Plataforma Clima e Desenvolvimento, campanha #EngajaNasEleições e a reta final do período eleitoral

O Instituto Clima e Sociedade (iCS) é uma organização filantrópica que promove prosperidade, justiça e desenvolvimento de baixo carbono no Brasil. O Instituto atua como uma ponte entre financiadores internacionais e nacionais, fomentando projetos de parceiros locais. O iCS pertence a uma ampla rede de organizações filantrópicas dedicadas à construção de soluções para a crise climática.

Enquanto estávamos em contagem regressiva para o primeiro turno das eleições, o Engajamundo já organizava múltiplas articulações e campanhas por todo Brasil com o objetivo de conscientizar e inspirar os jovens brasileiros sobre a representatividade política. A rede conta com aproximadamente 200 voluntários locais ativos em 19 estados do país, fez – e continua a fazer – mobilizações cruciais durante o atual período eleitoral, fortemente marcado por uma densa polarização e intensas discussões.

Quem segue o Engajamundo nas redes sociais provavelmente acompanhou o lançamento de pequenos vídeos produzidos por jovens de diferentes lugares do Brasil. A pergunta-chave O que você quer que seu candidato/candidata defenda? alertou o que os ativistas desejavam cobrar do legislativo, problematizando pautas urgentes como a mobilidade urbana, igualdade racial, demarcação de terras, desmatamento nas florestas, redução das desigualdades, os efeitos diretos das mudanças climáticas em populações mais vulneráveis, mulheres indígenas – entre outras mais.

 

A iniciativa nasceu dentro da rede do Engajamundo e envolveu jovens em direção à mudança de narrativa e na promoção de um debate qualificado para transformar as histórias que têm sido contadas. O foco, então, era problematizar a falta de representatividade na política por meio da educação política, além de fomentar o envolvimento dos jovens nos processos eleitorais. Essa campanha foi co-criada com 82 jovens voluntários das cinco regiões do Brasil. Foi um exercício de escuta das  suas perspectivas e valorização das suas vontades de colocar a “mão na massa” para incentivar outras vozes ao questionamento dos seus candidatos a respeito dos temas que mais impactam suas realidades pessoais e de suas comunidades

O resultado da campanha #EngajaNasEleições fez sucesso não apenas nas redes sociais, mas aproveitou o ensejo do lançamento da plataforma Clima e Desenvolvimento, fruto de uma parceria realizada entre o Moving Foward,  ClimaInfo, Observatório do Clima, com o apoio do Instituto Clima e Sociedade. O objetivo do dispositivo digital visava a análise dos programas dos principais presidenciáveis em relação aos temas de energia elétrica, transporte e combustíveis, florestas e agricultura, adaptação climática, desenvolvimento e economia. Saiba mais sobre a plataforma aqui!

Plataforma Clima e Desenvolvimento

Confira também alguns dos vídeos de cada temática apresentada!

“Para além de se candidatar e se envolver nas políticas institucionais, os jovens têm buscado outros tipos de ferramentas que os permitam compreender o cenário político e as propostas políticas localizadas em suas realidades” – Mathaus Torres, coordenador do Engajamundo

Mudanças Climáticas: o que esperar após o segundo turno das eleições?

Durante um debate nas prévias para a escolha do candidato à presidência do partido democrata americano em 2015, os interessados foram questionados pelo mediador sobre qual seria a maior ameaça para a segurança nacional dos Estados Unidos. Todos os candidatos deram respostas citando o oriente médio, com exceção do senador Bernie Sanders que, cirurgicamente, respondeu: as mudanças climáticas. Embora a resposta não tenha mudado os rumos do debate (e tampouco o desfecho das eleições estadounidenses), ela representou um importante sinal de como a crise climática global tende a surgir em discussões políticas – não apenas como uma agenda de meio ambiente, mas também de segurança pública. Desde então, chegamos em um consenso mundial através do Acordo de Paris que começa a valer em 2020 (apesar de Trump ter iniciado a saída do próprio EUA do acordo).

Os governantes e governantas  que irão assumir a direção do país em 2019 serão as primeiras a trabalhar com a vigência do Acordo de Paris.  Elas terão a missão de criar mecanismos que garantam ao Brasil reduzir suas emissões conforme as metas apresentadas à ONU – tudo isso sem diminuir seu vacilante crescimento econômico (algo que em tempos de crise global na economia pode parecer pouco – ou nem um pouco – atraente). Além disso, o Brasil tem grande importância política quando o assunto é clima. Na última Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 23), nosso país se ofereceu como sede do evento que acontecerá no último trimestre de 2019. Já houve aprovação orçamentária do Congresso Nacional, contudo, ainda falta a confirmação formal da indicação pelos outros países – o que deverá ocorrer na COP 24, na Polônia em dezembro deste ano.

Não faltam motivos para que as mudanças climáticas fossem temas centrais das eleições deste ano, mas ainda é cedo para saber o espaço que essa pauta terá nas realizações eleitorais. O que já sabemos é que grande parte da discussão eleitoreira está focada na atual polarização e crise política, retirando o espaço necessário para qualificar o debate em temas que gerem menos comoção social imediata, como as mudanças climáticas.

Apesar disso, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) já manifestou que, caso eleito, irá retirar o Brasil do Acordo de Paris, esperando capitalizar apoio de negacionistas climáticos e setores que lucram com as emissões – a mesma estratégia usada por Trump antes de ser eleito em 2016. Se isso vai funcionar por aqui, nós não sabemos. A consciência que temos é de que, atualmente, os maiores lucros das emissões no país são dos que detêm o maior poder político no congresso, e que seu apoio será determinante nos resultados das eleições do próximo domingo (28/10).  No meio desse turbilhão de tensões em que o Brasil se encontra, é essencial que a sociedade organizada esteja sob alerta para que a agenda do clima seja prioridade nesse processo democrático, uma vez que um dos maiores desafios contemporâneos é o enfrentamento das mudanças climáticas e quem quer que assuma em 2019 precisa estar comprometido com as metas estabelecidas no Acordo de Paris para que todas elas sejam realizadas.

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