Instituto Estre aposta em iniciativa para fortalecer escolas como espaços educadores sustentáveis

Como forma de apoiar o Programa Dinheiro Direto na Escola – Escolas Sustentáveis (PDDE) e sua missão de promover ações voltadas à melhoria da qualidade de ensino e a adoção de critérios de sustentabilidade socioambiental, o Instituto Estre, com o projeto Escolas Sustentáveis, aposta na reflexão e transformação das escolas em espaços educadores sustentáveis.

O PDDE – Escolas Sustentáveis foi criado em 2009 pela Coordenação-Geral de Educação Ambiental (CGEA), pela Diretoria de Educação Integral, Direitos Humanos e Cidadania da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (Secad/MEC) e pelo Departamento de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente.

O Instituto Estre, por sua vez, oferece formação a gestores, professores, alunos, familiares e representantes da comunidade da rede pública e privada. Heloize Montowski, coordenadora de projetos do Instituto Estre, explica que essas ações têm o objetivo comum de incorporar as ideias da educação ambiental crítica e emancipadora em todas as vias da unidade escolar.

Dessa forma, o Instituto adaptou o programa para que municípios brasileiros possam vivenciar a política pública. A coordenadora conta que a organização aderiu aos três pilares propostos na política e adicionou mais um, formando o conjunto de quatro eixos: Gestão, Edificação, Cidadania e o Currículo da escola.  

Eixos

A proposta do projeto é pensar como três valores – cuidado, integridade e diálogo – podem ocupar os espaços físicos e sociais do ambiente escolar. Em Gestão, os valores são colocados em prática com a criação de mecanismos para garantir e promover mudanças na escola como, por exemplo, ao repensar normas e regras de convivência, ao criar comissões e promover a participação de todos no processo.

Em Edificações, trata-se de um movimento de refletir como a estrutura escolar se adequa ao “dever-ser” educador ambientalista. A Cidadania, por sua vez, integra os valores ao refletir sobre formas de participação das pessoas na vida da escola e as maneiras de respeitar a diversidade e a alteridade, por exemplo. Finalmente, o eixo Currículo propõe incorporar os processos de mudança dentro dos espaços e tempos da escola, criando novas possibilidades de interpretação da realidade e de ressignificar as disciplinas, conectando a realidade vivida com o currículo oficial.

Apesar de cada eixo reunir ações e atividades próprias de suas temáticas, muitas vezes as discussões em uma área interferem na outra, pois qualquer alteração no Currículo, por exemplo, afeta todos os demais eixos.

Encontros de formação

Todo o processo tem início com um convite por parte do Instituto ou por algum órgão público para que as escolas participem do projeto.

Para os “Encontros de Formação” ou “Oficinas de Cocriação” – como são chamadas pelo Instituto -, são convidados diversos atores da comunidade escolar, tendo como princípio o envolvimento de todos no processo de mudança.

Segundo a coordenadora, conforme a evolução do projeto, novas demandas vão surgindo para que as práticas sejam adaptadas. Por isso, uma novidade para 2019 é o fortalecimento da presença e apoio do Instituto Estre nas unidades de ensino.  

“Neste ano, cada escola vai poder realizar a sua oficina de co-criação junto com a equipe do Instituto. No ano passado, existia somente o momento das escolas juntas. Começamos a receber uma demanda do próprio grupo para que fôssemos mais para as escolas. Então terão os momentos individuais em cada escola, mas também estão previstos ao menos dois encontros das instituições no espaço do Instituto, para que possam conversar sobre suas experiências”, comenta Heloize.  

Apesar da mudança, a necessidade de um grupo diverso continua a mesma. “A dinâmica de ter professor, aluno, representante da limpeza, da comunidade escolar, pai, mãe e outros interessados permanece, porque nós entendemos que quanto mais diverso o grupo e quanto mais vozes ele tiver melhor, no sentido de entendimento do projeto e de construção de uma gestão democrática.”

Mesmo seguindo uma metodologia própria do Instituto Estre, a ideia não é aplicar o mesmo modelo em todas as localidades. Isso porque o Instituto acredita que cada escola vive um momento específico, com sua cultura, história e desafios próprios. Por isso, incentiva que as ações dentro do projeto sejam pensadas a partir da realidade particular de cada instituição, sem esquecer do fato que, muitas vezes, diferentes colégios enfrentam desafios semelhantes e podem compartilhar soluções para vencê-los.

“Nós partimos da premissa que as escolas têm tempos e realidades diferentes. Trabalhamos com escolas rurais e outras localizadas em centros da cidade, por exemplo. São realidades bem distintas e desafios que parecem muito distantes, mas podem servir de inspiração a resolução de problemas do outro”, defende Heloize.  

Além dos encontros mediados pela equipe do Instituto, durante todo o percurso as instituições de ensino contam com o apoio de materiais pedagógicos, referencias teóricos, vídeos e outras metodologias que contribuem para a circulação do saber e das práticas, ampliando o entendimento e as experiências de educação ambiental.

Outro objetivo das oficinas de formação, que será mantido em 2019, é a vontade do Instituto de provocar uma mudança na mentalidade da maioria das pessoas sobre a crença de que educação ambiental está ligada única e exclusivamente a temáticas da natureza. “Eu acredito que essa é uma das questões mais fortes que o Escolas Sustentáveis traz. [Dentro do tema], existe a parte de bichos e plantas, mas também trazemos as relações humanas e o que permeia tudo isso, como questões de gênero, política, economia e relações étnico-raciais, por exemplo. Isso porque nós entendemos que a educação ambiental contém esses temas e que o relacionamento entre as pessoas faz diferença na forma como iremos nos relacionar com o meio ambiente. O Instituto Estre não entende isso como duas esferas separadas”, pondera a coordenadora.

Casos

Desde 2011, o Instituto Estre trabalha com o projeto Escolas Sustentáveis. A primeira aplicação do projeto foi uma experiência piloto com duração de um ano em Piracicaba – interior do estado de São Paulo, a partir de uma parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).

Em seguida, entre 2014 e 2016, o Instituto realizou três ciclos do projeto em parceria com a Secretaria Municipal da Educação de Curitiba (PR).

A terceira aplicação do projeto aconteceu em Rosário do Catete, município de Sergipe. O caso foi selecionado pela Iniciativa Empresarial Desenvolvimento Local e Grandes Empreendimentos (ID Local), do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGVces) para ser apresentado em um encontro do grupo, realizado em setembro de 2018.

Realizado desde 2016 no município, o projeto foi possível graças a uma parceria entre o Instituto Estre e a Secretaria de Educação. Com isso, a iniciativa foi aplicada em todas as oito escolas, incluindo as municipais, estaduais e privadas. Segundo dados do Instituto, Rosário do Catete é a localidade que mais apresentou diversidade no envolvimento da comunidade escolar com o projeto.

A quarta localidade de aplicação do Escolas Sustentáveis é o município de Paulínia, no interior de São Paulo. Para 2019, o Instituto Estre pretende manter as atividades em Paulínia e Rosário do Catete.

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