Maioria defende diálogo na educação, mas violência contra crianças persiste, aponta pesquisa  

Por: GIFE| Notícias| 20/07/2026

Crédito: Istock Foto

Embora a maioria dos brasileiros defenda o diálogo como a melhor forma de educar crianças, a violência física e psicológica ainda faz parte da rotina familiar e permanece amplamente naturalizada. É o que mostra a segunda edição da pesquisa Atitudes e percepções sobre a infância e violência contra crianças e adolescentes, realizada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), em parceria com a Quaest.

O levantamento ouviu 2.202 pessoas com 18 anos ou mais, em 128 municípios brasileiros, e evidencia um descompasso entre o discurso e a prática. Enquanto 91% dos entrevistados afirmam que o diálogo deve ser a principal estratégia para corrigir comportamentos infantis, 62% admitem já ter gritado com uma criança, 49% reconhecem ter dado tapas e 27% afirmam ter utilizado objetos para bater. Embora esses índices sejam inferiores aos registrados na edição anterior, realizada em 2023, os resultados mostram que a violência continua presente nas formas de educar.

A percepção de que o problema está se agravando também é ampla: 74% dos brasileiros acreditam que a violência contra crianças e adolescentes aumentou nos últimos anos. Ainda assim, 62% afirmam que não fariam nada ao presenciar uma criança recebendo palmadas ou puxões de orelha em um espaço público, comportamento que reforça a naturalização dessas práticas.

O estudo também investigou como experiências vividas na infância influenciam comportamentos na vida adulta. Os dados indicam que pessoas expostas a práticas punitivas durante a criação tendem a considerar formas mais rígidas de disciplina como aceitáveis e apresentam maior probabilidade de reproduzi-las com crianças. O relatório ressalta, porém, que essa relação não é determinante e que muitas pessoas conseguem romper esse ciclo.

Outro conjunto de resultados aponta desafios para a garantia dos direitos da infância. Embora 93% dos entrevistados afirmem que os estudos devem ser prioridade para crianças, 61% consideram aceitável o trabalho infantil para evitar que elas permaneçam nas ruas, e 71% não conseguem citar nenhuma lei de proteção à infância. Segundo a pesquisa, os resultados podem contribuir para orientar políticas públicas, fortalecer estratégias de prevenção da violência e ampliar o debate sobre a promoção dos direitos de crianças e adolescentes.


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