Redes Temáticas do GIFE apostam em produção de conhecimento e atuação conjunta

As Redes Temáticas (RT) são uma das iniciativas do GIFE cujo objetivo é instigar e aprofundar debates em torno de uma temática específica, de forma regular e contínua. Elas podem ser relacionadas a temas transversais ou perenes do investimento social privado (ISP), como avaliação, grantmaking ou comunicação, ou tratar de estratégias e linhas de atuação das organizações como, cultura, equidade racial e promoção da leitura e escrita.

No segundo ano da pandemia, áreas como saúde, gestão e políticas públicas têm sido muito demandadas por todas as esferas da sociedade. O Censo GIFE 2020 mostra que esses campos cresceram em termos de investimentos e estão mais presentes no radar das organizações. Diante desses desafios, especialistas classificam como imprescindível a atuação conjunta do terceiro setor.

RT Gestão e Políticas Públicas

Em 2021, a Rede Temática de Gestão e Políticas Públicas se aprofundou na colaboração entre o setor público e o ISP. “A RT plantou boas discussões sobre esse tema, e vejo grandes oportunidades para trabalharmos em 2022 a partir do que foi levantado. Precisamos construir soluções e mais referências, como materiais de apoio para o gestor público e àquele que lida com os investimentos privados”, pontua Gláucia Macedo, gerente de gestão pública e educação do Instituto Humanize, uma das organizações coordenadoras da RT.

De acordo com o Censo, os associados GIFE que não tinham estratégias de aproximação com políticas públicas apontaram que as principais razões são:

  •  receio de descontinuidade nas iniciativas devido a mudanças políticas (7%);
  •  e a intenção de evitar possíveis impactos negativos de imagem ao se associar com o poder público (5%).

Já as principais estratégias de alinhamento com políticas públicas utilizadas foram: 

  • desenvolvimento de métodos ou tecnologias sociais a serem incorporados às políticas públicas;
  • contribuição com a produção de conhecimento para auxiliar a elaboração de políticas ou a gestão pública;
  • desenvolvimento de ações de formação de gestores ou servidores públicos, incluindo participação em eventos formativos e formação técnica ou preparação emocional. Cada uma dessas ações foram apoiadas por 42% dos respondentes.

Gláucia considera central o papel do GIFE nesse debate: “Cada uma das organizações que a gente representa tem um DNA, uma forma de desenvolver as suas ações, mas o GIFE pode ser um elemento comum entre as organizações para abordar e estimular essa colaboração entre terceiro setor e a gestão pública.”

Para o próximo ano, a gerente do Instituto Humanize aposta na construção de instrumentos que possam nortear a discussão sobre o ISP e a gestão pública, principalmente se tratando de ano eleitoral. “A pauta é construir conhecimento e fincar o pé para disseminá-lo.”

RT Saúde

Em 2021, dificilmente um programa jornalístico não abordou o tema saúde. A crise sanitária causada pela Covid-19 tomou conta de todos os debates e influenciou decisões e planejamentos, principalmente para a área nos próximos anos. 

A RT de Saúde tem atuado na articulação em rede para que haja um investimento social privado mais integrado, garantindo perenidade e estratégia a fim de responder aos desafios do campo da saúde no Brasil.

O Censo GIFE mostra que proteção social e saúde são as áreas que as organizações mais passaram a atuar no contexto da pandemia. A parcela de associados GIFE que desenvolveu ações com foco em saúde e bem-estar aumentou 20% no último biênio, chegando aos 63%.

A rede temática tem debatido quatro problemáticas principais nessa área:

  • garantir que as políticas públicas de saúde estejam orientadas a atender e proteger os mais vulneráveis;
  • a importância da prevenção e promoção da saúde;
  • a importância do Sistema Único de Saúde (SUS); 
  • e ações de advocacy para exercer mais pressão por uma melhor gestão pública na saúde.

“Podemos e queremos atuar como um think and do tank de filantropia em saúde, produzindo e compartilhando conhecimento que sirva como plataforma para uma atuação conjunta da rede e do setor”, destaca Maria Izabel Toro, responsável por investimento social na RD – Gente, Saúde e Bem-estar, uma das organizações coordenadoras da RT.

Apoio institucional