Nova plataforma estimula debates sobre direitos fundamentais

 

Que mundo você quer construir? A plataforma Brasil de Direitos nasce com a ambição de ajudar a encontrar caminhos viáveis para responder a essa pergunta e contribuir na construção de um mundo mais justo e inclusivo, estimulando debates sobre direitos fundamentais e informando a respeito da importância da sociedade civil organizada para o fortalecimento da democracia. Lançada às vésperas do Dia Internacional dos Direitos Humanos (10 de dezembro) com um vídeo-manifesto, a iniciativa é fruto da parceria entre o Fundo Brasil de Direitos Humanos e organizações de defesa de direitos de todo o país.

O portal é dedicado à defesa e promoção dos direitos humanos por meio da difusão de conteúdos produzidos de forma colaborativa. Grupos, coletivos e ativistas do país todo contam suas histórias, falam sobre os rumos de seus projetos, analisam temas da atualidade e discutem o cenário político brasileiro.

No vídeo-manifesto que marcou o lançamento da iniciativa, seis organizações participantes da Brasil de Direitos contam um pouco de sua história e descrevem os projetos de mundo que se encontram na plataforma.

Cenário atual dos direitos humanos

A plataforma surge em um momento especialmente delicado para o campo dos direitos humanos no Brasil. Em 2017, 57 ativistas foram assassinados no país. Segundo pesquisa do Instituto Ipsos feita a partir de entrevistas em 28 países e divulgada em dezembro de 2018, quase 40% da população global é refratária às discussões sobre direitos humanos. Na opinião dos entrevistados, os únicos que se beneficiam dos direitos humanos são “criminosos e terroristas”.

“A falta de conhecimento é uma das dificuldades a ser enfrentada. De um lado, mais de 20% dos brasileiros dizem se opor à mera existência dos direitos humanos. De outro, as redes sociais se transformam, aceleradamente, em grandes propagadoras de notícias falsas capazes de influenciar a opinião pública e o processo político. Com a Brasil de Direitos, queremos levar ao público informação de qualidade, que se oponha a esse cenário, e que crie a consciência de que direitos humanos protegem todas e todos”, defende Ana Valéria Araújo, superintendente do Fundo Brasil de Direitos Humanos.

Para a superintendente, a legitimidade da iniciativa está nas vozes que a constroem. “Boa parte dos conteúdos publicados na Brasil de Direitos é produzida por organizações de base, que atuam na ponta, desenvolvendo projetos de defesa de direitos em todo o país. Graças a isso, elas detêm conhecimento vasto sobre os assuntos de que falam e sobre suas realidades locais. Trata-se de um espaço com pluralidade de vozes que falam com conhecimento de causa.”

Por dentro da plataforma

O site é dividido em duas grandes áreas: um ambiente público, acessível a todos os interessados na temática dos direitos humanos. E uma área restrita. Na primeira, estão disponíveis notícias, artigos, informes sobre eventos e uma relação das organizações que participam do projeto. São grupos que lutam contra o racismo, pelos direitos de mulheres, populações indígenas e LGBTI+, que debatem temas de grande relevância como encarceramento em massa e os direitos dos migrantes. Todo o conteúdo é publicado sob a licença Creative Commons, podendo ser reproduzido, desde que citada a fonte. A Plataforma conta com uma newsletter quinzenal. Para recebê-la, basta cadastrar-se. Já na área restrita, acessível por meio de um login, os membros das organizações apoiadas pelo Fundo Brasil podem trocar informações de maneira segura. Com isso, o site pretende ser um instrumento capaz de facilitar o diálogo e o trabalho em rede entre grupos dispersos por todo o país.

Futuro

O projeto ainda dá seus primeiros passos, mas as expectativas são grandes. A Brasil de Direitos ambiciona se tornar um grande catalisador de discussões e uma referência no campo dos direitos humanos. “Ao longo dos próximos meses, queremos ampliar o número de organizações parceiras que participam da plataforma: hoje são 24. Esse esforço é importante porque pretendemos que a Brasil de Direitos seja cada vez mais plural, de modo a abrigar, inclusive, vozes dissonantes, que tenham em comum a defesa irrestrita dos direitos humanos, mas que possam divergir em termos de métodos e leitura política”, observa Ana Valéria.

Outra expectativa é que a plataforma ajude a dar visibilidade ao trabalho de organizações de base dispersas pelo país. “Nesse sentido, pensamos em uma série de atividades, algumas ainda em planejamento, desde ações nas redes sociais até a criação de um guia de fontes para a imprensa, com contatos de organizações do terceiro setor.”

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