Sucessão geracional no campo

Publicado por: Fundação Banco do Brasil

A iniciativa, Juventudes e Agroecologia – Soberania Alimentar e Saberes do Campo, executada em Santa Cruz do Sul (RS), recebeu  investimento social de R$ 378 mil da Fundação Banco do Brasil. O projeto tem por objetivo formar profissionalmente a juventude do campo e melhorar a distribuição e venda de alimentos agroecológicos.

Além disso, a Associação Gaúcha Pró-Escolas Famílias Agrícolas (Agefa), que é a executora do projeto, está aprimorando a estrutura física e atividades de extensão da Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul – EFASC.

Já é possível verificar os resultados: melhora da estrutura física da escola, desenvolvimento da infraestrutura produtiva, e articulação local de feiras com comunidades de 23 municípios da região do Vale do Rio Pardo que abrange remanescentes de colônias alemã e açoriana.

Adair Pozzebon, coordenador do projeto, considera que a essência do trabalho é aliar  inclusão socioprodutiva e geração de renda com a formação técnica agrícola. “A feira simboliza uma ponta do processo que se inicia com a pedagogia da alternância, que  significa aos alunos estudar  um período na escola e em outro período nas unidades produtivas familiares para colocar em prática o que aprenderam”, afirma.

Há neste processo o intercâmbio de saberes da escola com os saberes tradicionais dos familiares que atuam no campo. O que se busca aí é promover um alicerce para a sucessão geracional no meio rural.

Crise, enfrentamento e solidariedade

Os integrantes da entidade conseguiram uma sede nova e o projeto com a Fundação contribuiu com a estrutura da Feira Jovem de Boa Vista e a Feira Pedagógica da Efasc. “Atualmente devido a pandemia a feira pedagógica está parada, mas estamos atuando aos sábados com a Feira Jovem Boa Vista”, explicou.  A feira é realizada em uma comunidade rural nas imediações de Santa Cruz de Sul (RS). Eles estão aguardando a redução dos efeitos da pandemia para utilizarem os espaços formativos estruturados.

Os participantes do projeto começaram durante o período da pandemia do novo coronavírus a utilização de uma rota para a distribuição de alimentos para pessoas em situação de vulnerabilidade. “Estamos usando o veículo do projeto para distribuir alimentos. Atuamos desta forma em duas linhas: a formação do jovem no campo e a produção de alimentos com a distribuição para quem mais precisa”, destaca Adair.

Para Sighardt Hermany, integrante do Centro de Apoio da Promoção da Agroecologia – CAPA vê na EFASC uma referência por trabalhar com ensino de alternância e promover a agroecologia. O CAPA trabalha com agricultura familiar e camponesa no apoio à produção de alimentos saudáveis e a estruturação do trabalho em cooperativas.  “Já atuamos no estado deste 1978, e aqui na região desde 1982. A nossa entidade nasceu com um contraponto à agricultura tradicional e em apoio a agricultura familiar e com menor impacto ambiental, sem uso de agrotóxicos e transgênicos”, declara.

Bruna Eichler, estudante e bolsista do curso de Agroecologia da UERGS, é monitora de alunos do curso técnico agrícola da EFASC onde se formou. Ela destaca a importância da Feira Pedagógica, onde os alunos são orientados como expor os alimentos, no atender aos consumidores e organizar o processo de distribuição e venda.  “A gente percebe que a metade dos estudantes teve o primeiro contato com os consumidores na feira pedagógica”, explica.

A produção agroecológica familiar da região tem bastante procura e o projeto veio a explorar de forma estruturada este potencial.  Contribuindo assim para as manutenção do jovem no campo. “O coletivo de estudantes está utilizando a estrutura proporcionada pelo projeto pelo aprimoramento da distribuição e venda dos alimentos e o caminho é conquistarem autonomia para darem continuidade nos trabalhos por conta própria”, detalha.

Apoio institucional