Especial redeGIFE: A superação do dilema entre ambiental e socioeconômico é a chave para o desenvolvimento sustentável da Amazônia

“Será que entre a Amazônia idílica e a destruída não pode existir uma outra Amazônia? Uma Amazônia possível de quem sabe que potência natural e potência econômica não são excludentes, mas interdependentes. Que repudia qualquer atividade predatória e ilegal acima de tudo e sabe que manter a dignidade dos povos da Amazônia é inegociável. Vamos entender que enfrentar a crise climática e reduzir a desigualdade social fazem parte de uma mesma agenda.”

A reflexão acima é oriunda de trechos da locução do vídeo de abertura da plataforma Amazônia Possível, uma iniciativa do setor empresarial brasileiro para a construção de propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. A plataforma reúne uma variedade de dados e indicadores que tecem o atual panorama da região.

O Brasil é o 6º maior emissor de gases de efeito estufa, sendo 92% de suas emissões provenientes do desmatamento. Entre 1985 e 2017, o país perdeu 71 milhões de hectares de florestas nativas, 40,8 milhões só na Amazônia.

Entre 2005 e 2012, o governo brasileiro conseguiu reduzir o desmatamento em 70%, sendo observado o menor índice desde 1988. Desde então, o desmatamento está em tendência de alta. De julho de 2019 a agosto deste ano, cresceu 34% na comparação com o mesmo período anterior. Atualmente, mais de 90% do desmatamento no país é ilegal.

Os dados, provenientes de instituições científicas e bases oficiais como Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), MapBiomas (mapeamento anual da cobertura e uso do solo do Brasil) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), revelam apenas uma face da situação de emergência que acomete a região há anos. A própria plataforma Amazônia Possível, assim como muitas outras iniciativas, atores e especialistas no assunto, alertam que tão preocupante e urgente quanto os indicadores ambientais são os indicadores sociais e econômicos.

Amazônia Legal

A Amazônia Legal foi instituída pela Lei 1.806, de 06/01/1953, com o objetivo de definir a delimitação geopolítica com fins de aplicação de políticas de soberania territorial e econômica para a promoção de seu desenvolvimento.

Os limites da Amazônia Legal foram se estendendo em função da área de atuação da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Hoje, ela ocupa mais de cinco milhões de quilômetros quadrados, o que corresponde a cerca de 59% do território brasileiro, conforme recente divulgação da malha municipal pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nove estados compõem a Amazônia Legal: Acre (22 municípios), Amapá (16), Amazonas (62), Mato Grosso (141), Pará (144), Rondônia (52), Roraima (15), Tocantins (139) e parte do Maranhão (181, dos quais 21 foram parcialmente integrados), totalizando 772 municípios.

No mapa da Amazônia Legal constam as divisas estaduais, limites municipais e posições das sedes das cidades que constituem a base logística para o controle estratégico do território e para a exploração econômica da região.

O novo mapa também apoia análises das cidades intermediárias da Amazônia Legal, aquelas com características socioeconômicas e conexões capazes de consolidar e disseminar o desenvolvimento local e intrarregional, a partir da rede urbana amazônica, seus fluxos e conexões rodoviárias e fluviais.

Com informações da Agência de Notícias do IBGE.

CONFIRA O INFOGRÁFICO QUE O REDEGIFE PREPAROU SOBRE O TEMA

Retrato social: muito além da economia

Progresso social, segundo a organização Social Progress Imperative (SPI), é a capacidade de uma sociedade satisfazer as necessidades humanas básicas dos seus cidadãos, estabelecer os elementos essenciais para a melhoria e manutenção da qualidade de vida das pessoas e comunidades e criar as condições para que todos os indivíduos atinjam pleno potencial.

Para além das consequências à saúde pública local, o desmatamento da Amazônia está intimamente ligado a aspectos econômicos e sociais, o que gera um cenário de emergência em áreas como saúde, educação, trabalho, esgotamento sanitário, entre outros.

O Índice de Progresso Social (IPS) na Amazônia Brasileira, lançado em 2014 e atualizado em 2018, apresenta um diagnóstico da situação social nos 772 municípios que fazem parte da Amazônia Legal.

O estudo aponta uma ligeira redução do índice (56,52) em comparação ao IPS Amazônia 2014 (57,31), além de permanecer bem abaixo da média geral do IPS Brasil 2018 (67,18). Dos doze componentes do IPS Amazônia, houve piora em cinco entre 2014 e 2018 (qualidade do meio ambiente, saúde e bem-estar, segurança pessoal, tolerância e inclusão e direitos individuais).

Em geral, a região enfrenta vários desafios sociais e ambientais, incluindo o agravamento da segurança pública, a precariedade no saneamento básico e acesso à água tratada, a deficiência na educação superior, a pouca garantia de direitos individuais, além da emergência ocasionada pelo aumento do desmatamento.

“Apesar de toda a riqueza natural da Amazônia, sua população, composta por cerca de 27,5 milhões de pessoas (IBGE, 2018), convive com uma baixa qualidade de vida, expressa em indicadores sociais e econômicos inferiores ao restante do Brasil. Isso porque o modelo de desenvolvimento da região tem sido marcado pelo uso predatório dos recursos naturais, desmatamento ilegal, conflitos sociais e subdesenvolvimento econômico. Além disso, a Amazônia sofre com uma presença insuficiente de serviços públicos, principalmente na zona rural, e uma infraestrutura precária.” (IPS Amazônia 2018)

Índice de Progresso Social

Até recentemente, o sucesso de uma sociedade era medido somente por meio de índices como o Produto Interno Bruto (PIB) e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que são amplamente influenciados pelo desenvolvimento econômico e não medem a qualidade de vida, a saúde e o bem-estar da população.

O IPS foi idealizado a partir do momento em que se compreendeu que medidas de desenvolvimento baseadas apenas em variáveis econômicas são insuficientes, já que crescimento econômico sem progresso social resulta em exclusão, descontentamento social, conflitos sociais e degradação ambiental.

Criado em 2013 pela Social Progress Imperative (SPI) com o apoio de diversos estudiosos e especialistas mundiais em políticas públicas, o IPS mede de forma holística e robusta o desempenho social e ambiental das nações, independente do desenvolvimento econômico.

O IPS Amazônia foi a primeira iniciativa subnacional (escala de estados e municípios) realizada no mundo. O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) desenvolveu um método original de adaptação do IPS da escala global (países) para a escala subnacional, que tem sido replicado por União Europeia, Estados Unidos, países da América Central, Ásia e África.  

A estrutura do índice global em 2018 integrou 51 indicadores sociais e ambientais em 12 componentes e três dimensões (Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos para o Bem-Estar e Oportunidades). Para isso, são utilizados dados públicos disponíveis na internet por instituições governamentais ou da sociedade civil organizada.

Povos amazônicos ameaçados

“Uma das prioridades é o Brasil entender melhor a Amazônia, a nacionalização da Amazônia, ‘amazonizar’ o país, principalmente no eixo Rio-São Paulo. Para isso, é necessária uma escuta maior do povo amazônico, precisa estar aqui para entender a Amazônia. Ouvir um saber de alguém da comunidade é uma aula.” (Caetano Scannavino, diretor da ONG Saúde e Alegria, durante atividade do trilho do 11º Congresso GIFE)

O panorama das principais ameaças aos povos indígenas da Amazônia inclui assassinatos e perseguições a lideranças, invasão de terras por garimpeiros e madeireiros ilegais e outras situações em que as populações indígenas se vêem acuadas pelo agronegócio.

O líder indígena Kleber Karipuna, assessor da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), ressalta que essas violações não pararam no contexto de pandemia.

Há mais de 30 anos, a Coiab aglutina organizações indígenas de base que atuam na Amazônia Brasileira. Sua rede abrange nove estados, numa região onde vivem cerca de 60% da população indígena do país.

Segundo dados sistematizados pela Coiab e pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia  (Ipam), a taxa de mortalidade pela Covid-19 (número de mortos a cada 100 mil habitantes) entre indígenas na região é superior à média nacional.

Em agosto, uma ação movida pela Apib resultou na determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de que o governo implemente medidas de combate à pandemia entre povos indígenas. Foi a primeira vez que uma ação encabeçada por uma organização indígena foi aceita pelo Tribunal. 

Um estudo encomendado pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM), que cruzou dados da Fundação Nacional do Índio (Funai), Agência Nacional de Mineração (ANM) e IBGE, mostra que, das 379 terras indígenas homologadas e localizadas na Amazônia Legal, 190 são alvo de algum tipo de processo minerário. Ao todo, 4.050 processos tramitam na ANM que incidem sobre terras indígenas já homologadas.

O interesse em relação à mineração na Amazônia voltou à tona no início deste ano, quando o presidente Jair Bolsonaro enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que regulamenta a exploração mineral em terras indígenas, alvo de críticas por lideranças indígenas e ambientalistas.

Desde 1988, a legislação proíbe que órgãos do governo concedam autorizações para pesquisa ou exploração mineral em terras indígenas. A Constituição Federal prevê a atividade mineral em áreas indígenas desde que regulamentada por lei, o que ainda não aconteceu.

A Amazônia precisa ser conhecida e reconhecida

“A Amazônia, ainda sob o aspecto estritamente físico, conhecemo-la aos fragmentos. Mais de um século de perseverantes pesquisas e uma inestimável literatura, de numerosas monografias, mostram-no-la sob incontáveis aspectos parcelados. (...) A inteligência humana não suportaria, de improviso, o peso daquela realidade portentosa”. (Um Paraíso Perdido, Euclides da Cunha, 1909)

Para José Marcelo Zacchi, secretário-geral do GIFE, assumir a responsabilidade e o compromisso, como sociedade brasileira, para pensar a Amazônia como parte integral da vida nacional, é um passo fundamental para a construção de soluções e caminhos para o desenvolvimento social e econômico justo e sustentável da região e de sua população.

“Vivemos um paradoxo. Historicamente, nós encontramos uma maior sensibilização e aporte financeiro no âmbito internacional do que no âmbito da sociedade brasileira não amazônica. Esse paradoxo é um desafio histórico no Brasil.”
José Marcelo Zacchi
secretário-geral do GIFE

Tatiana Schor, da Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) do estado do Amazonas, avalia que os desafios vividos na região exigem intervenções de curto, médio e longo prazo, mas que precisam acontecer de forma concomitante.

Para além dos desafios ambientais, sobretudo no que se refere ao aumento do desmatamento e às questões ligadas ao povos indígenas, a secretária pontua as desigualdades sociais como um ponto de absoluta centralidade.

“Muito tem se falado sobre Bioeconomia [atividades econômicas que envolvem o uso dos recursos naturais de forma sustentável], mas esse conceito precisa embutir também a questão das desigualdades territoriais e sociais. Os piores IDHMs [Índices de Desenvolvimento Humano Municipais] do Brasil estão nos estados amazônicos há décadas, assim como estes também são os piores em acesso a energia e conectividade, e não por falta de tecnologia para romper as barreiras, mas muito mais por uma questão de falta de financiamento e não priorização dessas agendas na região.”
Tatiana Schor
Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) do estado do Amazonas

Para Tatiana, outro ponto de atenção está na necessidade de investimentos em ciência, tecnologia e inovação. “Países que investem na área têm demonstrado maior capacidade para alavancar outras agendas estruturais”, observa.

Segundo dados sistematizados pela Coiab e pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia  (Ipam), a taxa de mortalidade pela Covid-19 (número de mortos a cada 100 mil habitantes) entre indígenas na região é superior à média nacional.

Foto: IDESAM

ISP na Amazônia

Um recorte da última edição do Censo GIFE revela como se dá, atualmente, a atuação do investimento social privado (ISP) no tema. Confira alguns destaques.

29% do setor atua na Amazônia Legal. A maior prevalência está nos estados do Pará (50%), Amazonas (42%), Maranhão (34%) e Mato Grosso (32%).

13% dos projetos mapeados são desenvolvidos na região. Desses, 16% foram apontados como projetos prioritários.

Educação é a principal área temática de atuação do setor também na região amazônica (41%), com ainda maior prevalência que a atuação nacional no tema (36%).

Entre as subáreas de atuação, destacam-se conhecimento tradicional, educação quilombola e educação indígenas, todas com percentuais maiores na região em comparação com a atuação do setor nacionalmente.

Em se tratando de populações negras e indígenas, os resultados não diferem entre a atuação nacional e na região. Já a atuação em agendas como biomas específicos e áreas de preservação ambiental cresce de 4% (em ambas), nacionalmente, para 9% e 8%, respectivamente, na região.

97% dos projetos ou programas do ISP nos estados da Amazônia Legal são desenvolvidos em parceria, principalmente, com organizações da sociedade civil (OSCs) locais.

Caminhos para a atuação do ISP na região

Dada a importância da ação coletiva e o papel que historicamente o investimento social privado tem desempenhado na contribuição e atuação em agendas públicas do país, o GIFE tem se perguntado como aprofundar a presença do setor na região, tendo em vista tanto a conservação ambiental, quanto o desenvolvimento inclusivo e sustentável da Amazônia Brasileira.

A questão foi o ponto de partida de um painel realizado no início do mês (04/09) como parte do trilho de atividades que compõe o 11º Congresso GIFE. Reunindo vozes de segmentos diversos da região, o debate combinou a escuta de múltiplas perspectivas nessa direção, marcando também o início do ciclo de trabalho da iniciativa O que o Investimento Social pode fazer pela Amazônia, que buscará mapear e sintetizar diretrizes para a atuação reforçada dos atores filantrópicos na agenda.

Um dos expositores da atividade, Caetano Scannavino, diretor da Ong Saúde e Alegria, contribuiu com alguns dados da região no sentido de oferecer um panorama dos desafios.

“Menos de 20% dos municípios têm esgotamento sanitário. A maior bacia hidrográfica de água doce e uma população ribeirinha que vive de estresse hídrico. A maior causa de mortalidade infantil na Amazônia é a água contaminada dos rios. Mortalidade indígena é 50% maior que a média do país. As maiores taxas de mortalidade por 100 mil habitantes predominam em municípios da região Norte”, explicou.

Para o ativista, é necessário pensar a região do ponto de vista urbano, não somente a partir da floresta.

“A Amazônia é diversa e é uma região habitada. Se o Brasil é 80% urbano, a Amazônia é mais de 70%. A Covid escancarou os desafios sociais da Amazônia, tanto que essa foi a primeira região que colapsou pelo número de casos versus a infraestrutura de saúde pública dos municípios”, observa.

José Marcelo ressalta a necessidade de reconhecer o amplo leque de possibilidades de atuação para os diferentes desafios e demandas da região.

“Pensar a conservação, em manter a floresta em pé, na proteção dos povos indígenas e comunidades tradicionais é fundamental e precisa ser objeto dos esforços, mas não define toda a agenda de ação pública para a região. É preciso pensar também nas perspectivas social e econômica. Há regiões ali que possuem os piores indicadores socioeconômicos do país, portanto, tanto a agenda de desenvolvimento social clássica (educação, saúde proteção social, geração de emprego e renda), quanto a agenda de desenvolvimento econômico são importantes.”
José Marcelo Zacchi
secretário-geral do GIFE

Para o secretário-geral do GIFE, isso significa dizer que para se dedicar à Amazônia, não necessariamente os investidores sociais privados precisam atuar na agenda ambiental.

“Dedicar-se à agenda produtiva, à criação de oportunidades econômicas, à educação ou à saúde é também uma forma de contribuir com o desenvolvimento da Amazônia. E é importante que essa atuação parta da interlocução com atores e comunidades locais e das iniciativas e experiências já existentes”, observa.

Ecossistema de impacto na Amazônia

O redeGIFE conversou com Mariano Cenamo, diretor de novos negócios do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam) e coordenador do Programa de Aceleração e Investimento da Plataforma Parceiros Pela Amazônia (PPA), que também participou do painel “Investimento Social pela Amazônia”.

Desafios, oportunidades e o papel da filantropia e do investimento social privado para o desenvolvimento do ecossistema de impacto na região foram alguns dos assuntos.

Para o secretário-geral do GIFE, isso significa dizer que para se dedicar à Amazônia, não necessariamente os investidores sociais privados precisam atuar na agenda ambiental.

“Dedicar-se à agenda produtiva, à criação de oportunidades econômicas, à educação ou à saúde é também uma forma de contribuir com o desenvolvimento da Amazônia. E é importante que essa atuação parta da interlocução com atores e comunidades locais e das iniciativas e experiências já existentes”, observa.

Confira a entrevista na íntegra

redeGIFE: Como o ecossistema de impacto (investidores, organizações intermediárias e negócios) têm se inserido no cenário atual de desafios da Amazônia?

Mariano: O desmatamento, um dos principais e mais urgentes desafios da região, tem origem econômica. A derrubada da floresta acontece para geração de renda e riqueza. De modo ilegal, muitas vezes desigual, mas com motivação econômica. Por isso, o problema só poderá ser combatido com a construção de um novo modelo econômico. E nesse sentido, desenvolver o ecossistema de impacto na região é fundamental.

redeGIFE: Quais são as principais demandas desses atores para o fortalecimento de ações que possam contribuir com a conservação ambiental e o desenvolvimento inclusivo e sustentável na região?

Mariano: Promover uma revolução na economia da Amazônia é uma agenda de médio/longo prazo. Precisamos de uma onda de investimentos em inovação para construir algo que não existe: cadeias de valor ou cadeias de produção estruturadas para conservação da floresta. Há pequenas iniciativas dispersas e é preciso investir em diversas dimensões, desde pesquisa e desenvolvimento nas universidades para criação de soluções para problemas estruturais que essas cadeia enfrentam, tais como logística, recursos humanos, insumos, comunicação, burocracia, informalidade, etc., até apoio, aceleração e investimento em startups em estágio inicial e novos negócios para que possam se modelar, se desenvolver, ganhar escala e, aí sim, entrar com tração de investimentos.

redeGIFE: Como o setor da filantropia e do investimento social privado têm contribuído com a atuação do ecossistema de impacto na região e como podem fortalecer ainda mais essa contribuição?

Mariano: A atuação da filantropia e do ISP ainda é tímida no setor de impacto, mais ainda na região da Amazônia. O capital filantrópico tem um papel fundamental no desenvolvimento do ecossistema. Negócios em estágio inicial ou empreendedores que nem constituíram ainda o negócio não conseguem atrair o capital privado por terem grande risco associado e nenhuma garantia de retorno. A entrada do capital filantrópico é uma maneira de reduzir esse risco, por exemplo, por meio de matchfunding [modelo de financiamento coletivo em que ocorre a participação de uma empresa ou instituição] ou custeando programas de aceleração como o da PPA. Mas, na verdade, esse investimento começa muito antes. Muitas fundações, quando investiram em ONGs lá atrás para estruturarem cadeias de valor, para fazerem análises técnicas e econômicas de determinados segmentos como açaí e cacau, sistemas agroflorestais ou manejo florestal, começaram a plantar sementes para que nascessem negócios de impacto. Portanto, a filantropia é fundamental para a estruturação dessas cadeias de valor e para o surgimento de novos negócios.

Conhecimento e prática

Confira a seguir pesquisas, estudos e publicações que podem apoiar a atuação do investimento social privado e de outros setores no tema do desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Depois, faça uma incursão por iniciativas e experiências que têm resultado da atuação e articulação do investimento social privado e da sociedade civil em torno da agenda.

Boa leitura!

Biblioteca

10 Princípios empresariais para uma Amazônia Sustentável

Guia apresenta dez princípios a serem incorporados por empresas que atuam ou planejam operar no território de maneira responsável. 

Violência Doméstica e Violência Sexual em tempos de pandemia - Redes de apoio e denúncias: Você não está sozinha!

Para reforçar o acesso à informação para o enfrentamento da violência contra a mulher na região, uma cartilha foi construída a partir do diálogo com mulheres indígenas e instituições. Nela, há informações para identificar as agressões e sobre onde procurar ajuda. Há também orientações sobre violência contra crianças e adolescentes. O projeto é fruto da parceria entre a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), o Observatório da Violência de Gênero no Amazonas, vinculado à Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e a Faculdade de Saúde Púbica da Universidade de São Paulo (USP).

O Ar é Insuportável: Os impactos das queimadas associadas ao desmatamento da Amazônia brasileira na saúde

Estudo diagnostica um problema que pode ser ainda pior este ano, devido à pandemia do novo coronavírus. O relatório, realizado por Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e Human Rights Watch, concluiu que mais de duas mil internações hospitalares por doenças respiratórias foram registradas no ano passado e todas elas foram atribuíveis às queimadas. 

O que o ISP pode fazer por mudanças climáticas?

Guia integra a série O que o ISP pode fazer por…?, cujo objetivo é incentivar a diversificação e a expansão da atuação do investimento social privado brasileiro sobre desafios da agenda pública sobre os quais a atuação do setor ainda é tímida. 

Filmes e séries

Canal Futura

Algumas produções disponíveis no acervo do canal abordam a temática e podem ser trabalhadas tanto em sala de aula como à distância durante a pandemia.

É o caso da série Guerreiros da Floresta, que mostra como os índios vivem em harmonia com a floresta e desempenham papéis relevantes para sua preservação. Ao longo de 13 capítulos, é possível ver a preparação de jovens em aldeias e sua formação universitária, a diminuição da distância entre povos usando a comunicação por rádio, como essas populações usam a floresta – inclusive para fins medicinais -, projetos de sustentabilidade desenvolvidos por mulheres, o papel das lideranças e outros assuntos. Os episódios abordam também o relacionamento dos indígenas e não-indígenas, bem como a forma com que os conhecimentos dos povos são aproveitados por empresas como o Google e também em agendas como conservação da floresta.

Por sua vez, a série Krenak retrata como vivem os únicos índios às margens do Rio Doce, em Minas Gerais, região afetada pela lama liberada do rompimento da barragem da mineradora Samarco. Ao longo de cinco capítulos, indígenas Krenak fazem uma retomada de sua história, contam como desde a chegada dos portugueses o povo foi perseguido e explorado e relatam como tem sido a sobrevivência depois de a passagem da lama afetar seu modo de vida por completo, destruindo a vegetação local e matando animais que serviam de alimento.

Fogo na Floresta

Dirigido por Tadeu Jungle e narrado pela atriz Fernanda Torres, o filme é composto por cenas em 360 graus que levam o espectador para dentro do cotidiano da comunidade indígena e apresenta uma ameaça que paira sobre os Waurá e sobre todos os povos da Amazônia: o fogo fora de controle. Manejado há milênios pelos povos indígenas na abertura de suas roças de subsistência, o fogo agora avança sobre as matas de maneira descontrolada, em razão do desmatamento do entorno do Xingu e das mudanças climáticas.

Vitrine de experiências

Aliança pela Restauração da Amazônia

Iniciativa multi-institucional focada em qualificar e ampliar a escala da restauração florestal na Amazônia brasileira. A missão desta união de parceiros é promover a integração entre diferentes ações e a cooperação entre múltiplos agentes engajados no tema, sejam ONGs, empresas, academia, governo e sociedade civil. Saiba mais.

Fórum Amazônia Sustentável

Plataforma de diálogo e colaboração intersetorial e multisetorial para conectar, catalisar e propagar iniciativas, soluções e propostas; criar uma agenda/posicionamento comum; e incidir em políticas públicas e promover o debate público de alto nível para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Participe.

Fundo de Sustentabilidade Hydro

Financia projetos que contribuam para o desenvolvimento sustentável, com linhas de investimento com base em demandas reais do território. O Fundo é mantido pelas empresas Hydro, Albras e Alunorte e possui compromisso de investimento de R$100 milhões em dez anos. Saiba mais.

Parceiros pela Amazônia

Plataforma de ação coletiva do setor privado para fomentar novos modelos de desenvolvimento sustentável na Amazônia. Seu objetivo é desenvolver e identificar soluções tangíveis e inovadoras para a conservação da biodiversidade e dos recursos naturais, assim como garantir a qualidade de vida das comunidades da região. Acesse.

Seja Legal com a Amazônia

Campanha tem como objetivo exigir medidas efetivas dos poderes públicos, como a realização de operações para combater o roubo de terras públicas e a constituição de uma força-tarefa da Justiça Federal, apoiada pelo Executivo, Legislativo e Ministério Público, com a finalidade de promover a resolução de conflitos fundiários nessas localidades. Saiba mais.

Amazônia Possível

Apoiada por Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura; Rede Brasil do Pacto Global, Sistema B, Instituto Arapyaú, Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e Ethos, a iniciativa tem como objetivo se tornar um movimento do setor empresarial brasileiro para a construção de propostas concretas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia no caminho para a COP-25 e além. Acesse.

Fórum Amazônia +21

Fórum mundial de articulação e mobilização para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Acontecerá de 4 a 6 de novembro de 2020, por meio de diferentes plataformas virtuais, em três idiomas: português, inglês e espanhol. Participe.

ISP pela Amazônia

Parte da série O que o ISP pode fazer por…?, articulação mobilizada pelo GIFE junto a Fundação Amazonas Sustentável, Fundação Avina, Fundação Ford, Instituto Arapyaú, Instituto Clima e Sociedade e Instituto Humanize tem como finalidade pautar a importância de o investimento social privado se aproximar das questões concernentes à região, além de buscar iluminar caminhos para a contribuição da filantropia brasileira para o desenvolvimento socioambiental justo, inclusivo e sustentável. Um guia será lançado na ocasião do evento presencial do 11o Congresso GIFE em março de 2021.

Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada

Consórcio de organizações da sociedade civil dos países amazônicos voltado à sustentabilidade socioambiental da região e apoiado pela cooperação internacional. A RAISG gera e divulga conhecimentos e informações socioambientais georreferenciadas, que possibilitam a visualização integral da Amazônia e das ameaças e pressões que pairam sobre ela e servem como informes de inteligência para que a Amazônia seja melhor conhecida, apreciada e cuidada. Saiba mais.

Uma Concertação pela Amazônia

Uma ampla aliança pela Amazônia está se formando entre donos e executivos de grandes empresas e bancos, pesquisadores, militares, economistas, políticos e ambientalistas. A iniciativa já reúne mais de 100 nomes interessados em entender a região e discutir como desenvolver seu potencial sem derrubar a floresta. Saiba mais em matéria do Valor Econômico.

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