Guia apresenta as 100 Melhores ONGs do Brasil em 2017

O Brasil conta hoje com cerca de 300 mil organizações sem fins lucrativos, que atuam em diversas frentes e campos, a fim de promover a transformação social do país. Mas, onde elas estão? Quem são elas? Quais são aquelas que têm desenvolvido trabalhos relevantes? Para dar luz a estas iniciativas e reconhecer boas práticas de gestão e transparência no terceiro setor, acaba de ser lançado o Guia das 100 Melhores ONGs do Brasil em 2017, organizado pelo Instituto Doar e pela revista ÉPOCA.

Ao todo, 1.560 organizações se inscreveram na seleção. Dessas, 527 tiveram as inscrições validadas e 150 foram pré-selecionadas por um comitê executivo com base no desempenho apresentado. A comissão julgadora, formada por representantes da ÉPOCA, do Instituto Doar e do Centro de Estudos em Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas, avaliou cinco princípios gerais: causa e estratégia; representação e responsabilidade; gestão e planejamento; estratégia de financiamento; e comunicação e prestação de contas.

A organização Vocação – antiga Ação Comunitária do Brasil – foi escolhida como grande destaque. O guia foi organizado em ordem alfabética, mas apresenta destaques em outros dois critérios, além do destaque geral: melhores por região e melhores por causa. Apae Anápolis, Fundação Amazonas Sustentável, Casa de Apoio à Criança com Câncer Durval Paiva, Pequeno Cotolengo do Paraná – Dom Orione e Associação Helena Piccardi de Andrade Silva representam, respectivamente, as regiões Centro-Oeste, Norte, Nordeste, Sul e Sudeste.

Entre as melhores por causa, a Vocação foi escolhida na área da Educação, Graac em Saúde, Instituto Akatu em Meio Ambiente, UNAS – União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região em Desenvolvimento Local, Plan International Brasil em Criança e Adolescente, e Associação Helena Piccardi de Andrade Silva em Assistência Social (clique aqui para ver a lista completa).

Na lista das 100 Melhores estão, inclusive, organizações associadas ao GIFE, como Aldeias Infantis SOS Brasil, Fundação Amazonas Sustentável, Instituto Ayrton Senna, SITAWI – Finanças do Bem, ChildFund Brasil e Instituto Jatobás.

Gestão e transparência em destaque

Para estar na lista das 100 melhores, as organizações tiveram de apresentar informações e documentos de uma série de processos desenvolvidos, como, por exemplo, se a entidade dispõe de planejamento operacional/de ação que contemple, ao menos, o ano corrente; se a assembleia geral se reúne pelo menos uma vez por ano; se os nomes e cargos dos membros da diretoria e de conselhos da organização são publicados no site; se o plano de captação estabelece metas de arrecadação para cada uma das fontes de recursos; se publica relatórios anuais em seu site; entre tantos outros.

Gerson Pacheco, diretor nacional da ChildFund Brasil, acredita que foi a consolidação dos processos de governança, gestão executiva e estratégia organizacional, além da missão da instituição que mobiliza pessoas em prol de mudanças sustentáveis na vida das crianças, adolescentes, jovens e suas comunidades para que possam exercer com plenitude a cidadania e seus direitos, que fez com que a organização se destacasse e estivesse entre as melhores.

“É mais um reconhecimento de que fazemos o nosso trabalho com dignidade e eficiência. Estamos, portanto, honrados e orgulhosos. São mais de 50 anos de propósito e valores sedimentados, transformados em empenho e dedicação para construir uma organização sólida e ao mesmo tempo inovadora, acompanhando os desafios de seu tempo. A iniciativa do prêmio evidencia que, no Brasil, existem muitas instituições éticas com princípios e valores focados no desenvolvimento, fazendo muitas transformações. E isso proporciona que o terceiro setor seja reconhecido como um poderoso agente de mudanças positivas”, aponta.

E essa transformação é vista e vivenciada em diferentes espaços do país, tendo em vista a ampla atuação das organizações listadas. Há instituições que atuam junto à juventude da periferia em situação de violência, existem também aquelas que lutam pela conservação ambiental, assim como pela ressocialização de egressos do sistema prisional.

O Instituto Elos, por exemplo, uma das organizações selecionadas localizada na cidade de Santos, litoral de São Paulo, tem atuado fortemente nos últimos 20 anos em desenvolvimento humano e comunitário para transformações coletivas. A metodologia do Elos já chegou em 360 comunidades em 43 países do mundo. No Brasil, está em mais de 20 estados, principalmente pela projeção do programa Guerreiros Sem Armas, um curso internacional que reúne 60 jovens de diferentes países que aprendem a como mobilizar um território, identificando os ativos das pessoas, instituições e localidades, e construir processos colaborativos e participativos para a sua transformação.

A última edição, inclusive, foi realizada de 03 de julho a 03 de agosto. Depois do processo de imersão, teve início o processo de mentoria com os participantes – lideranças dos três setores –, que serão os multiplicadores em seus próprios territórios.

Rodrigo Alonso, co-fundador do Elos, conta que a organização, mesmo sendo de pequeno porte tem, cada vez mais, se preocupado em aprimorar a gestão interna. Tem suas contas auditadas, assim como o apoio de um Conselho Consultivo, formado por profissionais com diferentes expertises, que orientam a equipe.

“O prêmio foi muito celebrado, pois estamos ao lado de organizações muito maiores, com estrutura incomparável à nossa. É ótimo ter uma iniciativa que atesta, neste momento de país, a honestidade, a transparência e a credibilidade das organizações. Isso sem falar na gestão, que é algo tão fundamental para o nosso setor, mas que de fato ainda falta. As organizações precisam lembrar que a melhor gestão de recursos vai gerar, com certeza, um maior impacto na ponta. É um estímulo para os doadores saberem que estão doando não só para alguém honesto, mas que o seu recurso está sendo bem gerido e aplicado”, comenta Rodrigo. O próximo passo para o Elos é justamente conquistar novos apoios para concretizar o sonho de construir o Espaço Elos, que pretende ser um local para a realização de cursos na metodologia da organização.

Ampliar a doação

Fomentar a cultura de doação também é uma das apostas da iniciativa das 100 Melhores. Segundo Marcelo Estraviz, fundador do Instituto Doar, a premiação vem dar visibilidade ao trabalho destas organizações que se dispuseram, voluntariamente, a serem auditadas a partir dos critérios estabelecidos. Com isso, esperasse que, ao apresentar as ações das instituições, destacando a legitimidade e credibilidade das iniciativas, incentive-se também, mais doadores a investirem nestes trabalhos.

“Nós, brasileiros, estamos habituados a ver notícias associadas ao mau uso de recursos e tendemos a esquecer que esses grupos são a minoria. Uma cultura de doação tem como base a confiança na qualidade da gestão e no impacto gerado com o recurso doado. Iniciativas como o prêmio nos ajudam a lembrar que o compromisso com a excelência e a transparência é a base de muitas organizações, pois dependemos de parceiros que acreditam e confiam no nosso trabalho”, destaca Luiza Coimbra, líder de Comunicação da SITAWI – Finanças do Bem, ressaltando que, estar entre as melhores, é resultado de um amplo trabalho interno de aprimoramento dos processos.

“Desde a sua fundação, a organização já desembolsou mais de R$10 milhões endereçados para impacto socioambiental, para mais de 50 organizações e negócios de impacto. Em nove anos, são mais de 200 mil pessoas alcançadas por projetos que permeiam temas de direitos humanos, desenvolvimento local, meio ambiente, saúde, geração de renda, educação, gênero e outros. Os resultados são auditados e reportados anualmente”, completa Luiza.

A ideia do guia é, justamente, facilitar essa busca dos doadores. “As organizações não-governamentais fazem um excelente trabalho, principalmente essas 100 que destacamos este ano, mas existem milhares de outras que são também muito boas. Esse encontro entre a organização e o doador envolve o desafio que decidimos assumir: ampliar a cultura de doar. Descobrimos na pesquisa sobre o Perfil do Doador no país que mais da metade dos brasileiros doam. Mas, não falam para ninguém. Isso nos fez definir o foco para os próximos anos: será pela comunicação, divulgação, publicização, destacando tudo que envolva fazer as pessoas saberem o que está acontecendo nessa relação doador e organização. É preciso promover esse encontro”, ressalta Estraviz.

Próximos passos

A premiação será anual e as inscrições para o próximo guia serão abertas até o fim de 2017. A proposta é, gradativamente, a cada edição, definir outros critérios de destaque, como por exemplo, as melhores por Estado.

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