Fundação BB premia sete tecnologias sociais do Brasil e América Latina

Considerando que o Brasil é um país continental, com diferentes climas, costumes e questões sociais, pode-se afirmar que os desafios enfrentados no território não são os mesmos. Logo, as soluções também não podem ser iguais. Com o objetivo de levantar, reunir e premiar o que há de melhor em tecnologia social para ajudar a enfrentar estes desafios, foi entregue, em novembro, a 9ª edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social.

Com parceria do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do Governo Federal, a premiação contou com o apoio da cooperação da Unesco no Brasil; do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO); do Banco Mundial e do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF).

Tecnologia social é uma proposta inovadora de desenvolvimento, que considera a participação coletiva no processo de organização e implementação de soluções para problemas sociais. Asclepius Soares, presidente da Fundação Banco do Brasil, afirma que a importância do prêmio reside no fato de que as tecnologias sociais são soluções muito simples e com possibilidade de reaplicação. “O prêmio procura identificar, certificar, dar visibilidade e depois disponibilizar as tecnologias sociais para a população de maneira geral”.

Só nesse ano, foram 735 projetos inscritos. Desses, 173 foram certificados e passaram a integrar o Banco de Tecnologias Sociais (BTS) da Fundação Banco do Brasil, plataforma criada em 2001 e que, hoje, conta com cerca de mil projetos. Segundo o presidente da Fundação, os projetos são disponibilizados nessa plataforma juntamente com o manual de instruções, para que sejam adaptados em outras realidades, no Brasil ou em outros países, uma vez que há tradução para inglês, francês e espanhol. “Nós temos diversos depoimentos de pessoas que buscaram soluções para os seus problemas no Banco de Tecnologias”.  

Nesta nona edição, foram sete categorias, que conversam diretamente com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. São elas: “Água e Meio Ambiente”; “Agroecologia”; “Economia Solidária”; “Educação”; “Saúde e Bem-Estar” e “Cidades Sustentáveis e Inovação Digital”. A sétima categoria foi destinada aos projetos da América Latina e do Caribe, que concorreram em “Internacional”.

Asclepius ressalta a importância da participação de iniciativas de fora do Brasil no sentido de espalhar a ideia das tecnologias sociais como ferramentas de mudança das realidades. “Nessa edição, nós abrimos o prêmio para toda a América Latina e Caribe. Tivemos três finalistas: duas da Argentina e uma de El Salvador. Isso dá uma visibilidade muito grande, é uma troca rica, porque ao mesmo tempo que nós recebemos tecnologias de outros países, essas entidades que participaram do prêmio também podem levar as tecnologias do Brasil para seus respectivos países, já que nós temos problemas sociais muito parecidos. Essa participação dá uma nova dimensão ao prêmio, que passa a ter esse caráter transnacional”.

Todas as 21 experiências finalistas (três por categoria) ganharam um vídeo de cinco minutos contando a experiência (confira aqui). Os mini documentários mostram desde a identificação do problema até a solução e o impacto causado na vida das pessoas envolvidas com o projeto.

Finalistas

A escolha das tecnologias vencedoras ficou a cargo de uma comissão julgadora, composta por técnicos da Fundação BB, especialistas de organizações da sociedade civil e representantes de entidades privadas e governamentais. As experiências foram avaliadas de acordo com a interação com a comunidade (contando com uma construção participativa da solução), a possibilidade de reaplicação e a transformação social.

Além desses, outros critérios como sustentabilidade, impacto ambiental, aumento da qualidade de vida e empoderamento das pessoas também foram considerados na seleção das propostas mais inovadoras. A ideia que rege todas as iniciativas é a elaboração participativa de soluções práticas, fáceis de serem aprendidas e replicadas em outros contextos.

Asclepius ressalta um dos fundamentos das tecnologias sociais: a simplicidade. Segundo o presidente da Fundação, é a partir de ideias simples que é possível resolver problemas complexos. “Uma tecnologia básica é o soro caseiro. Misturar água com determinada quantidade de água e açúcar: quantas vidas isso salvou?”.

Vale ressaltar que todas as iniciativas conversam diretamente com pelo menos um dos 17 ODS da ONU. “A Agenda 2030 é um compromisso de todos, da sociedade de maneira geral, do segmento empresarial, dos governos, assim como da Fundação. Quando falamos que as tecnologias vem resolver problemas sociais, estamos falando justamente que elas podem auxiliar a cumprir as metas acordadas para o ano de 2030, seja na questão de saúde, da água, do meio ambiente ou relacionadas à educação. Nos diversos ODS podemos ter atuação por meio das tecnologias sociais”.

Na categoria “Água e Meio Ambiente”, o vencedor foi o Dessalinizador Solar, da Paraíba. Trata-se de um sistema que capta a água salobra dos poços e, a partir da luz solar, separa os sais da água, tornando-a própria para o consumo humano. A iniciativa está diretamente relacionada a dois Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: 3. Boa Saúde e Bem-estar e 6. Água Limpa e Saneamento. O presidente da Fundação BB ressalta o fato da solução ser simples e de fácil construção. “O dessalinizador resolve um problema complexo enfrentado pela população do semiárido brasileiro. A própria comunidade consegue construir e ter uma água potável de qualidade”.

Já em “Agroecologia”, a Rede de Agroecologia Povos da Mata, da Bahia, foi a vencedora. A partir da identificação da necessidade de uma assistência técnica a agricultores da região, criou-se uma associação que certifica os produtores desde que eles participarem da rede, orientando desde o plantio até a venda e as relações com os consumidores.

A Rede Bodega de Comercialização Solidária, do Ceará, foi a vencedora na categoria “Economia Solidária”. Trata-se de uma rede que organiza a comercialização do artesanato produzido na região. Já em “Educação”, a vencedora foi a iniciativa Fast Food da Política – Educação Política Acessível e Lúdica, de São Paulo, com a criação de ferramentas lúdicas, como jogos, para compreensão dos processos políticos brasileiros.

Em “Saúde e Bem-estar”, Uma Sinfonia Diferente, iniciativa do Distrito Federal, propõe a montagem de um espetáculo com crianças autistas e suas famílias, a partir do envolvimento com a música.  

A iniciativa Poste de Luz Solar – Litro de Luz Brasil, de São Paulo, da categoria  “Cidades Sustentáveis e Inovação Digital”, propõe a construção de um sistema simples de iluminação partir de tubos de PVC e garrafas PET. Já a iniciativa vencedora na categoria “Internacional” foi a Caminos de la Villa, da Argentina, com a proposta de integração de favelas nos mapas das cidades, de forma a possibilitar que essas se integrem socialmente.

Os seis vencedores nacionais receberam, além dos mini-documentários, R$ 50 mil para expandir, aperfeiçoar e/ou reaplicar as tecnologias.

Investimento para 2018

Além de anunciar os vencedores da nona edição do prêmio de tecnologias socias, o evento também trouxe a notícia sobre o investimento para o ano que vem. Segundo Asclepius, a Fundação Banco do Brasil seguirá a mesma linha de trabalho desse ano, com parceiros contribuindo para um investimento total de cerca de R$ 150 milhões. Desse montante, cerca de R$ 10 milhões, financiados em parceria com o BNDES, será destinado a uma nova iniciativa envolvendo as tecnologias sociais.

Trata-se de um edital para reaplicação de tecnologias que já estão no BTS da Fundação. Funcionará da seguinte maneira: a Fundação BB ficará responsável por selecionar algumas tecnologias disponíveis no Banco. A partir disso, organizações e entidades sem fins lucrativos que se interessarem em reaplicar alguma das tecnologias selecionadas poderão participar do edital.

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