Novo associado ao GIFE, Instituto Iguá de Sustentabilidade propõe atuação conjunta no setor de saneamento

Educação e saúde são dois temas muito debatidos em diferentes contextos, sobretudo o político. Água e saneamento, entretanto, apesar de serem fundamentais para o desenvolvimento saudável de uma sociedade, não são abordados com a mesma frequência. O Instituto Iguá de Sustentabilidade, novo membro do time de associados GIFE, nasceu com a proposta de, usando inovação e educação para o desenvolvimento sustentável, contribuir para a universalização do saneamento no Brasil. 

Renata Moraes, diretora presidente do Instituto, explica que sua criação ainda recente, no segundo semestre de 2018, deve-se à vontade da Iguá Saneamento, empresa mantenedora do Instituto de influenciar positivamente o setor. Além disso, ressalta que essa é uma área crítica no Brasil, uma vez que 17% da população brasileira não têm acesso a água tratada e 48% de pessoas não têm acesso a coleta de esgoto.  

“É uma realidade que não fica explícita  no dia a dia principalmente nas grandes cidades, mas praticamente metade da população brasileira vive com esgoto a céu aberto – e isso por si só traz uma série de problemas de saúde, educação, produtividade -, ou com soluções como fossas. Sendo que a grande maioria faz as fossas de forma inadequada, inclusive contaminando o próprio lençol freático da água que estão consumindo”, afirma Renata.

A diretora explica que esse grau de defasagem do setor prejudica diferentes esferas da vida dos indivíduos, com destaque para as crianças. Brincar em meio a esgoto a céu aberto facilita a contração de doenças, o que leva à sobrecarga do sistema público de saúde. “Quando a criança é pequena, o corpo usa muita energia para o desenvolvimento das sinapses. Uma pessoa constantemente doente, seja com viroses ou diarréia, drena a energia que deveria ir para o desenvolvimento. Pensando coletivamente, é o potencial de um país que é prejudicado.”

Segundo o Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), seriam necessários aproximadamente R$ 508 bilhões para universalizar o acesso aos quatro serviços de saneamento: água, esgoto, resíduos e drenagem, entre 2014 a 2033. “É uma coisa tão estratosférica, não só pela questão do dinheiro, mas por ser um setor que envolve um sistema de stakeholders muito complexo. Então para atuar em saneamento é preciso unir recursos e vários atores. Sendo assim, já nascemos com isso no DNA.”

Pilares

Para contribuir com o desafio complexo de promover o acesso a saneamento básico a todos os brasileiros, o Instituto aposta em dois pilares: inovação e educação. Em relação ao primeiro, Renata explica que o setor ainda funciona da mesma forma há muitos anos. Por isso, apoiar e desenvolver novas soluções, mais modernas e tecnológicas, é um caminho para dar saltos de impacto e avançar na questão da universalização.

Já no quesito educação, a vontade do Instituto é levar o tema para mais perto da população de forma geral, uma vez que a questão do saneamento é pouco trabalhada ou é tratada de forma superficial nas escolas. “Temos uma visão de médio a longo prazo de contribuir para o desenvolvimento de uma sociedade mobilizada, consciente sobre o funcionamento do ciclo da água e do esgoto, e de como cada um tem um papel fundamental nisso. A partir do momento que você entende essas questões, você reflete sobre seu comportamento e também passa a reivindicar providências nesse campo. Queremos empoderar a sociedade para que ela seja mais consciente e tenha um papel mais ativo de cobrança nesse cenário.”

Aliança Água + Acesso

Participar da Aliança Água + Acesso foi a forma que a organização encontrou de atingir seus objetivos. Lançada em 2017, a Aliança é uma união de forças de 14 organizações que tem o Instituto Iguá e o Instituto Coca-Cola como co-investidores, operação gerida pela Fundação Avina e apoio técnico de organizações especialistas como o WTT e o Instituto Trata Brasil.

Juntas, as organizações visam contribuir para ampliar o acesso à água e saneamento à comunidades rurais de forma sustentável, promovendo tecnologias inovadoras e modelos de gestão comunitária que viabilizem sua continuidade.

Renata explica que os recursos investidos são destinados à construção ou revitalização de pequenos sistemas de tratamento de água e distribuição para áreas rurais em todo Brasil, que não são atendidas pelo sistema oficial de saneamento. “Se olharmos para o mapa do Brasil e analisarmos o que está no escopo das companhias de saneamento, sejam públicas ou privadas, vemos bolsões onde é difícil chegar com todo o sistema de encanamento. Ao invés de fazer todo esse sistema, criamos soluções menores e mais locais que, uma vez instaladas, são geridas pelas próprias associações comunitárias.”

Para que todo esse processo aconteça, o programa é estruturado em três frentes de atuação. Em infraestrutura, acontece de fato a construção ou revitalização de pequenos sistemas. Também é nessa frente que é realizado um trabalho de prospecção de inovação, com seleção de soluções de menor custo e sustentáveis.

Na segunda frente, a Aliança estimula modelos de gestão comunitária. “Uma vez que investimos, construímos ou reformamos essas estações, precisamos que a comunidade faça a gestão dessa estrutura porque a ideia do programa não é que a Aliança continue bancando as soluções. Temos uma frente de ações voltada a mobilizar a comunidade para ajudá-la a se organizar para tocar o sistema. A população divide as tarefas, como a de monitoramento da qualidade da água, e também cobra um valor simbólico dos moradores para manter o sistema. Com isso a comunidade se apropria e passa a ter um comportamento de consumo mais sustentável”, afirma Renata.  

O treinamento e capacitação dessas pessoas são realizados por organizações parceiras da Aliança. Ao todo são nove: Sistema Integrado de Saneamento Rural do Ceará (SISAR-CE); Central – Bahia; Projeto Saúde e Alegria; Fundação Amazonas Sustentável (FAS); Associação de Produtores Rurais de Carauari (ASPROC – AM); Cáritas Diocesana de Pesqueira — PE; Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD); e Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção Espírito Santo. 

O terceiro pilar trata da vontade de dar mais visibilidade à causa e influenciar políticas públicas para o saneamento como um todo. Em dois anos de atividade, a Aliança conseguiu atender 100 comunidades e beneficiar cerca de 40 mil pessoas. Entretanto, Renata ressalta que o número ainda é baixo se comparado às 20 milhões de pessoas que moram em áreas rurais e não têm acesso a saneamento, ou às 35 milhões, contabilizando área urbana e rural. “Nós precisamos de mais gente e mais medidas de impacto de escala para poder ter saltos nessa questão. E acredito que o trabalho com políticas públicas e inovação é para que, ao invés de crescer gradativamente, possamos passar de 40 mil beneficiados para um milhão, por exemplo.”

Associação ao GIFE

A diretora do Instituto ressalta que participar do GIFE é uma oportunidade da organização atingir seu propósito de trabalhar conjuntamente para a causa do saneamento no Brasil. “Nós já nascemos com esse desenho, essa vontade de trabalhar junto. Somos uma organização que quer construir iniciativas coletivas de impacto social focando na causa e com uma atuação multissetorial. Nesse sentido, o GIFE é muito estratégico para que possamos identificar outros atores e criar arranjos entre diferentes setores.”

Segundo Renata, poder apresentar a visão do Instituto Iguá para organizações e pessoas interessadas e ligadas a causas diversas e convidá-las para o movimento são os pontos fortes do processo de associação ao GIFE.

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