Filme “Um Novo Capitalismo” inspira e reflete sobre os negócios de impacto social no mundo

Um cenário incoerente parece marcar o mundo atual: 63 pessoas no mundo concentram a mesma riqueza que as 3,5 bilhões mais pobres do planeta. Os dados do relatório da organização OXFAM chocam e, se formos olhar os resultados do Brasil, a situação não é diferente: apenas seis pessoas no Brasil possuem a riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões de brasileiros mais pobres. E mais: os 5% mais ricos detêm a mesma fatia de renda que os demais 95%. Ao mesmo tempo, iniciamos o ano de 2017 com mais de 16 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza.

Se os dados são alarmantes, não é possível paralisar. Mas, o que fazer para construir um mundo mais justo diante dessa imensa desigualdade social? Um grupo de amigos e empreendedores decidiu ir atrás de entender possíveis alternativas e novas tendências para reverter esse quadro. A ideia, que surgiu há 10 anos, se concretiza em 2017 com o lançamento do filme “Um Novo Capitalismo”, que estará disponível a partir do dia 30 de novembro no Brasil e na América Latina, dentro das plataformas digitais NetNow, GooglePlay, Itunes, Vivo Tv e VideoCamp (veja aqui o trailer oficial).

“Qual o legado a gente quer deixar para o mundo? Que tipo de sociedade a gente quer construir para ser mais sustentável e mais inclusiva?”, provoca Antonio Ermínio de Moraes Neto, co-produtor e idealizador do filme e co-fundador da Vox Capital, o primeiro fundo de investimentos de impacto do Brasil.

O longa-metragem, produzido pela Talk Filmes e pela Dois e Meio Inteligência em Negócios Sociais, conta a história de cinco empreendedores sociais do Brasil, da Índia e do México que encontraram uma alternativa: construir um novo capitalismo, mais justo e humano. Criadores de empresas com impacto social, eles acreditam que é possível ter negócios lucrativos e ao mesmo tempo acabar com a pobreza no mundo.

Assim, o filme busca discutir também a fronteira do lucro e do im­pacto social e como eles podem cami­nhar lado a lado. Negócios sólidos de diferen­tes escalas nas áreas de saúde, educação, microcrédito e moradia buscam mostrar que existem empreendimentos alinhados com seu coração social que estão impactando positi­vamente diversas pessoas.

“Ao longo dos últimos anos, e nas viagens de produção, pudemos perceber os avanços que os negócios sociais estão causando nas diferentes realidades que visitamos. Não se trata de uma responsabilidade só dos negócios, as transfor­mações acontecem entre os setores, e com a força de todos”, diz Priscila Martoni, produtora executiva do filme e sócia da Talk Fil­mes.

Segundo Nina Valentini, uma das idealizadoras do filme e sócia da Dois e Meio, negócios com escala estão mudando a vida das pes­soas de baixíssima renda, e em temáticas de muita relevância e é preciso dar luz a eles.

“O que queremos é que estas histórias possam inspirar novos empreendedores, principalmente o público jovem, para que se engajem. E também gerar reflexão, de como fazemos as nossas escolhas de carreira e no dia a dia das empresas. É preciso pensar fora da caixa, sair dessa dicotomia do lucro e do impacto, e realmente ver o que é preciso fazer para transformar a vida das pessoas que precisam de acesso, de oportunidades. Claro que os negócios sociais não vão resolver todos os problemas do mundo, mas eles têm sim um papel relevante e precisamos alavancá-los”, diz Nina.

Entre as histórias inspiradoras no longa-metragem está a da Terra Nova, uma empresa social que trabalha com a mediação de conflitos humanos para a Regularização Fundiária Sustentável de áreas urbanas particulares ocupadas irregularmente. Desde 2001, o negócio de impacto vem realizando trabalhos de regularização com a missão de dar acesso ao título de propriedade e melhorar a qualidade de vida de comunidades que vivem em assentamentos precários no Brasil e indenizar proprietários de terras em litígio. Hoje, presente em três estados brasileiros, a organização regulariza mais de 2,5 milhões de m² de áreas urbanas particulares, contribuindo para o desenvolvimento de diversas comunidades.

Por meio da mediação dos interesses entre proprietários e ocupantes, e respeitando as diretrizes urbanísticas e ambientais ditadas pela legislação vigente e pelos órgãos competentes, a Terra Nova elaborou um modelo de intervenção que busca resolver conflitos de terra de forma pacífica, permitindo que as famílias envolvidas obtenham, por si mesmas, acesso ao título de propriedade dos lotes onde vivem, garantindo assim que a propriedade cumpra sua função social.

“Com as novas tecnologias, acesso a informação, a capacidade de colaboração, a econo­mia compartilhada e a economia criativa, o poder começa a ir para o indivíduo. A gente tem que caminhar para um modelo onde as pessoas determinam as soluções para os seus problemas. E você ter plataformas, não só tecnológicas, mas plataformas de oportunidade, permite que as pessoas criem a própria solução para os seus problemas. É essa a essência do negócio social”, discute André Albuquerque, fundador do Terra Nova, durante o filme.

Outro case contado no vídeo é da Geekie, empresa certifica pelo Sistema B, criada em 2011, que desenvolve tecnologias (aplicativos e plataformas) de ensino para facilitar a aprendizagem, adaptando o conteúdo para o aprendizado personalizado. Desde a sua criação, mais de 5 milhões de alunos já tiveram contato com as ferramentas, sendo reconhecida como uma das seis tecnologias educacionais mais inovadoras do mundo.

Avanços e oportunidades

No Brasil, o campo de negócios de impacto tem avançado nos últimos anos, com a chegada de novos atores ao ecossistema e fortalecimento de algumas ações, como a criação da Força Tarefa de Finanças Sociais.

Segundo o criador da Vox Capital, o setor viu novas gestoras de patrimônio passando a fazer investimentos em negócios de impacto ou se transformando em “100% de impacto”, como a Wright Capital. Além disso, os fundos de venture capital também tem aumentado a proporção de investimentos para negócios de impacto ou migrando para também serem “100% de impacto”, como a Performa Investimentos.

“O ano de 2017 no país também está sendo marcado pela entrada mais relevante do governo no setor, com envolvimento de diversos ministérios e secretarias no tema, a partir das recomendações feitas pela Força Tarefa de Finanças Sociais do Brasil, que integra também o conselho global para investimentos de impacto, liderado pelo Reino Unido e composto por 13 países membros”, comenta.

Em relação ao movimento global, Antonio Ermínio de Moraes Neto também é otimista e diz que 2017 trouxe alguns movimentos interessantes no mundo dos negócios de impacto. “No cenário internacional, do ponto de vista de investimento (especificamente no chamado investimento de impacto), além de diversas fundações fortalecendo seus investimentos na área (como a de Mark Zuckerberg e as famílias ligadas à rede The ImPact), cada vez mais atores tradicionais têm entrado no setor. Por exemplo, o TPG, um dos maiores gestores de Private Equity do mundo, levantou $1.2 bilhão do patrimônio de seus clientes, entre eles Bono Vox e Richard Branson”, completa o investidor.

Na avaliação de Nina, é preciso disseminar, portanto, ainda mais estas práticas para que de fato possam ganhar escala. E, para isso, será preciso ampliar o investimento, dedicação, conhecimento e apoio aos empreendedores. “Há muito espaço para novos empreendimentos sociais. O setor está se consolidando”, acredita.

Congresso GIFE

Discutir os novos caminhos para a democracia e as possíveis contribuições do investimento social privado também é uma proposta do 10º Congresso GIFE, que será realizado de 4 a 6 de abril de 2008. O tema central desta nova edição do evento será: “Brasil, democracia e desenvolvimento sustentável”.

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas neste link. Até o Congresso, o GIFE irá promover uma série de debates online sobre as temáticas que irão nortear as discussões. O próximo será no dia 28 de novembro, sobre os desafios de doar no Brasil. Faça aqui a sua inscrição e participe.

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