Fundação Tide Setubal lança edital de matchfunding para projetos em territórios e contextos periféricos e de vulnerabilidade social

Financiar projetos que contribuam para enfrentar desigualdades socioespaciais em contextos de periferias urbanas em todo o Brasil. Esse é o objetivo do Matchfunding Enfrente, um edital colaborativo da Fundação Tide Setubal e Benfeitoria. 

Matchfunding é o termo utilizado para designar uma nova forma de apoio financeiro que combina o crowdfunding – financiamento coletivo – a aportes de uma determinada instituição, neste caso, a Fundação Tide Setubal. Para cada R$ 1 doado para os projetos selecionados, a Fundação irá doar mais R$ 2. 

Greta Salvi, coordenadora de inovação e empreendedorismo da Fundação Tide Setubal, explica que a ideia surgiu a partir de uma observação por parte da organização do que outras instituições estavam realizando no campo, a vontade de atuar em outros territórios além da zona leste de São Paulo – onde a Fundação começou a desenvolver seus trabalhos – e a motivação de inovar em sua forma de atuação e testar novos mecanismos financeiros. 

“Esse é um projeto piloto. Com certeza teremos muitos erros e acertos, mas a nossa ideia é alavancar mais recursos para as periferias. Quanto mais conseguirmos somar, melhor. E no caminho, nossa expectativa é identificar parceiros que podem seguir com a gente, possíveis recortes de temas e outras organizações, empresas e pessoas com o mesmo foco de fortalecer e dar visibilidade a projetos periféricos”, afirma. 

Da e para a periferia 

O edital é voltado especialmente a iniciativas que atuem em territórios periféricos de todo o Brasil ou em contextos periféricos, situações de segregação e vulnerabilidade social que podem acontecer nas periferias ou não. 

Greta traz como exemplo projeto que se inscreveu em um edital da Fundação voltado a territórios periféricos. “Era uma iniciativa desenvolvida na região da Luz, no centro de São Paulo, com prostitutas. Entendemos que um território central tem mais acesso à infraestrutura de equipamento públicos como hospitais, transporte e escola. Mas, mesmo sendo centralizado, é um contexto periférico, pois a Luz é uma região de vulnerabilidade, com problemas de violência e drogas.” 

Com a expansão da atuação para novos territórios por meio de apoio técnico e financeiro a organizações, Greta explica que uma das premissas da Fundação é o trabalho conjunto com a comunidade local, em um movimento de criar legitimidade. “Nesse projeto e na maioria dos que apoiamos temos o cuidado de olhar para a pessoa que está tocando a iniciativa. Ela tem, de fato, legitimidade para desenvolver um projeto na periferia?”, reflete. 

Por isso, o edital aceita iniciativas desenvolvidas por coletivos, pessoas físicas e jurídicas com ou sem fins lucrativos, desde que sejam idealizadas e/ou lideradas por pessoas que tenham nascido ou vivido em periferias urbanas brasileiras ou contextos periféricos. 

“Uma das exigências do edital é que o público beneficiado pela iniciativa seja periférico ou em situação de vulnerabilidade e que a pessoa que está apresentando o projeto viva ou venha da periferia e tenha noção do que é viver nesse lugar, quais são os problemas. Queremos fortalecer e dar visibilidade a esses sujeitos e lideranças para que eles desenvolvam suas ideias e soluções para os problemas que eles mesmos vivem.” 

Projetos e consultoria 

Para participar da seleção, é necessário que os projetos tenham impactos sociais, culturais, econômicos e/ou ambientais voltados a comunidades urbanas brasileiras. Cada iniciativa deve ter meta mínima de arrecadação no valor de R$ 30 mil. Desse montante, R$ 20 mil virão da Fundação Tide Setubal, enquanto R$ 10 mil deverão ser arrecadados na campanha de financiamento coletivo. Caso a iniciativa seja nova, deverá ser lançada em até quatro meses após o recebimento do recurso.  

A seleção será feita em duas ondas: na primeira, serão avaliados projetos enviados até 15 de dezembro, enquanto a segunda avaliará propostas enviadas até 30 de abril. Cada processo de análise irá selecionar 15 propostas – totalizando 30 projetos a serem apoiados -, de acordo com critérios como viabilidade de realização, adequação orçamentária, potencial de financiamento coletivo, abordagem criativa, impacto e potencial de alcance e continuidade, entre outros. 

Greta explica que além de apoiar com recurso financeiro, a Fundação irá disponibilizar um recurso para que os projetos selecionados possam investir na construção de suas campanhas de financiamento coletivo. A Benfeitoria, por sua vez, irá fornecer uma consultoria às propostas, esclarecendo dúvidas sobre as campanhas, ajudando a pensar nas melhores narrativas para apresentar os projetos, orientando a elaboração dos materiais e outros pontos.

“Além disso, iremos divulgar esse portfólio de projetos que estarão na plataforma para os nossos parceiros, outras fundações e pessoas físicas com o objetivo de estimular a cultura de doação. Não esperamos que os projetos sozinhos consigam captar esses R$ 10 mil, pois sabemos o quão difícil é levantar recursos em uma campanha de crowdfunding no Brasil, sobretudo para projetos de periferias”, observa a coordenadora. 

Inscrições 

As inscrições podem ser realizadas até 15 de dezembro ou até 30 de abril de 2020 no site do edital. Cada prazo corresponde a uma onda de seleção, que terão seus cronogramas próprios, com divulgação de resultados em janeiro e junho do ano que vem, respectivamente. Todas as informações sobre a chamada podem ser consultadas no regulamento

 

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