Plataforma F20 reúne fundações do mundo todo para discutir a Agenda 2030

 

Desenvolver um plano de ação para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que as pessoas alcancem a paz e a prosperidade no mundo não é tarefa simples e, portanto, impossível de se conquistar apenas com ações pontuais ou assumidas pelos governos. Por isso, garantir a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, que contém o conjunto de 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – assumidos por 193 Estados-membros da ONU, inclusive o Brasil – requer um esforço e responsabilidade conjunta.

Com um olhar atento sobre a importância dessa ação colaborativa, um grupo de fundações decidiu atuar, durante a realização da cúpula do G20, realizada nem Hamburgo, na Alemanha, em julho do ano passado. Isso porque, na ocasião, os líderes das maiores economias do mundo discutiram sobre os desafios e desenvolvimento futuro, ao mesmo tempo que decidiram sobre atividades e planos de implementação da Agenda 2030 e do Acordo do Clima de Paris. Surgia assim a plataforma F20.

Durante a reunião, o grupo lançou a primeira publicação: “Energia Renovável, Ação Climática e Sociedades Resilientes: Acelerando a Mudança de Paradigma Global e Local” e, na COP23 (23a Conferência do Clima das Nações Unidas), organizou uma reunião sobre o tema.

Em pouco tempo, a plataforma se consolidou com a participação de 45 fundações da Europa, Estados Unidos, Ásia e com a incorporação da Fundación Avina (como uma das organizações do comitê diretivo), FARN – Fundación Ambiente y Recursos Naturales, Instituto Arapyaú e, recentemente, o Instituto Clima e Sociedade, na América Latina.

O objetivo é estabelecer um diálogo aberto com os governos dos países mais industrializados e outras partes interessadas, a fim de destacar soluções e exemplos de transformação positiva para o desenvolvimento sustentável. Isso também inclui a identificação de potenciais barreiras a essa transformação, bem como a motivação e inclusão de outras instituições para iniciar processos de progresso e mudanças.

“A Agenda 2030 é uma agenda multi-ator. Os debates globais promovidos apenas no nível governamental mostraram-se ineficazes. A sociedade civil oferece uma visão e capacidade de análise crítica sobre quais são os principais problemas que devem ser enfrentados e como as organizações podem servir como um guia e indicador do que está sendo feito em cada um dos países. Não estar na Agenda de 2030 significa não ter um foco no debate global. As organizações da sociedade civil, em suma, têm um papel crucial na implementação da agenda e dos ODS, pois trabalham com a perspectiva de monitoramento e impacto, bem como com os olhos na cidadania”, ressalta Fernando Rueda, diretor de Alianças Estratégicas da Fundación Avina.

Alice Amorim, coordenadora de portfólio de política climática e engajamento do Instituto Clima e Sociedade, lembra que tanto a Agenda 2030 quanto o Acordo de Paris são agendas de desenvolvimento e, portanto, não estão inseridas apenas no espectro no movimento ambientalista, por exemplo. São, na verdade, modelos de desenvolvimento e, como tal, instrumentos fortes para materializar todos os desejos de uma sociedade mais justa e prospera que a sociedade civil tem lutado há tanto tempo.

“Elas são guias para que as próprias fundações e institutos possam priorizar suas ações e, como trazem metas e diretrizes, também se tornam estratégicas para que possam comunicar de maneira mais global o trabalho que vem sendo”, completa a especialista.

Atuação

A plataforma F20 definiu como papel e principais funções do grupo ser um facilitador e construtor de pontes entre os atores não-estatais, como empresas e organizações da sociedade civil, governos e instituições filantrópicas, assim como ser uma caixa de ressonância para fundações dentro e fora do G20, principalmente em questões particulares relacionadas às mudanças climáticas, energia e espaço de encolhimento para muitas organizações da sociedade civil.

Além disso, o F20 pretende ser uma plataforma global de aprendizagem para melhorar a cooperação, interligar fundações globais e sugerir uma variedade de oportunidades mútuas. A ideia é concentrar esforços em torno de dois grandes focos: 1. Atividades econômicas sustentáveis e inclusivas que visam à descarbonização e a intensificação das energias renováveis ​​e da eficiência energética, assegurando comunidades e ecossistemas resilientes ao clima; e 2. Enfatizar o papel da sociedade civil dentro deste processo e assegurando seu envolvimento em assuntos de governança global fora e dentro das Nações Unidas.

Em 2018, os esforços a plataforma F20 irão se concentrar em consolidar a rede em escala global e convidar novas organizações de todos os países do G20 a fazerem parte da iniciativa. Fernando Rueda destaca que também estão sendo planejadas uma série de reuniões em torno da Cúpula de 2018, a ser realizada na Argentina, em novembro. Até lá, o secretariado da F20 irá promover um encontro com representantes dos governos, seguido de um evento para cerca de 150 convidados, em Buenos Aires.

Serão produzidos também diversos documentos de posicionamento para o G20 e outros grupos de defesa. A proposta será discutir a importância de se direcionar recursos financeiros globais para uma economia verde e sustentável, por meio de estudos de caso bem sucedidos e análise dos fluxos financeiros internacionais. Os resultados do ano de trabalho também serão expostos na COP 24.

No Brasil, Instituto Clima e Sociedade, Fundación Avina e Arapyaú pretendem desenvolver uma série de ações para mobilizar e engajar outros institutos e fundações nesta plataforma, como encontros para trocas de experiências e dar visibilidade às boas práticas que já vem sendo desenvolvidas no país. Para participar, os interessados devem se ater à Carta de Princípios (veja detalhes no site do F20) e podem também entrar em contato com o Instituto Clima e Sociedade para obter mais informações.

A participação do F20 pressupõe que as instituições também divulguem materiais do F20, como publicações, declarações conjuntas etc. e reconheçam seu compromisso pessoal de aumentar os esforços de sustentabilidade dentro de seu próprio contexto organizacional (por exemplo, desinvestir o capital dos combustíveis fósseis e, em vez disso, investir em soluções de energia renovável).

Segundo Alice, até a reunião da Cúpula em novembro, o grupo irá monitorar como o governo brasileiro está se posicionando sobre o tema, fazendo incidência para que estas agendas sejam priorizadas. Caso tenha alguma mudança de curso, serão promovidas mobilizações. “Trata-se de uma grande oportunidade para os institutos e fundações participarem de uma iniciativa como esta, pois é um grupo muito heterogêneo, com fundações turcas, japonesas, alemães etc. que veem na plataforma um espaço de troca de experiências e conhecimentos neste campo”, comenta.

“A participação das organizações brasileiras é fundamental, juntamente com outras forças das organizações latino-americanas, na medida em que uma visão global pode ser fornecida a partir do Sul, algo extremamente necessário. Esta é uma rede global de fundações com objetivos compartilhados de um ponto de vista mais disruptivo e com a capacidade de mostrar maiores riscos assumidos, para acelerar as mudanças e a escala em direção à descarbonização, bem como um avanço mais rápido em direção à realização dos ODS”, completa Fernando.

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