Fundação Volkswagen promove debate sobre educação inclusiva

Segundo dados do Censo Escolar 2018, o número de matrículas nas escolas de alunos com algum tipo de deficiência chegou a 1,2 milhão em 2018, o que corresponde a um aumento de 33,2% em relação a 2014. Apesar da evolução, muitos ainda não têm acesso à educação formal. Com o objetivo de debater avanços e oportunidades para a educação inclusiva no Brasil, estão abertas as inscrições para a terceira edição da Jornada do Conhecimento da Fundação Volkswagen, que acontecerá em maio, em São Paulo.  

O evento integra uma série de encontros promovidos pela organização para, com a participação de especialistas, discutir temas relacionados à missão e às causas apoiadas pela Fundação Volkswagen, como mobilidade urbana e social e inclusão de pessoas com deficiência.

Daniela Demôro, diretora-superintendente da Fundação, explica que a organização passou por um processo de revisão estratégica em 2018 e que as causas acima citadas [educação e inclusão] foram decididas conjuntamente depois de uma consulta a seus públicos de relacionamento. “A educação inclusiva é um dos vieses da nossa atuação na causa da inclusão, além da inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho e de seu direito de circular com autonomia e segurança pelas cidades. No campo educacional, trabalhamos para assegurar a igualdade de oportunidades e a valorização das diferenças, sobretudo por meio da formação de educadores da rede pública”, afirma.

Oportunidades para a educação inclusiva

Segundo o Censo do IBGE de 2010, mais de 45 milhões de brasileiros declararam ter algum tipo de deficiência quando questionados sobre deficiência intelectual ou dificuldade para enxergar, ouvir e se locomover, o que equivale a 23,9% da população.

O levantamento também comparou as taxas de alfabetização de pessoas com e sem deficiência. Enquanto a média nacional para pessoas alfabetizadas com 15 anos ou mais e sem deficiência foi de 90,6%, a média para pessoas com pelo menos um tipo das deficiências investigadas foi de 81,7%. Se analisada por região, essa diferença percentual pode chegar até 12 pontos, que é o caso do nordeste: enquanto 81,4% da população com 15 anos ou mais e sem deficiência é alfabetizada, entre pessoas na mesma faixa etária e com algum tipo de deficiência essa porcentagem cai para 69,7%.

Daniela cita o aumento crescente das matrículas de alunos com deficiência nas escolas públicas e a publicação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva pelo Ministério da Educação (MEC), em 2008, como avanços na história do Brasil do ponto de vista legislativo. Entretanto, ainda há conquistas a serem alcançadas e um caminho a ser percorrido.

“A inclusão é uma causa urgente e deve ser assumida por toda a sociedade brasileira, desde o poder público até o terceiro setor. A Política Nacional de Educação Especial, por exemplo, veio para romper com a lógica de exclusão que historicamente segregou da escola comum alunos com deficiência, transtorno do espectro autista e altas habilidades e superdotação. Porém, ainda há muitos desafios, que incluem a formação dos educadores, a melhoria da qualidade do ensino ofertado a esse público e, especialmente, a superação das barreiras atitudinais”, reforça.

Especialistas debaterão avanços e desafios da inclusão

A terceira edição da Jornada acontecerá no dia 24 de maio e contará com a presença de Jairo Marques, especialista em jornalismo social e colunista da Folha de S.Paulo, e Rodrigo Mendes, mestre em gestão da diversidade e superintendente do Instituto Rodrigo Mendes. Com mediação da jornalista Flávia Yuri, os especialistas debaterão sobre conquistas e desafios da inclusão na educação brasileira, além de dividir com os participantes suas experiências pessoais relacionadas ao tema.

Enquanto Rodrigo Mendes é fundador do Instituto homônimo – organização sem fins lucrativos fundada em 1994 para desenvolver pesquisas e formação continuada na área de educação inclusiva no Brasil e em outros países -, Jairo Marques, cadeirante desde criança, é autor do blog Assim como você, onde publica textos que abordam aspectos da vida de pessoas com deficiência, além de ser roteirista de histórias em quadrinhos inclusivas em parceria com Maurício de Sousa.

“Estamos certos de que ambos construirão um diálogo bastante profundo e esclarecedor sobre o tema, tanto por suas experiências pessoais quanto pela sólida trajetória profissional que possuem na defesa da causa”, reforça Daniela. Além deles, também participarão da conversa uma educadora da rede pública e uma ex-aluna com Síndrome de Down.

Inscrições

As inscrições para o encontro são gratuitas e podem ser realizadas no site da Jornada até 10 de maio ou até esgotarem as vagas.

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