Agenda de Avaliação do GIFE ganha corpo em 2019 e já planeja ações futuras

“Entendemos que para que a avaliação fosse efetivamente estruturante no investimento social privado (ISP), teríamos que promover a cultura de avaliação dentro do GIFE. Após ter participado pela primeira vez da conferência da Associação Americana de Avaliação em 2018, o GIFE internalizou e assumiu efetivamente a gestão da Agenda de Avaliação em 2019. E já temos um plano sólido para 2020.”

A constatação de João Martinho, especialista em avaliação do Instituto C&A e um dos membros do Grupo de Avaliação do GIFE, reflete o avanço da iniciativa ao longo do ano passado.

Com reuniões regulares, encontros temáticos, participação em um dos maiores eventos internacionais do campo e até lançamento de livro, a Agenda ganhou corpo em 2019, com a estruturação de sua governança, para seguir na trajetória daquilo que considera como objetivo fim: promover transformação social.

João destaca o aumento da qualidade da participação de associados do GIFE nos eventos e iniciativas que a Agenda promoveu em 2019. “Nota-se que cada vez mais associados, em mais regiões, estão fazendo uso da avaliação. A conversa já não é mais por que é importante ou necessário avaliar, mas que tipos de avaliações são relevantes e usadas e de que forma os aprendizados são integrados no dia a dia das organizações. A abertura e generosidade que temos visto por parte de várias organizações em compartilhar publicamente o que aprenderam com o que deu certo, mas também com o que não deu, é louvável e um importante indicador de maturidade”, observa.

Para Karen Polaz, coordenadora de fomento e inovação do GIFE e uma das responsáveis pela estruturação do grupo no primeiro semestre de 2019, a avaliação sempre será um tema estratégico para o GIFE e para o setor do investimento social privado como um todo, independente da área de atuação das organizações. “Por isso, ter um grupo de avaliação fortalecido dentro da nossa rede é fundamental. No fim do dia, o que queremos é não só que essa rede esteja qualificada e ativa, mas também que as práticas avaliativas sejam incorporadas para promover inovação, resultados positivos de longo prazo e transformação social”, observa.

Estruturação

Ao longo de 2019, a Agenda de Avaliação do GIFE deu passos importantes. O primeiro foi definir sua missão: “Fomentar a cultura de avaliação entre os associados GIFE e repercutir nos demais setores da sociedade civil”. “Essa definição se desdobrou em objetivos mais claros e um planejamento de atividades mais intencional”, conta Esmeralda Macana, especialista em avaliação e supervisão do Itaú Social.

A Agenda ganhou ainda mais solidez com a contratação de uma coordenação executiva, exercida por Camila Cirillo, e de uma consultoria técnica, na pessoa de Ana Lima, da organização Conhecimento Social. Somado a isso, em 2019, a iniciativa desenvolveu sua identidade visual.

“A partir dessa estruturação, pudemos empreender uma agenda mais robusta, com produtos e iniciativas para além dos encontros. Com isso, nossa expectativa é alcançar mais associados e organizações do ISP e qualificar as práticas avaliativas do setor”, afirma Karen.

Lançamento

2019 também foi o ano em que a Agenda lançou a versão em português do livro Evaluation Thesaurus (Avaliação: um guia de conceitos), de Michael Scriven. Uma das principais referências mundiais no campo, Scriven contabiliza diversos prêmios, entre eles o Lazarsfeld Award, da American Evaluation Association – da qual foi presidente -, por sua contribuição à teoria da avaliação. Autor de mais de 400 publicações sobre o tema, começou a produzir o guia ainda nos anos 1950.

Lançada em junho, a obra conta com mais de dois mil verbetes sobre processos avaliativos com diversos focos, como diferentes esferas da educação, terceiro setor e órgãos governamentais. A tradução foi uma iniciativa da Fundação Roberto Marinho, Itaú Social e Editora Paz Terra.

“A obra traz conceitos fundamentais que ajudam a tornar a avaliação mais útil à melhoria de nossa atuação e alcance de resultados”, salienta Rosalina Soares, especialista em pesquisa e avaliação da Fundação Roberto Marinho.

Para Esmeralda, foi uma iniciativa voltada à qualificação do campo no Brasil. “O mais interessante é que não se trata de um guia com definições simples ou estáticas, mas uma obra que nos provoca reflexões muito mais profundas devido ao seu caráter filosófico. Para o Brasil, é um grande ganho, uma oportunidade para especialistas locais, seja nas universidades, centros de pesquisa, institutos, fundações e organizações da sociedade civil.”

Superando barreiras

Em outubro, a Agenda de Avaliação realizou seu 3o encontro – o primeiro de 2019 – a fim de discutir como superar barreiras para a implementação de avaliações. A partir de casos práticos, os participantes trocaram experiências e caminhos para vencer os desafios no tema.

Conferência da AEA

Em novembro, membros da Agenda compuseram uma delegação brasileira que esteve na 33ª edição da Evaluation 2019 – conferência anual da Associação Americana de Avaliação (AEA, na sigla em inglês).

Sob o tema “Paths to the Future of Evaluation: Contribution, Leadership, and Renewal” (“Caminhos para o Futuro da Avaliação: Contribuição, Liderança e Renovação”), o evento reuniu 3.600 avaliadores, acadêmicos, estudantes e usuários da ciência e prática da avaliação – de 144 países – com o objetivo de fazer um resgate das importantes contribuições da agenda para a sociedade, além de evidenciar o papel de liderança que avaliadores podem exercer no contexto atual e projetar as perspectivas das práticas e usos da avaliação para o futuro.

Há mais de 30 anos, a conferência reúne a comunidade de avaliação ao redor do mundo para debater assuntos pertinentes ao tema em diferentes setores da disciplina e prática internacional de avaliação. Este ano, o evento aconteceu em Minneapolis, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos.

Além da coordenadora executiva e da consultora técnica da Agenda, participaram representantes de instituições como Itaú Social, Fundação Marilia Cecilia Souto Vidigal e Fundação Roberto Marinho.

De volta ao Brasil, o grupo se reuniu para compartilhar os aprendizados oportunizados pela experiência. Rosalina observa que o encontro permitiu aos participantes analisar as tendências em avaliações no mundo, “tais como as avaliações responsivas – úteis em processos de advocacy voltados à promoção de equidade –, a importância do pensamento sistêmico, avaliativo e crítico como base para as transformações que buscamos promover na sociedade e o uso de dados digitais para promover engajamento em causas e realizar avaliações”.

Próximos passos

Para este ano, já estão planejadas atividades e recursos a fim de contribuir ainda mais com o tema.

O lançamento do site da Agenda é uma dessas ações e está previsto para os primeiros meses de 2020. Além de conteúdo informativo sobre o tema, a plataforma também contará com informações sobre cursos e eventos, além de um espaço interativo.

Junto com a Rede Brasileira de Monitoramento e Avaliação, a Agenda também está desenvolvendo um conjunto de parâmetros e diretrizes. O conteúdo ajudará a pautar as competências que devem possuir profissionais da área.

Uma agenda de encontros também já foi planejada. Em março, o grupo se reunirá para debater o tema “Criando uma cultura avaliativa nas organizações”. Em maio, dois encontros serão promovidos durante a programação do 11o Congresso GIFE. Já em setembro, a Agenda pretende realizar dois workshops durante o Seminário Internacional de Avaliação. Por fim, estão previstas a participação do grupo na conferência anual da AEA, em outubro, e um encontro para compartilhar os aprendizados resultantes da atividade.

Grupos peer learning, produção de notas técnicas e realização de webinares são outras ações previstas para 2020.

A expectativa de João para este ano é ver a afirmação da maturidade da cultura de avaliação do GIFE refletida na condução do 11o Congresso GIFE e dos vários eventos e atividades programadas. “Espero também que continuemos a ver o interesse dos associados no aprendizado conjunto. 2020 não vai ser um ano fácil para o setor do investimento social privado, mas espero que a avaliação e o aprendizado organizacional sejam sementes de um campo mais forte e resiliente.”

Esmeralda, por sua vez, pontua a necessidade de avanço da avaliação como estratégia mais intencional para incidir em mudanças sociais, para além de identificar a efetividade e eficiência de programas. “Isso é importante, mas, acima de tudo, a avaliação deve ajudar a qualificar discussões que contribuam para a redução das desigualdades. Trata-se de uma ciência com potencial enorme e, por isso, deve estar alinhada à visão estratégica do investimento social privado.”

Com o que concorda Leonardo Hocoya, gerente de projetos e avaliação da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV). “Que possamos desenvolver ações que fortaleçam o campo, gerem transformação social e deixem um legado de aprendizados a fim de contribuir para o futuro da sociedade.”

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