O que o Investimento Social Privado pode fazer pela Saúde Mental

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o termo Saúde Mental reflete a maneira como uma pessoa se comporta frente aos desafios da vida e como lida com seus pensamentos e sensações. Números da mesma organização mostram que, no Brasil, 2 milhões de pessoas têm depressão, o equivalente a 5,8% da população – 1,4% acima da média mundial.

A pauta se mostrou inadiável com a chegada da Covid-19. Ainda em março de 2020, a OMS apontou a necessidade de enfrentar as consequências psicológicas na população devido ao medo de ser contaminado, do isolamento social e o aumento do desemprego causados pela pandemia.

Frente aos dados e com uma área programática dedicada ao tema, a Fundação Tide Setubal estreou, em janeiro, a série de 12 episódios, É Preciso Falar Sobre Saúde Mental, produzida pelo canal Inconsciente Coletivo e disponível também no Enfrente, canal da instituição no YouTube.

“O momento é de urgência e por conta disso a pauta foi incluída em diversos projetos da Fundação. A pandemia só agravou a situação da saúde mental dos brasileiros”, comenta Tide Setubal, psicóloga, psicanalista, coordenadora da linha de saúde mental e conselheira da fundação.

A proposta, com a série de vídeos, é criar um espaço de elaboração e abrir o debate sobre o assunto. “Em 2021, a situação piorou. Estávamos começando a nos reorganizar e, com a segunda onda, não tendo nos recuperado da primeira, surgimos ainda piores emocionalmente, com muito cansaço e medo. Temos várias realidades psíquicas, mas a sensação coletiva de que todos estamos passando por um momento difícil é algo que nos ampara”, complementa a psicóloga.

O ISP e os projetos de saúde mental nos territórios

Além do âmbito individual, é importante pensar no contexto social brasileiro e em como promover práticas no campo da saúde mental para democratizar e descentralizar a produção de conhecimento e o atendimento psíquico nas periferias.

Pioneira ao tratar o tema, a Fundação Tide Setubal criou o projeto Territórios Clínicos, iniciativa que tem como objetivo apoiar instituições e coletivos que levam atendimento psíquico às periferias e também atuar na formação de profissionais periféricos na área, sobretudo quem enfrenta dificuldades socioespaciais e raciais.

A coordenadora conta que, em 2018, quando teve início a idealização da iniciativa, nenhuma organização do ISP trabalhava diretamente com o tema de Saúde Mental. “Além de nós, hoje temos apenas o Instituto Cactus. Precisamos mudar esse cenário.”

Tide reforça que a pauta pode ser incluída nos eixos dos projetos das organizações, mas também é preciso olhar para dentro. “É importante discutir sobre como melhorar a saúde mental dos colaboradores, como acolher as pessoas e principalmente as mulheres que estão sobrecarregadas na pandemia”, exemplifica. Para a coordenadora, o investimento social privado (ISP) pode contribuir com ações que promovam a melhoria da saúde mental a partir de suas próprias agendas.

“Se a organização trabalha com educação, ela pode fazer uma ação sobre saúde mental com professores. Se trabalha com juventude, pode propor rodas de conversa sobre o tema. Também é essencial que o ISP apoie políticas públicas que incentivem a formação na área, além do apoio a pesquisas sobre o assunto”, conclui.

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