Rede em Pernambuco promove a valorização de produtos orgânicos e agroecológicos

Projeto atende agricultores familiares de 14 municípios, contribui para o fortalecimento da Rede e suas organizações, a partir da ampliação
dos canais de comercialização e fortalecimento da relação com os consumidores

Ampliar os canais de comercialização da Rede Espaço Agroecológico, a partir da qualificação dos produtos agroecológicos e orgânicos, mobilizar o maior número de agricultores familiares com o desenvolvimento de novos empreendimentos e promover o empoderamento e a auto-organização política e econômica de mulheres e jovens da Rede. Esses são os principais objetivos do projeto Rede Espaço Agroecológico: Campo e Cidade construindo o Bem Viver, do Centro de Desenvolvimento Agroecológico Sabiá.

O projeto foi selecionado no Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo – Ecoforte, uma parceria da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e recebeu o investimento social de R$ 496 mil para beneficiar 237 agricultores/as familiares de 14 municípios pernambucanos: Recife, Olinda, Paulista, Abreu e Lima, Igarassu, Itamaracá, Jaboatão dos Guararapes, São Lourenço da Mata, Camaragibe, Vitória de Santo Antão, Chã Grande, Feira Nova, Bom Jardim e Lagoa do Itaenga.

A comercialização dos produtos será feita por meio de dois empreendimentos da Rede: o Grupo de Consumo Responsável (GCR) – uma iniciativa gerida por um coletivo de agricultores/as e consumidores que busca promover relações solidárias entre quem produz e quem compra, de modo que os produtos comercializados sejam valorizados pelos efeitos benéficos desse circuito sobre o meio ambiente, a economia local e as pessoas; e a Agroecoloja, um negócio social criado pela Rede Espaço Agroecológico e pelo Centro Sabiá, onde a população recifense pode encontrar em horário flexível, alimentos agroecológicos provenientes da própria Rede e de outros parceiros do campo agroecológico de todo país.

Além de uma loja física na cidade de Recife (PE), o escoamento da produção também acontece por meio das cinco feiras que a Rede possui. Nesses espaços os consumidores encontram uma grande variedade de produtos agroecológicos e orgânicos.

Semeando conquistas

No primeiro edital do Programa Ecoforte que a Rede foi contemplada, o investimento da Fundação BB e do BNDES serviu para ampliar a capacidade produtiva, a partir da construção de cozinhas experimentais para o beneficiamento da produção, aquisição de maquinários, veículos e assessoria técnica.

Foi no ano de 2003, que João Ribeiro conheceu a Rede Sabiá, após voltar a sua terra natal, a Comunidade Sítio Feijão, município de Bom Jardim, que fica cerca de 100 quilômetros de Recife. Em 1997, ainda muito jovem foi morar em Recife em busca de trabalho e planos de dar a família melhores condições de vida. Mas o caçula de dez irmãos teve que voltar para cuidar dos pais que estavam com idade avançada. Na época, trabalhando na lavoura de forma convencional, foi convidado a fazer parte da Associação de Agriculcutures/Agricultoras Agroecológicos de Bom Jardim – Agroflor, uma das entidades que compõem a Rede Sabiá e passou a acompanhar as atividades e intercâmbios.

Em 2013, João, que é um dos 120 associados da Agroflor, iniciou sua produção agroecológica de hortaliças e frutas diversas, com a colaboração da esposa e dos dois filhos adolescentes. “Duas vezes por semana a Agroflor recolhe a minha produção e dos outros associados e leva para ser comercializada na loja da Rede. Eu também vendo na Feira de Boa Viagem, em Recife. A gente trabalha duro para que o projeto seja um sucesso. Ter um lugar para entregar a produção ajuda muito. A Rede é muito importante para os agricultores da base agroecológica”, declarou.

“Hoje, o Programa Ecoforte, voltado às redes de agroecologia no país, tem papel central no fortalecimento da agricultura familiar e para a ampliação da produção sustentável de alimentos. A agroecologia é um campo que consegue garantir todo um ciclo virtuoso com sua produção que fortalece a economia local, respeita o meio ambiente e promove saúde às pessoas que acessam cada vez mais comida sem veneno e a preços justos. Todo esse processo, sem dúvidas, tem grande impacto na soberania e segurança alimentar e nutricional do povo brasileiro”, destaca Davi Fantuzzi, assessor de Mercados no Centro Sabiá e Coordenador da Comissão de Produção Orgânica de Pernambuco (CPOrg-PE).

Notícias relacionadas

Ações que promovem amamentação, saúde de gestantes e visitação na primeira infância são finalistas do Prêmio Fundação BB

Entre as 24 finalistas do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social deste ano, três estão diretamente ligadas ao desenvolvimento da primeira infância. A premiação inédita busca identificar tecnologias sociais que promovem ações de desenvolvimento infantil (linguagem, cognitivo, motricidade e socioafetividade), o fortalecimento de vínculos familiares e o exercício da parentalidade.

Apoio institucional