Seminário discute participação de meninas e mulheres em cursos de tecnologia e exatas

 

Uma nova iniciativa foi lançada para discutir a presença de mulheres em áreas majoritariamente com presença masculina até então. Trata-se do 1º Seminário Elas nas Exatas: pela Equidade de Gênero na Educação Pública, promovido pelo Instituto Unibanco (IU), Fundo ELAS de Investimento Social e Fundação Carlos Chagas (FCC). A parceria também é a idealizadora do edital Gestão Escolar para Equidade: Elas nas Exatas, uma iniciativa que busca reconhecer projetos que estimulem a inserção de meninas nas áreas de ciências tecnológicas e exatas.

Além desses três realizadores, o Seminário conta ainda com a parceria da ONU Mulheres. O evento tem como objetivo ser um espaço de debate entre especialistas e o público sobre a importância de políticas públicas educacionais promoverem a equidade e o enfrentamento das desigualdades e das discriminações de gênero.

Sandra Unbehaum, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, defende que apesar de existir um maior número de iniciativas sobre a temática de gênero, tratam-se de ações pontuais, e não uma política pública, o que acaba por limitar o alcance.

“Muitos programas acontecem quando as meninas já estão no Ensino Superior. Acreditamos que é necessário trabalhar a questão da inserção delas nas áreas de Ciências Exatas desde cedo, se possível desde a Educação Infantil, para que aconteça uma mudança não só da cultura escolar, mas da cultura social como um todo. Existe essa ideia muito forte de ‘meninas não são boas em Matemática’, e esses pensamentos vão se cristalizando a ponto de ninguém questionar por que o desempenho das meninas na Matemática é mais baixo do que o dos meninos, embora elas tenham mais anos de escolaridade do que eles”.  

A socióloga e pesquisadora defende que, atualmente, o desafio deixou de ser totalmente sobre o acesso a cursos majoritariamente masculinos e passou a envolver também a permanência do público feminino nesses espaços, uma vez que muitas meninas desistem pela falta de acolhimento.

“A questão é manter as meninas numa trajetória profissional em áreas que são complexas e competitivas, nas quais não existe uma cultura estabelecida de que aquele lugar pertence à mulher também. Com isso, vão sendo criados pequenos impedimentos. Em uma cultura como a nossa, que é extremamente machista e sexista, se uma jovem entra em um curso ou ambiente que é predominantemente masculino e pouco acolhedor e respeitoso, existem duas opções: ou ela se isola, e com isso talvez não tenha a mesma progressão na carreira, ou ela desiste. No fim, acaba-se tendo uma baixa expectativa de elas permaneçam nessas áreas”.

Programação do Seminário

A programação do evento foi pensada para proporcionar painéis que tragam a fala de especialistas e também boas práticas na promoção do interesse das meninas por disciplinas nas áreas STEM (da sigla em inglês Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Ao todo, dois painéis e uma roda de conversa, além da mesa de abertura, farão a composição do evento. O primeiro painel terá como tema “O cenário das políticas educacionais para o alcance da equidade de gênero: a questão das mulheres nas Ciências”, com o objetivo de fornecer um panorama sobre a participação feminina nas áreas STEM, tanto no Brasil quanto internacionalmente, além de discutir as políticas educacionais do Ensino Médio que enfrentam esse cenário.

Sandra defende que inserir o debate de gênero nas escolas é fundamental, apesar da atual conjuntura social e política que luta contra esse movimento. “Olhar para uma avaliação de desempenho de Matemática, por exemplo, com um olhar de gênero é muito importante para tentar explicar por que as meninas vão pior nessa disciplina. É uma maneira de compreender que o gênero está presente cotidianamente nas nossas relações, principalmente dentro da escola”.

A pesquisadora argumenta ainda que essa questão, assim como racismo, sexismo e homofobia, são temas que têm impacto direto no desempenho e desenvolvimento das pessoas; logo, precisam ser debatidos, com inserção das discussões na formação dos professores e também nos cursos universitários.

Já no segundo momento do evento, o assunto que conduzirá a discussão será “Desigualdade de gênero na educação: do que estamos falando?”. Os participantes irão debater o que significa falar de gênero na educação e como desigualdades e comportamentos machistas e sexistas, discriminações e estereótipos e misoginia se expressam e devem ser desconstruídos.

Debatedores

Importantes nomes confirmaram presença no evento e ajudarão a discutir o tema. Entre eles, estão: Alice de Paiva, professora emérita da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e diretora do GenderInSITE, um programa internacional para promover a questão de gênero em ciência, inovação, tecnologia e engenharia; Amália Fischer, pesquisadora e ativista pelos Direitos das Mulheres e coordenadora geral do Fundo ELAS; Georgina Freitas, professora e engenheira eletricista; Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco; Gloria Bonder, psicóloga, pesquisadora e diretora da Cátedra Regional UNESCO “Mulheres, Ciência e Tecnologia”, entre outros.

Inscreva-se

A lista completa dos participantes, assim como a programação, pode ser encontrada no site oficial do Seminário. O encontro acontecerá no dia 19 de março, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. As inscrições são gratuitas; porém, com vagas limitadas. Para garantir lugar, é preciso se inscrever no site oficial do Seminário.

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