Da Mostra ao Congresso: fronteiras e inovação no campo do investimento social privado

 

Após a 1ª Mostra GIFE de Inovação Social, é hora de se preparar para o 11º Congresso GIFE. Celebrando os 25 anos da instituição, o evento pretende pautar debates sobre o campo da filantropia e do investimento social privado a partir do tema “Fronteiras da Ação Coletiva” entre os dias 20 e 22 de maio de 2020, em São Paulo.

O percurso que vai da Mostra ao Congresso foi intencionalmente pensado como um trilho focado em inovação. No caso da Mostra, iluminando contribuições e iniciativas que viraram realidade graças ao apoio da filantropia e do investimento social privado (ISP) e que se somam ao repertório coletivo de soluções para os mais variados temas da agenda pública. Já o Congresso se pretende constituir como espaço para olhar para dentro e aprofundar o debate sobre a capacidade de ação e inovação do setor frente às novas fronteiras.

Para José Marcelo Zacchi, secretário-geral do GIFE, o Congresso é realizado em um contexto que dialoga com um campo bastante consolidado – que amadureceu ao longo dos últimos 30 anos, com ampliação de recursos, frentes e atores – e, ao mesmo tempo, lida com novos limites e desafios.

“Nos encontramos em um momento de muita erosão e desgaste da história pública brasileira, que aponta para a necessidade de novas respostas e agendas positivas. Na educação, por exemplo, como avançamos do acesso à permanência e, sobretudo, à qualidade do sistema público? Como avançar na eficiência do SUS [Sistema Único de Saúde] que construímos nos últimos 30 anos com mais recursos e novas tecnologias? Como ajudamos a pautar novos caminhos para a redução das desigualdades, inclusão produtiva e sustentabilidade ambiental? Como impedir a erosão da democracia e fortalecer novos mecanismos de participação e controle das instituições públicas? Deste ponto em que estamos, o que nos falta, quais são as fronteiras para que possamos produzir novas respostas? Nesse primeiro quarto de século de caminhada, queremos realizar um congresso que, de um lado, nos posicione em relação aos acúmulos desse percurso, e de outro, nos provoque a discutir as fronteiras do setor e do país no horizonte dos próximos 25 anos.”

Durante a Mostra, além das mais de 1.300 pessoas que visitaram o espaço expositivo entre os dias 10 e 17 de setembro, no Centro Cultural São Paulo, mais de 300 pessoas participaram de encontros de fazedores, oficinas de cocriação, rodas de ideias, panoramas e conversas. A ideia é que os resultados e produtos gerados a partir dessas reflexões coletivas sejam o pontapé inicial para os debates do Congresso.

“A Mostra é uma fotografia do que o setor apoia na ponta. Já o Congresso vai olhar para como podemos evoluir enquanto campo. A ideia é falar de inovação entendida em sua maneira mais ampla, dialogando com a ideia de fronteiras”, explica Erika Saez Sanchez, colaboradora e coordenadora geral do 11º Congresso GIFE.

Outro ponto de partida para o Congresso é a próxima edição do Censo GIFE, que será lançada ainda este ano. A pesquisa bianual, considerada uma das principais sobre o setor no Brasil, aborda uma grande variedade de temas e fornece um panorama sobre estrutura, formas de atuação e estratégias das empresas e dos institutos e fundações empresariais, familiares, independentes e comunitários que destinam recursos privados para projetos de finalidade pública, fomentando o aprimoramento da atuação das instituições e apontando caminhos para o fortalecimento do campo no Brasil.

Uma das novidades da próxima edição é o mapeamento de dois temas que estarão bastante presentes no próximo Congresso GIFE: inovação e colaboração. “Através do Censo, entenderemos melhor como os institutos, fundações e empresas investidoras sociais estão incorporando aspectos relacionados à colaboração e à inovação em seus projetos e estratégias de atuação”, explica Erika.

“Tanto o lançamento de um novo Censo GIFE, quanto o 11º Congresso, de lugares diferentes, são marcos no sentido de nos ajudar como campo a entender como e para onde estamos caminhando, uma reflexão que no Congresso tende a ganhar uma dimensão grande, já que lá estaremos todos com o intuito de olhar para o que estamos fazendo, o que precisamos fazer melhor e por onde queremos seguir”, observa Erika.

José Marcelo explica que a conexão com o tema da inovação passa pelo ambiente das novas tecnologias e pelo conceito atual de inovação no país e no mundo, que dialoga com temas como uso de dados, ferramentas digitais e mídias sociais, mas não só. “Também passa pela ideia de pensarmos a inovação dos modos de atuação do setor em suas várias frentes como mobilização de recursos, governança, advocacy e outras, além do próprio apoio e fomento à inovação social de forma mais densa na sociedade.”

Filantropia colaborativa e fronteiras do ISP

Dois infográficos, produtos da 1a Mostra GIFE de Inovação Social, foram gerados a partir das rodas de ideias sobre filantropia colaborativa e fronteiras do investimento social que fecharam a programação do evento. A síntese dessas atividades, compilada nos painéis gráficos, será o ponto de partida para uma publicação sobre filantropia colaborativa que será lançada no Congresso e também para o processo de construção da programação do 11º Congresso GIFE.

Ambas as rodas foram conduzidas por uma metodologia bastante lúdica, que convidava os participantes para um ‘passeio de bonde’. A ideia era que as pessoas se dividissem em grupos temáticos (bondes) para um debate centrado nos desafios e oportunidades do setor naquele tema. Os participantes podiam escolher trocar de ‘bonde’ ou ‘destino’ a qualquer momento. Ao final da ‘viagem’, as pessoas eram convidadas a completar a frase “Eu me lembro que esse bonde…”, a fim de compartilhar o que mais lhe chamara atenção e os aprendizados durante o ‘trajeto’.

Segundo Erika, as duas atividades foram pensadas como um aquecimento e uma oportunidade para iniciar o desenho do próximo Congresso. “Tanto a questão da colaboração, quanto a reflexão sobre quais são as fronteiras do ISP, pensando em inovação, são discussões necessárias que precisamos fazer como setor”, observa.

Produtos da Mostra

Quem não conseguiu participar ao vivo da 1ª Mostra GIFE de Inovação Social pode conferir um resumo do que aconteceu por lá acessando os produtos da iniciativa.

Além dos painéis gráficos gerados pelas rodas de ideias, é possível conferir o vídeo manifesto da Mostra, que apresenta a ideia por trás da iniciativa. Também podem ser conferidos em vídeo os Panoramas sobre empreendedorismo social no Brasil e tecnologias para o bem público, que fizeram parte da programação.

As sínteses dos encontros de fazedores trazem o registro dos desafios, inovações e fronteiras levantadas no âmbito do conhecimento e inserção cidadã, do ambiente e sustentabilidade e da equidade e diversidade.

Por fim, a conversa de inovação oportunizou um bate papo em formato de entrevista coletiva com a presidente dos conselhos da Fundação Tide Setubal e do GIFE, Neca Setubal, e com a escritora e jornalista Bianca Santana, autora do livro Quando me descobri negra. O debate abordou temas como racismo, comunicação e ciência.

No site da Mostra é possível conferir todos os produtos, bem como conhecer os projetos que compuseram a exposição.

Esquenta pré-Congresso

Com o intuito de ‘aquecer os motores’ para seu 11o Congresso, o GIFE está incentivando a itinerância da Mostra. A proposta é que grupos e instituições organizem em suas localidades espaços colaborativos e horizontais de reflexão sobre os mais variados temas que podem ser considerados fronteiras do investimento social privado.

Para isso, o GIFE está preparando um guia com as metodologias utilizadas nas atividades da Mostra, onde será possível acessar o passo a passo para a realização de rodas de ideias, oficinas de cocriação, panoramas e encontros de fazedores. A instituição também está à disposição para apoiar a realização das atividades. É possível obter informações sobre como levar a Mostra para outras localidades no site da iniciativa.

“Queremos começar o 11º Congresso GIFE conversando sobre inovação e fronteiras nos quatro cantos do Brasil”, afirma Erika.

Para construir a programação do evento, o GIFE lançou ainda uma pesquisa online a fim de coletar ideias e reflexões sobre inovação e as fronteiras do setor. O questionário ficará aberto até 31 de outubro e pode ser acessado aqui.

“A ideia é estimular o setor a refletir conosco nos próximos meses de modo que o Congresso seja o lugar onde desaguarão esses acúmulos todos”, afirma José Marcelo.

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