Pelo segundo ano, Fundação Amazonas Sustentável integra Guia das 100 Melhores ONGs do Brasil

Anualmente, o Instituto Doar publica um guia com as 100 Melhores ONGs do Brasil nos quesitos gestão, transparência e planejamento. Essa é uma das formas que a organização encontrou para trabalhar por sua missão de promover e ampliar a cultura de doação no Brasil.

Com apoio técnico do Centro de Estudos em Administração Pública e Governo (CEAPG) , da Consultoria Jr. Pública (CJP) e da Fundação Getulio Vargas (FGV SP), a seleção é feita com base em cinco critérios: causa e estratégia de atuação, representação e responsabilidade, gestão e planejamento, estratégia de financiamento e comunicação e prestação de contas. Dessa forma, espera-se que a lista das melhores organizações da sociedade civil (OSCs) possa ser utilizada para que a população escolha para quem e para quais causas quer doar seu dinheiro ou tempo.

Na última edição do guia, lançada em 2018, quatro associados ao GIFE integraram a publicação. Para compartilhar os principais pontos que levaram cada organização a figurar na lista e, assim, disseminar aprendizados e conhecimentos sobre estes processos, o RedeGIFE irá publicar uma série de matérias a respeito.

A primeira é sobre o trabalho da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), associada ao GIFE desde 2011. Criada em 2008 pelo Banco Bradesco em parceria com o Governo do Estado do Amazonas, a FAS é uma organização não governamental com a missão de promover o desenvolvimento sustentável, a conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida das comunidades ribeirinhas do Amazonas.

Eduardo Taveira, superintendente técnico-científico da FAS, explica que a organização atua na chamada ‘Amazônia profunda’, em 16 Unidades de Conservação (UC), juntamente a comunidades ribeirinhas e indígenas. “Com a promoção de políticas públicas, ajudamos o estado e as prefeituras a levar educação e saúde de uma maneira contextualizada para essa realidade. Somos uma organização não governamental ambientalista que pensa primeiro nas pessoas, uma vez que nosso objetivo geral é trabalhar com cadeias produtivas sustentáveis para reduzir o desmatamento, mas acima de tudo gerar melhoria da qualidade de vida dos ribeirinhos. Temos tido bastante sucesso em conectar o desenvolvimento comunitário social e a conservação da floresta.”

O superintendente argumenta que estar na lista pelo segundo ano, para além do reconhecimento, é uma oportunidade de a FAS ter mais visibilidade, já que, apesar de ser uma organização grande, ainda encontra dificuldades em, por exemplo, ter acesso às comunicações que acontecem no Sul e Sudeste do país. “Há uma concentração dos investimentos de impacto social nas regiões Sul e Sudeste, ao mesmo tempo em que temos grandes desafios na conservação da floresta Amazônica, o maior bioma do país. O guia nos ajuda nessa visibilidade e na conexão com instituições que tenham interesse em fazer um investimento privado com impacto social, trazendo resultados numa área estratégica para o Brasil como um todo.”

Causa e estratégia

No primeiro critério de seleção, “Causa e estratégia”, Eduardo reforça a complexidade de atuação da FAS, uma vez que sustentabilidade não se restringe à questão ambiental e engajar as pessoas em causas difusas exige esforços de comunicação, por exemplo. Uma estratégia é trazer as pessoas para perto a partir do envolvimento e empoderamento das comunidades, para que elas tenham um planejamento de seus próprios futuros e a FAS possa fazer a conexão com os doadores, a fim de que os recursos cheguem sem inúmeros intermediários, objetivando um impacto maior.

“Eu acredito que um dos pontos positivos da FAS é estar presente fisicamente nas áreas remotas, mas também apostar no empoderamento das comunidades para que elas possam andar com as suas próprias pernas. Alguns dependem mais e outros menos, mas a ideia é ter um acompanhamento do impacto, tanto que algumas associações de Unidades de Conservação já captam seus próprios recursos e realizam seus projetos.”

Representação e responsabilidade

Aportar capital de conhecimento para ajudar no aprimoramento da gestão das associações comunitárias nas UCs da Amazônia é o principal ponto a ser destacado em representação. O trabalho tem gerado bons resultados já que, segundo Eduardo, a partir de processos de construção de identidade de lideranças em grupos de gestão, a FAS tem monitorado a capacidade que essas instituições locais e comunitárias têm de influenciar as políticas do seu município em favor das Unidades de Conservação.

“Um dos resultados desse processo de formação para lideranças é que já temos exemplos de lideranças comunitárias que são vereadoras do município, representando suas comunidades. Além disso, a FAS tem ocupado várias posições de tomada de decisão e influência de políticas públicas para melhoria da qualidade de vida das populações, como a participação no Conselho Estadual de Meio Ambiente, de Educação Ambiental, de Educação, de Educação do Campo. Então, também passamos por um papel interno de participação em áreas estratégicas para definir quem pensa nas políticas públicas dessas localidades.”

Gestão e planejamento

Eduardo ressalta que a Fundação tem feito investimentos recorrentes em um sistema de gestão eficiente, o que contribuiu, por exemplo, para que a organização tenha um índice de execução de recursos alto, em torno de 92 a 95% do planejado. A aposta em uma auditoria, que no caso da FAS acontece duas vezes por ano, também é um ponto de credibilidade no momento de captar recursos.

“Recentemente contamos com apoio no desenvolvimento de um planejamento de longo prazo, chamado FAS 2030, que coincide com a Agenda 2030 da ONU [Organização das Nações Unidas], onde os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável [ODS] têm uma conexão direta com os nossos indicadores. Entre as várias metas de entrega está um gráfico com indicadores para a criação de comunidades ideais, onde podemos inclusive avaliar em que ‘estágio de comunidade ideal’ está cada comunidade apoiada pela Fundação.”

Estratégia de financiamento

A principal aposta da FAS para captação de recursos é junto a fundos internacionais, sobretudo devido à visibilidade que a floresta tem globalmente. “Mesmo fundos nacionais, como o Fundo Amazônia, estão vinculados a uma estratégia do governo federal de compensação dos créditos de carbono que a Noruega, por exemplo, de maneira voluntária, compensa ao Brasil via BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] e Fundo Amazônia.”

Comunicação e prestação de contas

A comunicação divide-se em comunicação dos resultados e comunicação da causa da Fundação. Eduardo destaca que a FAS tem um código de conduta rigoroso do ponto de vista do compliance em relação à prestação de contas e tem reforçado essa estratégia no controle do uso dos recursos. Uma das formas de mostrar essa seriedade sobre os recursos que chegam à Fundação é a elaboração de materiais em inglês, português e espanhol, além de ocupar espaços na mídia nacional com notícias dos impactos de ações desenvolvidas na Amazônia.

“Temos retomado a participação dentro do GIFE, levando essas grandes fundações a pensarem a Amazônia a partir da perspectiva integrada aos problemas gerados no Sul e no Sudeste. Por exemplo, como conservar a floresta gera água para os grandes centros. Então, fazer uma conexão maior entre Amazônia e Brasil e manter uma divulgação dos nossos resultados, ao mesmo tempo que ampliamos a estratégia de comunicação com parceiros que têm identidade semelhante, mas que atuam há mais tempo, como a SOS Mata Atlântica.”

Além disso, Eduardo ressalta que apesar de a comunicação dos impactos (que envolve a área técnica) e a comunicação efetiva dos resultados (que envolve a comunicação social da instituição) serem diferentes, estão cada vez mais integradas. “Cada vez mais o nosso relatório financeiro é um relatório de gestão integrada, que dá conta não só do ponto de vista da execução dos recursos, mas também dos impactos da ação.”

Receber reconhecimentos e premiações é uma parte da estratégia de divulgação dos resultados da FAS. Em 2016, a Fundação foi a vencedora do Prêmio Calouste Gulbenkian, da Fundação portuguesa homônima. No ano seguinte, a FAS foi reconhecida como a melhor organização da sociedade civil da região Norte no Guia das 100 Melhores ONGs do Brasil.

“Ser selecionado pelo segundo ano entre as 100 melhores ONGs consolida toda a nossa trajetória de 10 anos, aponta caminhos importantes e novos financiadores para projetos que garantimos impacto e estimula organizações menores, pois mostramos que é possível trabalhar no terceiro setor no Amazonas de maneira séria, com critérios, boa gestão e entrega de resultados”, destaca o superintendente.

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