Conheça algumas das ações que têm sido realizadas pelo ISP para apoiar o sistema de saúde no Brasil

O total de pessoas infectadas pela Covid-19 no Brasil já ultrapassa 135 mil, com mais de 10 mil mortes confirmadas em pouco menos de dois meses desde o primeiro óbito. O ritmo de disseminação da doença levou à ocupação de mais de 80% dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Estados como Ceará, Pernambuco e Amazonas vêem seus sistemas de saúde à beira do colapso. 

A saúde é certamente a área mais afetada, com desafios que vão de falta de infraestrutura e equipamentos a escassez de profissionais e de condições adequadas para garantir a segurança do trabalho.

Levando em conta esse cenário, o tema é um dos eixos prioritários da Emergência Covid-19 – Coordenação de ações da filantropia e do investimento social em resposta à crise. Uma iniciativa do GIFE junto a associados e parceiros, a ação tem como objetivo facilitar e coordenar a atuação da filantropia e do investimento social privado (ISP) para responder à situação de emergência vivida no país.

Além da elaboração de um documento que reúne diretrizes para a atuação do setor, um grupo de trabalho composto por representantes de fundações, institutos, empresas e outros investidores sociais tem se reunido para mapear e debater as ações possíveis para o enfrentamento da pandemia.

Já foram mapeadas mais de 50 iniciativas e 130 fundos e campanhas de emergência promovidas e/ou fortalecidas pelo setor. Com base nesse mapeamento, o GIFE identificou os principais eixos de atuação dos investidores, que se dividem entre trilhas imediatas e de médio e longo prazo para responder aos impactos da crise em áreas e públicos diversos.

Saúde

Parte do investimento social privado brasileiro tem direcionado esforços a: 1) Mobilização coletiva para prevenção da disseminação da Covid-19; 2) Apoio aos serviços e profissionais de saúde para a ação em face da pandemia; e 3) Promoção e suporte a ações de proteção da saúde de grupos vulneráveis.

As iniciativas englobam ações de comunicação e conscientização; disponibilização de máscaras, álcool em gel e itens de higiene; apoio à aquisição de respiradores mecânicos e expansão de leitos; colaboração com órgãos de vigilância e gestão epidemiológica; melhoria das condições de trabalho e apoio à saúde mental e às famílias dos profissionais do sistema de saúde; suporte a ações de proteção da saúde de grupos mais vulneráveis (povos indígenas e comunidades tradicionais, migrantes e refugiados, populações de rua, etc.), entre outras.

Uma dessas iniciativas é o Movimento Bem Maior, uma articulação que congrega filantropos e investidores com o objetivo de estimular a cultura de doação entre os milionários brasileiros.

Carola Matarazzo, diretora executiva do Movimento, explica que frente ao atual cenário de incertezas, a rede tem buscado escutar as demandas das populações mais vulneráveis e se articulado para co-construir soluções.

Fundo de emergência

Junto com Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e Bsocial e com apoio e parceria de outras lideranças do movimento pela cultura de doação no Brasil – como o GIFE -, o Movimento Bem Maior idealizou o Fundo Emergencial para a Saúde – Coronavírus Brasil, cujo objetivo é fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) por meio da arrecadação junto à comunidade filantrópica e à sociedade em geral para ajudar hospitais beneficentes e instituições da área da ciência e tecnologia que estão na linha de frente do combate ao coronavírus: Fiocruz, Hospital das Clínicas de São Paulo, Santa Casa de São Paulo e Comunitas (organização que está comprando respiradores a serem doados para os hospitais do SUS). Mais de dez milhões de reais já foram arrecadados. A meta é chegar a R$ 40 milhões de reais.

O Movimento também tem apoiado iniciativas como Dias Melhores – movimento organizado por um grupo de mulheres e empresários locais para arrecadação de fundos que serão usados na compra de EPIs para a rede pública de saúde de Minas Gerais – e Quem tem fome, tem pressa, da Ação da Cidadania – que já arrecadou mais de 10 milhões de reais revertidos em mais de duas toneladas de alimentos e itens de higiene para comunidades vulneráveis em mais de 20 estados do país. O Movimento realizou ainda o Festival online Ao Vivo Pela Vida, para arrecadar recursos tanto para o Fundo Emergencial Para a Saúde, quanto para a Ação da Cidadania.

Para a diretora, a troca com outros atores que atuam pelo bem comum é essencial para fortalecer o impacto dessa atuação. “Esses encontros geram sinergias e alinhamento, fazendo possível orquestrar uma sinfonia de ações que ecoem numa mesma direção, evitando concorrências desnecessárias ou gaps em estratégias mais complexas. Essa articulação será essencial para criarmos uma onda maior do que a soma de nossas individualidades.”

Apoio aos estados

Outra iniciativa do ISP que tem direcionado esforços para apoio à rede pública de saúde é a Comunitas. A organização, que possui ampla experiência em parcerias público-privadas em virtude de sua atuação junto a governos estaduais e municipais, conseguiu arrecadar cerca de 30 milhões de reais para a compra de equipamentos de saúde para UTIs do estado de São Paulo, sendo 266 respiradores pulmonares, 208 monitores multiparâmetros e 11 centrais de monitoração.

“O governo se prontificou a investir em toda a estrutura necessária para o acolhimento dos aparelhos e a lista de hospitais priorizados para recebimento dos itens foi determinada também pela gestão pública”, explica Patricia Loyola, diretora de gestão e investimento social da Comunitas.

Além do apoio à saúde pública paulista, a organização também mobilizou recursos para apoiar a alimentação de aproximadamente 113 mil alunos em situação de extrema pobreza da rede pública de ensino do estado de São Paulo. A iniciativa está sendo desenvolvida também junto ao governo de Minas Gerais.

“Estamos desenvolvendo ainda um projeto que busca propor caminhos mais ágeis e assertivos para apoiar a reestruturação socioeconômica dos estados. Até o momento a iniciativa está sendo implementada no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais”, conta a diretora.

O futuro

Essas e outras organizações e iniciativas do setor têm no horizonte as próximas fases da crise.

Para Carola, a pandemia deixou ainda mais evidente a fragilidade do sistema econômico e social do país, um cenário no qual, tanto o ISP, quanto os setores público e privado ganham um papel ainda mais estratégico e relevante.

“As pessoas vão exigir maior responsabilidade social, entendendo que o desenvolvimento de uma sociedade mais igualitária é algo que melhora a vida não só de quem é mais vulnerável, mas da sociedade como um todo. Queremos ver uma mudança de mentalidade, com o fortalecimento da empatia e da generosidade, o florescimento de uma nova cultura de colaboração. E isso se dará por meio do exemplo e da prática”, observa.

Patricia, por sua vez, acredita que o horizonte traz desafios ainda maiores. “Será fundamental o compromisso de todos para superarmos e avançarmos social e economicamente.”

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