Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) anuncia sua 13ª carteira para 2018

A B3 acaba de anunciar as 30 empresas que passam a fazer parte da 13ª carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), uma ferramenta para análise comparativa da performance das empresas que detém as 200 ações mais líquidas na B3 sob o aspecto da sustentabilidade corporativa. Ele baseia-se em eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa.

Criado em 2005 – sendo o quarto do tipo no mundo – conta com uma parceria técnica, desde sua concepção, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces), além de ter um Conselho Deliberativo formado por diversas instituições, como o GIFE.

A nova carteira do índice, que vai vigorar de 08 de janeiro de 2018 a 04 de janeiro de 2019, reúne 33 ações das 30 companhias. Além disso, representa 12 setores e soma R$ 1,28 trilhão em valor de mercado. Esse montante equivale a 41,47% do total do valor das companhias com ações negociadas na B3, com base no fechamento de 21 de novembro de 2017.

A avaliação das empresas foi feita em dois âmbitos: quantitativo (respostas do questionário) e qualitativo (envio de documentos comprobatórios de forma amostral). Aron Belinky, coordenador do programa de finanças sustentáveis do GVces, destaca o processo colaborativo do ISE que, ao longo do ano, reúne em workshops, oficinas e consultas públicas online os interessados para debater sobre o questionário, a fim de aprimorar o processo de seleção a cada ano.

Foram realizados também eventos sobre temas relacionados, como “produção e consumo sustentável” e “sustentabilidade e contabilidade – perspectivas atuais sobre a inclusão de aspectos socioambientais nos sistemas de apoio a decisão e gestão de riscos”. Além disso, foi criada uma ferramenta de transparência que permite às empresas fazerem comentários às suas respostas no questionário.

Sonia Favaretto, presidente do Conselho Deliberativo do ISE e diretora de Imprensa, Sustentabilidade e Comunicação da B3, destaca que, desde a sua criação, o ISE apresentou rentabilidade de +185,01% contra +113,72% do Ibovespa (base de fechamento em 21/11/2017). No mesmo período, o ISE teve ainda menor volatilidade: 24,67% em relação a 27,46% do Ibovespa.

“Claro que são dois índices diferentes, mas é importante estabelecermos essa comparação, assim como todas as bolsas do mundo fazem. A partir destes resultados é possível perceber a combinação perfeita: mais performance e menos risco”, comenta.

Destaques da carteira

Ao analisar o perfil e as ações desenvolvidas pelas empresas selecionadas, foram elencados alguns pontos de destaque deste novo grupo. Um dos aspectos positivos, relacionado à área de Recursos Humanos das companhias, é o fato de 98% das companhias incorporarem aspectos de sustentabilidade nas metas de desempenho de seus empregados. Além disso, 85% das companhias realizam ações de premiação e reconhecimentos relacionados a desempenho em sustentabilidade.

Em relação à mudança de clima, nos últimos três anos, 92% das companhias realizam estudos sobre suas vulnerabilidades frente a mudança do clima e potenciais impactos sobre o seu negócio (sendo que em 2016 esse percentual era de 71%) e 96% das companhias consideram a adaptação à mudança do clima na concepção e ou revisão de seus empreendimentos, processos, produtos etc. Outro aspecto que teve um salto da última carteira, passando de 18% para 49% das companhias, é que estas já adotaram a prática do preço interno de carbono como ferramenta para promover a redução de suas emissões.

“Claro que estes dados não mostram necessariamente que o mercado como um todo avançou neste aspecto fundamental, mas que estas 30 empresas já demonstram que a discussão está em outro nível. Isso, com certeza vai incentivar o mercado e mostrar a importância destas ações”, comenta Aron.

Pelo segundo ano consecutivo o ISE incorpora também os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no questionário em alinhamento e de forma tempestiva à adoção dos ODS pela ONU no final de 2015. De acordo com a avaliação realizada, 100% das companhias realizam análises para identificar se tem relação direta e relevante entre suas práticas empresariais e os ODS (87% em 2016).

Entre os ODS que se destacaram estão: 9 (Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação), 12 (Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis) e 16 (Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis). Para o próximo ciclo, inclusive, serão revistas algumas questões para que possam ser identificadas práticas que estão sendo desenvolvidas com efetividade pelas companhias nesta relação com os ODS.

Entre os aspectos que as companhias ainda precisam avançar está o fato de que apenas 24% incorporam no processo de seleção de seus administradores critérios e aspectos relativos à sua conduta e a seus conhecimentos sobre aspectos sociais e ambientais. A falta de diversidade também se faz presente em boa parte das companhias. Apesar de 51% das empresas ter uma ou mais mulheres no Conselho de Administração, 31% ainda não contam com mulheres no Conselho e nem desenvolveram planos para promover a diversidade e o equilíbrio de gênero.

O mesmo vale para a questão de raça: apenas 14% tem a participação de um ou mais negros do Conselho. Além disso, 69% das companhias ainda não contam com negros no Conselho e não desenvolveram planos para promover a diversidade e a equidade racial. “É um desafio e questão da ordem do dia e precisamos avançar”, destaca Aron.

Sustentabilidade na prática

Mais do que apenas trazer reconhecimento e visibilidade aos investidores das companhias selecionadas para a carteira, o processo de elaboração e aplicação do questionário do ISE internamente nas empresas busca também apontar o caminho para uma estratégia efetiva com foco nas dimensões da sustentabilidade.

“O índice tem auxiliado as empresas na sua gestão. Como ele recomenda boas práticas, as empresas que participam do processo aderem a estas boas práticas para serem cada vez melhores. E estas companhias demonstram a maturidade e a consciência do mercado brasileiro para as questões da sustentabilidade. Apesar do ano de 2017 ter sido desafiador, conseguimos ter uma carteira com 30 empresas. E elas mostram que estão engajadas e são participativas”, aponta a presidente do Conselho Deliberativo do ISE.

Pedro Sirgado, gestor executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da EDP, destaca que é notória a evolução da maturidade e consistência das discussões e postura interna da alta direção ao longo destes anos de aplicação do ISE.

“Era uma dificuldade antes conseguirmos mensurar o nosso desempenho social. O ISE virou uma métrica e ajudou muito nestes dez anos. Ele se tornou o veículo fundamental para que os temas da sustentabilidade entrassem nas reuniões de diretoria. Hoje, por exemplo, a remuneração variável dos executivos está relacionada a vários aspectos da sustentabilidade. A empresa assumiu essa bandeira”, comenta.

O mesmo movimento também foi vivenciado pelo Grupo Fleury, única companhia na área de Saúde a fazer parte da carteira. Segundo Daniel Périgo, gerente sênior de Sustentabilidade e Segurança Ocupacional do Fleury, o ISE funciona como um mecanismo fundamental de gestão interna, pois tem metas atreladas, mensura indicadores e resultados, o que envolve a todos na busca por melhorar os aspectos de sustentabilidade da companhia.

No caso das Lojas Renner, uma conquista importante da área de sustentabilidade foi o fato de que, este ano, foram incorporadas metas de compras de produtos sustentáveis. “Quando conseguimos levar a sustentabilidade para o coração do negócio, aí começa a de fato ter impacto. Claro que temos desafios grandes ainda pela frente e, por isso mesmo, temos feito um exercício constante de olhar a cadeia como todo. O índice ajuda justamente a repensar o negócio e traduzir na estratégia dos executivos. Fazer com que a sustentabilidade esteja atrelada a indicadores de performance é fundamental”, acredita Vinicius Malfatti, gerente sênior de Sustentabilidade de Lojas Renner.

Para Sonia Favaretto, é importante que o Investimento Social Privado (ISP), com seus avanços, desafios e práticas, se conecte e aproxime cada vez mais da agenda da sustentabilidade. “Há uma inter-relação e muitos pontos de intersecção com potencial de trabalharmos juntos e precisamos investir nisso”, pondera.

Nova carteira

As empresas que compõe a nova carteira são: AES Tiete, CCR, CPFL, Engie, Klabin, Natura, B2W, Celesc, Duratex, Fibria, Light, Santander (associada GIFE), Banco do Brasil, Cemig, Ecorodovias, Fleury (associada), Lojas Americanas, Telefônica, Bradesco (associada), Cielo (associada), EDP, Itaú Unibanco, Lojas Renner, Tim, Braskem, Copel, Eletropaulo, Itaúsa, MRV e Weg.

Levando em conta a transparência, uma das principais agendas da B3, a publicação das respostas das empresas ao questionário de avaliação é pré-requisito para participação no índice. As respostas das 30 companhias da carteira 2018 já estão disponíveis no site: www.isebvmf.com.br.

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