Pesquisa aponta queda no engajamento em atividades cívicas, doações e voluntariado

A pandemia teve um efeito direto na segurança da renda familiar nos lares brasileiros. O aumento do nível de incerteza durante esse período pode ter afetado a generosidade e, com isso, ter contribuído para diminuir os níveis de doação no Brasil. É o que mostra a pesquisa Brasil Giving Report 2021, realizada por Charities Aid Foundation e Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS). 

Em sua quarta edição, a pesquisa compara o cenário da doação no país em 2020 e em 2019. Entre os principais achados, está a queda da atividade de doação e voluntariado de 78% em 2019 para 72% em 2020. 

Houve uma inversão entre as principais áreas escolhidas para doação. As causas religiosas continuaram ocupando o primeiro lugar escolhido pelos doadores (43%), com inversão entre a segunda e terceira posição. Combate à pobreza subiu de 30% para 37%, e crianças e jovens teve queda de 39 para 32%. 

Engajamento 

A pesquisa mostrou que a pandemia de Covid-19 provavelmente afetou o engajamento das pessoas. Caiu de 62% para 56% a taxa dos respondentes envolvidos em pelo menos uma atividade cívica listada pelo levantamento, como assinar uma petição, participar de uma consulta local ou de uma manifestação, entre outras. Ao mesmo tempo, aumentou de 28% para 44% a porcentagem daqueles que afirmam não participar de nenhuma ação. 

Percepção sobre as organizações da sociedade civil

O estudo também buscou entender como a população enxerga o trabalho desenvolvido por organizações da sociedade civil (OSCs). Se em 2019, 79% acreditavam que as instituições tinham um impacto positivo especificamente na comunidade local, essa percepção caiu para 67% em 2020. No Brasil como um todo, a percepção passou de 83% para 74%, seguindo a mesma tendência de queda a nível internacional, de 85% para 73%. 

Quando o assunto é confiança nas OSCs, organizações estrangeiras levam vantagem sobre as brasileiras. 34% dos respondentes confia em organizações nacionais, ao passo que 42% confiam nas internacionais.

Doações em função da pandemia 

67% dos respondentes afirmaram que fizeram um ato de doação como resposta direta à pandemia. 37% doaram dinheiro ou bens para organizações ou serviços comunitários. A pesquisa também observou que determinadas faixas etárias são mais propensas a um tipo de comportamento. Pessoas com mais de 55 anos, por exemplo, tendem a doar dinheiro para amigos, familiares ou para a comunidade local, enquanto adultos mais jovens são mais propensos a doar para uma OSC e usar as mídias sociais para apoiar outros. 

O estudo completo está disponível neste link.   

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