa.

Ao disponibilizar esses temas e reflexões em uma plataforma online, o GIFE espera contribuir para aproximar cada vez mais organizações e pessoas interessadas nas práticas de grantmaking de todos os lugares do Brasil, oportunizando a qualificação de suas práticas. 

A prática de grantmaking 

Ao contrário de algumas palavras em inglês que já foram incorporadas ao vocabulário brasileiro, grantmaking é um termo que não possui uma tradução exata para o português. A expressão pode ser compreendida como uma estratégia de atuação do campo filantrópico voltada ao repasse de recursos financeiros, de forma estruturada, a iniciativas, projetos ou programas – sociais, ambientais, culturais ou científicos -, a ações de advocacy empreendidas por agentes da sociedade civil ou para apoio ao desenvolvimento institucional de organizações da sociedade civil (OSCs), acadêmicas, culturais e outras. 

Para que uma prática seja considerada grantmaking, é preciso observar alguns critérios. O principal deles é o repasse de recursos financeiros, de forma estruturada, para terceiros, ou seja, organizações ou iniciativas de interesse público, diferenciando-se, assim, da operacionalização de projetos próprios, além do fato de ser diferente de estratégias como apoio por meio de recursos não-financeiros ou de empréstimos e outras formas de repasse de recursos que prevejam sua devolução posteriormente.

Dentro desse universo, que reúne uma multiplicidade de atores, existem dois tipos principais. De um lado, estão os grantmakers – organizações filantrópicas e investidores sociais privados, como institutos e fundações empresariais, familiares ou independentes; empresas; indivíduos e famílias de alta renda; family offices; e fundos ou organizações gestoras de fundos – que adotam o grantmaking como estratégia central em sua atuação.

Do outro, estão os grantees: organizações ou indivíduos que trabalham em prol do interesse público por meio de iniciativas, projetos ou programas sociais, ambientais, culturais ou científicos.

Ao apoiar o fomento e a qualificação das práticas de doação e grantmaking no investimento social brasileiro por meio de uma plataforma online como o GrantLab, o GIFE busca contribuir para o desenvolvimento e a sustentabilidade de organizações e iniciativas da sociedade civil que criam soluções para os desafios sociais, políticos, ambientais, econômicos e de saúde pública, que têm se mostrado ainda mais complexos nesse momento de pandemia.

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