Mesmo com acordos e medidas existentes, temperatura global deve aumentar 3,2ºC, segundo relatório da ONU

 

Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos está no cerne do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13, conectado diretamente ao Acordo de Paris, que, ratificado por 195 países em 2016, visa unir forças no cumprimento de combinados que amenizem as mudanças climáticas, além de se propor a pensar em estratégias para lidar com as consequências decorrentes das alterações do clima. 

Anualmente, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) divulga o Relatório sobre a Lacuna de Emissões (Emissions Gap Report) e os resultados de 2019 mostram que, apesar de já existirem tecnologias e conhecimento necessários para reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE), atualmente, estima-se que, mesmo com todos os compromissos, o mundo caminha para um aumento de 3,2ºC temperatura, índice muito superior ao limite de 1,5ºC estabelecido pelo Acordo de Paris. 

Em outras palavras, para chegar próximo aos combinados estabelecidos no Acordo, é necessário reduzir as emissões em 7,6% por ano no período de 2020 até 2030. 

G20 dita as tendências  

Os países que integram o G20 – África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Turquia e União Europeia – são responsáveis, sozinhos, por 78% das emissões globais. 

Apesar de o Acordo de Paris ter incentivado que líderes nacionais adotem as Contribuições Nacionalmente Determinadas (CND ou NDC, na sigla em inglês) – documento onde cada nação apresenta o quanto pretende reduzir em suas emissões -, apenas cinco membros do G20 se comprometeram a zerar as emissões. Entretanto, cresceu o número de países, cidades e regiões que adotaram esse compromisso até 2050. 

Descobertas 

O relatório chama de “gap de emissão” a diferença entre o ponto onde o mundo se encontra quando o assunto é emissão de gases na atmosfera e o ponto onde precisaria estar. Uma das principais descobertas do estudo é que, apesar de dados científicos, pesquisas e compromissos políticos, as emissões continuam crescendo. Na última década, a emissão de gases GHG (do inglês Greenhouse gases – os chamados gases de efeito estufa, entre eles metano, dióxido de carbono e óxido nitroso) aumentou no ritmo de 1,5% ao ano. 

A pesquisa também fez uma relação entre crescimento econômico em países membros e não membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o uso de energia primária. Enquanto o crescimento econômico foi muito mais forte em países não membros (4,5% de crescimento contra 2% na última década), a diminuição da quantidade de energia usada em setores de atividade econômica foi semelhante. Por isso, é possível concluir que “um crescimento econômico mais forte significa que o uso de energia primária aumentou muito mais rápido em países não membros.” 

Entre os países que declararam a necessidade de novas medidas para que consigam atingir suas CND estão Austrália, Brasil, Canadá, Japão, República da Coreia e África do Sul. Já China, Índia, México, Rússia, Turquia e União Europeia têm previsões de alcançar os compromissos firmados nacionalmente com as políticas existentes em cada país. 

O relatório menciona que as projeções de emissão no caso do Brasil foram revisadas para cima, ou seja, com aumento de emissões nos relatórios dos últimos três anos, o que pode ser explicado pela tendência crescente de desmatamento florestal, entre outros motivos. 

Confira neste link o relatório completo, em inglês. Nesta página, é possível conferir conteúdos em inglês, português, árabe, chinês, francês, russo e espanhol.

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