Investidores Sociais de Curitiba se organizam em rede e dão exemplo de articulação

A Rede de Investidores Sociais de Curitiba (RIS) se reuniu mais uma vez na última semana para discutir caminhos e fortalecer o conceito do Investimento Social Privado no Paraná. Participaram do encontro cerca de 25 pessoas, representando organizações sociais e empresas de Curitiba e região. Atualmente, a RIS conta com cerca de 40 organizações, entre empresas, institutos, fundações empresariais e familiares. 

O encontro marcou os dois anos deste movimento que nasceu por iniciativa de investidores regionais com o apoio do GIFE. Hoje, articulada e com governança estruturada, a rede se organiza em frentes de trabalho: Networking, Fomento e Cultura do Investimento Social Privado (ISP); Qualificação Técnica; Advocacy (representação e influência); e Comunicação.

A oportunidade contribuiu para a revalidação de papeis e criação de uma nova estrutura de governança. Agora, a coordenação geral da RIS – que até então era dividida entre Instituto Boticário e Instituto Positivo – conta com mais um agente: a União Marista do Brasil.

Outra novidade é que, a partir desta reunião, cada grupo de trabalho contará com um coordenador. “A ideia é que estas lideranças façam a ponte com a coordenação geral, facilitando processos e otimizando a tomada de decisão”, explica Erika Sanchez Saez, gerente de Articulação e Relacionamento do GIFE, enviada especial para representar a organização no encontro.

Os esforços do grupo este ano serão no sentido de desenvolver ações concretas que elevem o nível da reflexão do investimento social privado a nível regional através dos diferentes grupos de trabalho criados e agora mais estruturados.

“Entendemos que nosso setor é bastante dinâmico e desafiador. Cada organização está em uma fase de gestão. As organizações são muito diferentes em relação a porte, número de colaboradores, foco de atuação, amadurecimento de gestão, atuação do conselho etc. Proporcionar momentos de formação técnica, mas também momentos mais informais de troca entre as organizações, pode ajudar a fortalecer o setor em Curitiba e região”, explica Eliziane Gorniak, diretora do Instituto Positivo.

Adriane Rieke, diretora-executiva do Instituto Purunã, nova na rede, também faz uma avaliação positiva da experiência. “Foi a primeira reunião da RIS que participei. Senti, de fato, o espírito colaborativo. É um grupo interessado em trocar experiências, contribuir com o outro. Senti muita receptividade. E percebi que a colaboração é espontânea e verdadeira. Estamos em um momento de estruturação no Instituto, de definir projetos, dar foco, formar equipe. A contribuição do GIFE no evento foi muito interessante e vi que as linhas de atuação e temáticas trabalhadas são muito próximas dos nossos desafios. Agora quero me aprofundar mais neste espaço que o GIFE oferece.”

 

Experiências, conhecimento e tendências

Concluída a fase de validação da governança da rede, o grupo se dedicou a discutir cenários e futuro. Erika conduziu uma apresentação que destacou o plano de ação do GIFE para 2017 e a série especial desenvolvida pelo redeGIFE sobre Tendências para Investimento Social Privado. Entre outros assuntos, este especial destacou temas como ampliação da cultura da doação, governança e transparência e comunicação de causas.

Outro tema que gerou grande interesse durante a apresentação da representante do GIFE foi o projeto Sustentabilidade Econômica das Organizações da Sociedade Civil, desenvolvido em parceria entre a organização e União Europeia. “Percebi que o grupo sentiu que existe um diálogo entre o a projeto da área de advocacy do GIFE e a atuação local de cada um deles”, avalia Erika.

A percepção da representante do GIFE tem ressonância na fala de participantes do encontro. Ana Gabriela Simões Borges, superintendente do Instituto GRPCOM, avalia que participar de encontros deste tipo é muito importante para qualquer investidor social.

“Partilhar informações sobre os desafios de 2017 nos mais diferentes segmentos, olhar estatísticas e tendências para o Investimento Social Privado foram alguns dos pontos altos do encontro. Gostei muito das reflexões que o GIFE trouxe pra reunião, especialmente da proposta com a União Europeia para fortalecer o Terceiro Setor por aqui. A gente não só participa do encontro, mas leva para o dia a dia uma série de reflexões e perguntas que precisamos nos fazer para nortear a estratégia de investimento. E é por isso que a colaboração e proximidade entre os players do setor são tão importantes. Sinto que a rede avança a cada encontro e que as organizações que a integram vão crescendo junto.”

Adriane Rieke concorda e complementa. “Sabemos que os desafios sociais são muito grandes. Os recursos disponibilizados por famílias, empresas, institutos e fundações para serem aplicados a causas sociais precisam ser cuidadosamente geridos para que alcancem o seu propósito. Quando se atua em rede, o aprendizado se multiplica e se potencializa. No nosso setor, a colaboração faz todo sentido, mas ela só ocorre quando existe confiança entre as partes. E confiança se constrói a partir da relação com o outro, com o compartilhamento de desafios, de oportunidades, de conquistas, de informações etc. Os investidores sociais de Curitiba, ao aceitarem constituir a rede, estavam buscando justamente isso: se associar com outros que vivem desafios semelhantes para, a partir do  apoio mútuo, potencializar o impacto do ISP.”

Atuação em Rede