Educação de qualidade beneficia economia e reduz homicídios, mostra novo indicador

Por: GIFE| Notícias| 18/04/2022
educação de qualidade

Brasília - Incluída no rodízio de abastecimento do DF, a Universidade de Brasília (UnB) está tomando medidas para reduzir o consumo de água, a instituição chegou a adiar o início das aulas no principal campus da instituição em função do racionamento (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

São diversos os estudos, publicações e pensadores do mundo afora que mostram o poder transformador da educação. Se une a esse coro a recém-lançada pesquisa Um novo índice de qualidade da educação básica e seus efeitos sobre os homicídios, educação e emprego dos jovens brasileiros, desenvolvida por Naercio Menezes, professor da Cátedra Ruth Cardoso do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e Luciano Salomão, mestrando da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).

Fruto de uma parceria entre o Insper e o Instituto Natura, Luciano e Naercio desenvolveram um novo indicador de qualidade da educação básica baseado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e  no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para medir o quanto cada município evoluiu em termos de progressão e aprendizado dos jovens no seu sistema escolar. O artigo analisou desde o ingresso do aluno no primeiro ano do ensino fundamental até o fim do ensino médio. 

O indicador IDEB-Enem, nome provisório, conta com a abordagem de dois elementos: a porcentagem de alunos matriculados no primeiro ano do ensino fundamental aos seis ou sete anos de idade, que completam o ensino médio em dez anos e fazem o Enem aos 17 ou 18 anos. Por fim, se soma a esses indicadores a nota média que esses estudantes obtiveram no exame.

Segundo o estudo, o aumento de um ponto no IDEB-Enem está associado com uma diminuição de 25% nos homicídios, uma elevação de 14% nas matrículas no ensino superior e de 200% na geração de empregos entre os jovens. 

Para realizar essa análise, os especialistas se debruçaram sobre os dados entre os anos 2009 e 2014 e a variação dos indicadores de violência, ensino superior e emprego no período subsequente, entre 2014 e 2019.

“A ideia de desenvolver esse estudo surgiu porque muitas pessoas falavam do potencial de melhoria da educação, mas a longo prazo. E com essa pesquisa mostramos o impacto da educação a curto e médio prazo, por meio de indicadores que estão presentes em todos os municípios brasileiros. Com isso, podemos ver realmente o quanto a educação muda a vida dos jovens”, explica Naercio.  

Outros resultados

Os municípios que mais melhoraram no indicador apresentaram maior redução no número de homicídios entre os jovens, aumento nas matrículas do ensino superior e na geração de empregos para a juventude no período subsequente.

As análises descritivas mostram que a proporção de jovens que fizeram o Enem aumentou entre 2009 e 2016, mas depois reduziu até 2019. As notas médias no Enem declinaram entre 2009 e 2014 e depois se estabilizaram. O novo índice de qualidade da educação básica aumentou entre 2009 e 2014 em todas as regiões do Brasil, mas especialmente nos estados do Ceará e Rio de Janeiro. 

O artigo traz como exemplo os dois estados por estarem, ano após ano, entre os mais violentos do país. No ano de 2014, que integra o recorte de análise dos especialistas, o Brasil atingiu o seu ápice na taxa de homicídios, foram quase 60 mil mortos, conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Ao melhorar a qualidade da educação ao longo do ensino básico de um município (medida pela variação do IDEB-Enem), aumentam-se as perspectivas e oportunidades para os jovens, principalmente aos mais pobres, o que reduz o número médio de homicídios nessa faixa etária em 0.30, conclui o estudo.

Ao se deparar com resultados como esses, a pesquisa contribui para a elaboração ou aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas para a área educacional. “É muito importante sabermos o quanto a educação consegue impactar positivamente a vida das pessoas. São dados que podem ajudar no trabalho dos gestores municipais”, acrescenta o professor do Insper.

Atualmente, Luciano e Naercio têm trabalhado para que essas informações cheguem, por exemplo, até os secretários municipais  e estaduais de educação.

Acesse o artigo na íntegra neste link.


Apoio institucional