Série Emergência Covid-19: estudos analisam as respostas do investimento social e da filantropia frente à pandemia

O movimento de cooperação que marcou o país desde a chegada da pandemia ao Brasil ganhou ainda mais força com a criação de espaços voltados a coordenar, otimizar e apoiar esses esforços. É o caso da Emergência Covid-19 – Coordenação de ações da filantropia e do investimento social em resposta à crise. Uma realização do GIFE, a iniciativa se tornou, além de um ambiente de articulação e colaboração entre as organizações, uma plataforma que reúne e sistematiza informações e conhecimento sobre a atuação da filantropia e do investimento social em resposta à crise. 

Ao longo de 2020, o projeto coordenou uma série de pesquisas a fim de coletar evidências relacionadas aos modos de ação e a temas relevantes para o desenvolvimento do setor.

Os estudos partiram dos dados do Censo GIFE 2018 e também do Monitor das Doações Covid-19, plataforma criada pela Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), e têm como objetivo fomentar avaliações e reflexões sobre as ações da filantropia, do investimento social privado e da sociedade civil em relação à pandemia no Brasil.

“Nós fizemos uma pesquisa com as organizações do campo que resultou em um mapa temático. Uma parte desses temas foi abordada pelo quarto volume da série Temas do Investimento Social Privado e outra parte resultou nas cinco publicações da série Estudos Emergência Covid-19”, explica Erika Sanchez Saez, coordenadora das pesquisas.

Conheça os cinco estudos a seguir. Nas próximas edições, o redeGIFE trará uma série de reportagens a fim de aprofundar o conhecimento e os aprendizados reunidos em cada um deles.

Doações

O que a pandemia nos contou sobre doar aponta os caminhos percorridos pela cultura de doação brasileira a partir da situação de emergência e seus impactos.

Para Erika, há uma ausência de coordenação por parte do poder público. “A atuação do terceiro setor ganhou um protagonismo muito grande porque a sociedade civil consegue chegar na ponta mais rápido com o apoio da filantropia e do investimento social.”

Historicamente, no mundo todo, quando existe uma situação de emergência, como uma guerra ou um desastre ambiental, surge um pico de mobilização de recursos e, com a pandemia, não foi diferente.

A coordenadora observa que no caso da Covid-19, a emergência veio em um momento em que as empresas estão sendo muito cobradas em relação a suas práticas sociais, ambientais e de governança, que compõem o tripé do ESG, o que tem entrado cada vez mais como critério no campo dos investimentos.

“A pandemia tem feito com que a filantropia e o investimento social privado brasileiros revejam muitas das suas práticas.”

O número de empresas que doaram e se envolveram na resposta à emergência foi recorde. Esse é um dos apontamentos feitos pelo artigo Filantropia corporativa no Brasil: uma análise das doações empresariais em meio à pandemia da Covid-19, que analisou os padrões das doações empresariais e seus impactos dentro das próprias organizações filantrópicas.

“85% das doações realizadas em 2020 vieram de empresas. Então, de fato, houve um protagonismo muito grande do setor privado na mobilização dos recursos”, observa Erika.

Com o objetivo de investigar o destino das doações que ocorreram no Brasil de março a outubro de 2020, e estudo A Covid-19 e o registro de doações corporativas para OSC no Brasil: um raio-X durante a pandemia em 2020 traz detalhes sobre os registros do Monitor das Doações Covid-19.

Cooperação

Outro conteúdo realizado no âmbito da iniciativa Emergência Covid-19, do GIFE, foi Uso de dados no setor social: aprendizados na pandemia e caminhos para a interoperabilidade. O artigo colheu dados e analisou as principais características e desafios do setor durante a pandemia. Para Erika, a disponibilidade desses dados facilita a cooperação entre as organizações do setor.

O papel da sociedade civil na Emergência Covid-19

O artigo O papel e o protagonismo da sociedade civil no enfrentamento da pandemia da Covid-19 no Brasil traça um panorama da atuação das organizações da sociedade civil (OSCs) e da filantropia brasileira a fim de compreender tendências frente à crise da Covid-19, que foram essenciais no enfrentamento à necropolítica e ao negacionismo.

Para a coordenadora, a pandemia acelerou processos. “As OSCs ganharam muita visibilidade e demandaram respostas e mudanças de comportamento no fazer filantrópico. Temas que antes estavam na pauta, mas não como prioritários, se tornaram questões centrais.”

Além de doar para ações específicas, Erika acredita que o ISP deve contribuir para o fortalecimento institucional das organizações da sociedade civil. “Na pandemia, elas foram as grandes protagonistas. No entanto, estão muito enfraquecidas, pois o dinheiro investido passou por elas, mas não permaneceu. Os recursos foram totalmente dirigidos para a ação final.”

A importância de um poder público mais presente é fundamental, observa a coordenadora. “O ISP precisa se envolver mais no fortalecimento da democracia brasileira. Por mais doação de alimentos que se possa fazer, o auxílio emergencial é algo determinante e que muda a realidade das pessoas.”

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