GIFE lança primeiro informe sobre Painel de Transparência

Há pouco mais de um ano no ar, o Painel GIFE de Transparência tem se tornado, cada vez mais, uma importante ferramenta de autoavaliação para os institutos e fundações que decidiram participar da iniciativa e querem tornar seus processos e atividades mais transparentes para a sociedade. Com a proposta de apresentar um breve panorama sobre o tema, o GIFE acaba de lançar o primeiro informe do Painel de Transparência (clique aqui para acessar).

O Painel é uma ferramenta online que reúne, organiza e disponibiliza informações institucionais relevantes sobre os associados do GIFE a partir de um grupo de indicadores. Este instrumento permite a qualquer um observar se a organização publica em seu site a informação sobre cada indicador definido e acessá-la por meio de link que direciona o usuário para o dado no site do associado. A plataforma disponibiliza ainda referências, publicações e pesquisas sobre transparência com o objetivo de ampliar o diálogo e  conhecimento sobre o tema.

Agora, o informe elaborado pelo GIFE, traz informações sobre a proporção em que estes indicadores são divulgados pelos institutos e fundações participantes, bem como sobre a evolução da porcentagem de divulgação desde a primeira coleta de dados feita pelo GIFE para o lançamento do projeto, em março de 2016, até julho de 2017.

Graziela Santiago, coordenadora da área de Conhecimento do GIFE, ressalta que, ao indicar os itens mais e menos publicizados pelas organizações, o informe aponta também as áreas em que é preciso um maior esforço de mobilização das organizações em relação à transparência. “Este é o primeiro de um conjunto de informes analíticos que serão produzidos periodicamente sobre os avanços do projeto e da transparência no setor”, destaca Graziela.

A amostra para a elaboração do documento foi de 51 organizações, o que corresponde a 46% dos associados ao GIFE atualmente elegíveis para participar do Painel. Mas, afinal, o que o Painel de Transparência tem revelado? Segundo o informe, as organizações divulgam, em média, informações de 10 indicadores ou 65% do conjunto dos indicadores.

O destaque é o fato de que o processo de participar do Painel – cuja adesão é voluntária – e disponibilizar as informações relevantes sobre sua prática, trouxe um impacto direto na transparência destas organizações. Foi observado um crescimento médio de 16 pontos percentuais no total dos indicadores de transparência em relação ao marco zero. “Isso aponta para um impacto positivo do Painel na transparência das organizações participantes”, ressalta Graziela.

De acordo com a análise realizada, os indicadores mais divulgados foram principais programas, projetos, ações e atividades (98%); missão (90%); composição da equipe executiva (82%); endereço (82%); e telefone (80%). Alguns indicadores tiveram uma maior evolução desde a coleta inicial, como, por exemplo, a divulgação dos relatórios de atividades, que passou de 46% para 75%, os estatutos, que saltaram de 15% para 43%, assim como os relatórios de auditores independentes, passando de 34% para 57%.

Outro dado observado pelo informe é que, com exceção do indicador de avaliação, que é divulgado por somente duas organizações, os indicadores que fazem parte das dimensões ‘Governança e gestão’ e de ‘Informações financeiras/econômicas’, são os menos divulgados. No entanto, esses são também os indicadores que mais cresceram em relação à coleta inicial, 18 e 22%, respectivamente. Aqui há, inclusive, uma oportunidade para as organizações avançaram ainda mais, acessando também os Indicadores GIFE de Governança.

Graziela Santigo ressalta a importância dos institutos e fundações aderirem ao painel, mesmo que, neste momento, não alcancem a divulgação de todos os indicadores, pois isso já demonstra o compromisso das instituições com a transparência, algo fundamental para ampliar a credibilidade e legitimidade das organizações da sociedade civil. O objetivo do Painel não é estabelecer selos ou rankings, mas ajudar as instituições a pensar sobre a temática e repensar suas práticas.

 

Na prática

Diversos associados que aderiram ao painel ressaltam que este tem sido um importante instrumento para apontar o ‘caminho das pedras’ para a revisão de processos. Isso porque ele estabelece e indica quais são, por meio dos indicadores, as informações importantes para os institutos e fundações divulgarem, algo que muitos, inclusive, já tinham internamente, mas não sabiam da importância de disponibilizar à sociedade.

Carolina Toffoli Rodrigues, coordenadora do Instituto Algar, conta que, ao receber o convite para aderir ao Painel, a instituição fez uma análise interna para verificar o que a ferramenta estava solicitando de informações e dados que a organização ainda não divulgava. Diante desta avaliação inicial, já passou a fazer diversas melhorias no seu site, como, por exemplo, divulgar o telefone, algo que não tinha até então.

“O painel nos provocou a pensar e fazer pequenas mudanças. São questões que, às vezes, nem nos dávamos conta de que era essencial divulgarmos para ter mais transparência, algo que já faz parte da cultura da nossa organização. Nós fazemos parte, por exemplo, da Comissão de Integridade, um grupo corporativo que se encontra mensalmente para discutir condutas éticas, transparência e outros temas relevantes”, comenta.

Participar do painel para fortalecer a transparência interna foi o movimento que o Instituto Estre fez, por exemplo. Mariana Rico, gerente institucional do Instituto Estre, conta que, o painel se torna um instrumento de trabalho. Isso porque, ter os dados em mãos, com indicadores que já são cumpridos e outros que precisam ser alcançados, traz credibilidade e fortalece a sua argumentação e convencimento interno para as mudanças necessárias junto às diversas instâncias que precisam ser envolvidas.

“Apesar de todos saberem da importância da transparência e da boa governança, essa mudança de cultura não acontece de uma hora para outra. É um processo. Portanto, ter estes instrumentos e ferramentas nos ajudam bastante na prática”, diz Mariana.

Vainer Penatti, superintendente da Fundação Romi, conta que participar do Painel veio fortalecer a visão de transparência para com os parceiros, patrocinadores e público beneficiário. “O impacto é muito positivo. Ao demonstrar transparência, isso traz mais tranquilidade para o parceiro que está te apoiando. Isso é fundamental e sempre privilegiamos essa postura. Vemos o resultado na continuidade das parcerias que temos. O reconhecimento do trabalho bem feito”, ressalta.

 

Impacto da transparência

“A transparência não é mais uma opção para as instituições. Ela tem que ser um valor. Hoje estamos vivendo num mundo totalmente conectado, com várias ferramentas, e as pessoas podem procurar qualquer informação por meio do celular. Ou seja, a forma como as pessoas se comunicam mudou e isso demanda que as organizações mudem também. As informações precisam estar disponíveis para que as pessoas possam tomar uma decisão de apoiar ou não uma organização”, alerta Patricia Lobaccaro, presidente da BrazilFoundation.

Para Patricia, a transparência deve ser, cada vez mais, uma bandeira forte de atuação do setor, a fim de trazer mais legitimidade para o campo, principalmente diante de uma sociedade tão descredita com as instituições. “Já avançamos, mas temos ainda que evoluir”, comenta, destacando que espera que as práticas adotadas pela BrazilFoundation possam, inclusive, inspirar outras organizações.

Isso porque a instituição, que também tem sede nos EUA, foi listada no site de transparência filantrópica Glass Pockets com uma pontuação 22 de 25 (clique aqui). O Glass Pockets é uma iniciativa promovida pelo Foundation Center que avalia, analisa e promove a transparência digital e práticas de responsabilidade em filantropia. Para tal, são identificados 25 indicadores para medir o potencial de transparência on-line que uma fundação pode demonstrar, que incluem medidas como a disponibilidade de seus formulários 990, pesquisas de beneficiários, dados de diversidade e muito mais. Juntamente com estes indicadores, a iniciativa fornece ferramentas e informações sobre a importância da transparência e como as fundações podem ser mais abertas nas comunicações aos seus parceiros.

GlassPockets, inclusive, foi uma as iniciativas que inspiraram a criação do Painel GIFE de Transparência.

A presidente da BrazilFoundation conta que a organização se dedicou mais de um ano para fazer mudanças internas e ter as informações disponíveis para publicar. A ideia é que, até o fim de 2017, seja possível atender aos três indicadores que ainda faltam, que dizem respeito à divulgação do planejamento estratégico em inglês, à aquisição de uma licença específica para o site e à reformulação de como os dados financeiros são divulgados no relatório.

Patricia lembra ainda que todo este processo é dinâmico e novos indicadores são inseridos a cada ano, o que exige por parte das organizações um olhar constante para a transparência no dia a dia.  “A transparência não é estática. Temos que acompanhar as demandas e nos atualizarmos. Mas isso é ótimo. Para atender aos critérios, precisamos rever práticas e entender que elas devem estar em constante aprimoramento, pois o mundo muda o tempo todo”, comenta. Essa é também a lógica do Painel GIFE de Transparência em que alguns indicadores precisam ser atualizados anualmente, o que faz com que os participantes sejam constantemente questionados sobre sua transparência.

 

Saiba mais

Para mais informações sobre o Painel, escreva para [email protected]

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