No conflito Rússia e Ucrânia, uma criança torna-se refugiada a cada segundo

A cada segundo, uma criança torna-se refugiada no conflito entre Rússia e Ucrânia. No último mês, pelo menos 23 mil pessoas, segundo dados da Reuters. Em cerca de 1.700 edifícios destruídos, mais de 10 mil pessoas foram desalojadas. 

Desde o início do conflito, mais de 3 milhões de pessoas deixaram suas casas para buscar proteção em nações vizinhas. Dessas, metade são crianças. Nesse contexto, James Elder, porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), afirmou que, a cada minuto, 55 crianças fogem da Ucrânia

O cenário acende um alerta para inúmeros temas: uma nova crise migratória na Europa, a dificuldade de adaptação de crianças e mulheres a novos países, idiomas e culturas, e o risco que esse público particularmente sofre de ser vítima de violência, exploração sexual e tráfico humano. 

Além de forças-tarefas e comboios por parte do UNICEF para envio de suprimentos, kits de higiene e materiais hospitalares, também estava previsto um aumento das equipes de proteção para crianças: de nove para 47. 

Consequências de guerra 

Em meio a relatos de cidades sitiadas impedindo a entrada de mantimentos ou saída da população civil, o relatório O Impacto no Desenvolvimento da Guerra na Ucrânia: Projeções Iniciais, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) aponta que a guerra deve empurrar 90% da população da Ucrânia para a pobreza e situações de extrema vulnerabilidade. 

O relatório indica a importância do conflito cessar o quanto antes: caso a guerra continue, estima-se que 30% da população precisará de ajuda humanitária. Em números, isso significaria 250 milhões de dólares por mês para atender, parcialmente, cerca de 2,6 milhões de pessoas que perderam suas rendas.  

Também são necessários investimentos para os países vizinhos à Ucrânia que estão recebendo grande contingente de pessoas. O PNUD está em contato com a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) para realização de medidas de resiliência, desenvolvimento, geração de renda e emprego para ucranianos e moradores da Ucrânia forçados a deixar o país. 

Ajuda internacional 

Algumas instituições estão organizando apoios internacionais para o conflito na Ucrânia. É o caso do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que aceita doações em dinheiro para compra de kits de anestesia, de higiene, de alimentos e de água. 

Também é possível destinar recursos para a Representação Central Ucraniano-Brasileira (RCUB), que, em 19 de março, realizou uma marcha pela paz em Curitiba. No início do mês, a RCUB lançou a campanha Humanitas Brasil-Ucrânia para levantar fundos para ações humanitárias. A iniciativa tem apoio da ACNUR e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). 

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