Associados ao GIFE desenvolvem programas sobre conscientização e educação para o trânsito

Segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 37 mil mortes no trânsito em 2016. Entre diversas ações para contribuir com a diminuição desse número estão iniciativas de dois associados ao GIFE. Uma delas é o “Caminhos para a Cidadania”, do Instituto CCR.

Criado em 2002, o programa tem como objetivo formar cidadãos e motoristas mais conscientes no trânsito. Para isso, investe na educação de crianças dos quartos e quintos anos do Ensino Fundamental de escolas públicas de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

Marina Mattaraia, diretora do Instituto CCR, explica que quando a empresa assinou o contrato de concessão da rodovia Presidente Dutra, notou que morriam cerca de duzentas pessoas anualmente ao redor das vias. “Quando começamos a melhorar as condições das vias com ampliação das pistas e construção de áreas de proteção percebemos que só os projetos de engenharia não eram suficientes. Muitos dos acidentes envolvendo pedestres, por exemplo, aconteciam a menos de um metro das passarelas. Isso porque a rodovia Presidente Dutra é cortada por 36 municípios, ou seja, há uma densidade populacional grande. A partir disso pensamos em trabalhar o comportamento humano.”

Com foco em segurança, mobilidade urbana e cidadania, o programa abrange 114 municípios distribuídos entre os trechos administrados pelas concessionárias CCR AutoBAn, CCR NovaDutra, CCR RodoNorte, CCR SPVias, CCR ViaLagos, CCR ViaOeste, CCR RodoAnel e ViaRio.

A formação é para alunos e professores, mas atinge indiretamente parentes e familiares. Para chegar nas escolas, o processo envolve diferentes instâncias. Em linhas gerais, Marina explica que todo ano, o prefeito, o presidente da concessionária e o Instituto CCR assinam um termo de cooperação. “Se não houver toda essa rede, inclusive com o compromisso do município, nós não fazemos o programa para não fragilizar o processo. É preciso que todo mundo esteja comprometido.”

Firmado o compromisso, os professores recebem o material didático das aulas e passam por uma formação. “Depois dessas oficinas de capacitação iniciais, vamos trabalhando o material didático em quatro etapas que acompanham os quatro bimestres do ano letivo.”

Para as crianças, a atividade inicial é uma peça de teatro. “Cada ano tem uma temática que depende do que está acontecendo e sendo tratado nas escolas públicas. O assunto já foi o próprio tema do trânsito, meio ambiente, a questão da água e o racionamento. Também falamos sobre bullying, cyber ataques e o cuidado da criança com a internet. Tudo de um jeito leve e lúdico para que a comunicação seja adaptada à faixa etária.”

Segundo Marina, a escolha pelo quarto e quinto ano do Ensino Fundamental foi estratégica e feita juntamente com a consultoria técnica educacional do curso. A diretora explica que é nessa idade que crianças começam a formar suas opiniões sobre diversos temas. “Nos seus nove e dez anos, as crianças começam a receber esse tipo de informação, a lidar melhor com regras, a entender melhor exemplos e conceitos mais abstratos. Por isso decidimos por essa fase da infância na qual é possível introduzir as primeiras premissas sobre educação e cidadania.”

Apesar de ser desenvolvido somente em escolas públicas, Marina explica que o objetivo do Instituto é expandir o programa para todo o Brasil e até mesmo internacionalmente. “Temos muita solicitação de escolas particulares e de outros estados. Estamos nos organizando e trabalhando para digitalizar o programa em uma plataforma online com espaço de interação para professores e alunos. Nesse modelo há 16 anos, o projeto foi super bem recebido. Mais de três milhões de alunos e 120 mil professores já foram impactados diretamente desde o começo do “Caminhos para a Cidadania”. Só nesse ano, estamos trabalhando com mais de 265 mil alunos e dez mil professores.”

Confira mais informações sobre o “Caminhos para a Cidadania” no site do programa.

Fundação Volkswagen

Outra iniciativa desenvolvida para melhorar a segurança no trânsito é o curso online Cidadania para redução de acidentes”, que faz parte do conjunto de cursos gratuitos, jogos para adolescentes e formações presenciais e à distância de educadores desenvolvidos pela Fundação Volkswagen desde 2012.

Lançado no começo de 2018, o curso apresenta a mobilidade como fator essencial para as habilidades humanas e o exercício da cidadania e discute os motivos de acidentes e seus riscos e impactos sobre jovens.

Desde fevereiro desse ano, a Fundação participa do Movimento Paulista de Segurança no Trânsito e, por isso, assumiu a causa da mobilidade urbana como prioritária. Desde o acordo, o curso é oferecido em parceria com o Governo do Estado de São Paulo por estar diretamente alinhado ao objetivo principal do Movimento de reduzir pela metade os óbitos no trânsito em São Paulo até 2020.

Segundo Daniela Demôro, superintendente da Fundação Volkswagen e diretora de assuntos jurídicos da Volkswagen do Brasil, a Fundação investe na formação de educadores para levar o tema da mobilidade urbana para a sala de aula. “Para nós, contribuir para tornar a mobilidade mais segura e sustentável é prioridade. Isso porque estudos da Organização Mundial de Saúde revelam que o Brasil é o quinto país recordista em mortes no trânsito. Os jovens estão entre os mais atingidos por essa triste realidade, na maioria das vezes causada por imprudência, negligência ou imperícia dos condutores.”

Destinado especialmente para professores, coordenadores pedagógicos e gestores educacionais do Ensino Fundamental 2, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), o curso tem duração de trinta horas, divididas em seis semanas. Os conteúdos são distribuídos entre textos, vídeos e imagens, além das atividades onde os educadores são incentivados a buscar outras informações para resolver desafios que vão além de questões de “certo” ou “errado”, de forma a estimular o pensamento crítico.

Esse investimento na formação de profissionais da educação justifica-se pela vontade da Fundação de facilitar a compreensão da mobilidade como algo mais amplo que o trânsito. Assim, ela incentiva o embasamento dos educadores para que, ao compreenderem a importância do planejamento, as diferenças entre os múltiplos contextos nacionais e a relevância da pesquisa e dos dados estatísticos na prevenção eficaz de acidentes, possam trabalhar o tema de forma atualizada, interessante e envolvente com os estudantes.

Daniela argumenta que reforçar a educação é um caminho para tomada de decisões mais seguras e cidadãs, contribuindo para reverter o cenário de fatalidades no trânsito. “Além de colaborarmos para a conscientização da sociedade e o exercício da cidadania, também ajudamos a salvar vidas. Não por acaso, somos a única fundação empresarial que integra o Movimento Paulista de Segurança no Trânsito. Assim, somamos esforços para uma mobilização global, capitaneada pela Agenda 2030 da ONU e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

Todos os interessados em participar da formação, que é gratuita, podem acessar este link.

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