Atlas das Juventudes chega a 2ª edição e avalia os impactos da pandemia nos jovens brasileiros

Atlas das Juventudes chega a 2ª edição e avalia os impactos da pandemia nos jovens brasileiros e sugere caminhos para apoiar essa população.

A juventude, fase determinante na vida de qualquer pessoa, é um momento de transição e busca por autonomia. Garantir os direitos dos jovens é importante para o crescimento econômico e social do país e, por isso, é fundamental promover o pleno desenvolvimento dessa população em seus territórios, ao contrário do que acontece no Brasil.

Atualmente, o país conta com 50 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos, marca que, talvez, nunca seja superada. Esses são informações presentes no Atlas das Juventudes, que tem a missão de produzir, sistematizar e disseminar dados sobre as juventudes do país, além de incentivar o investimento em iniciativas que considerem esse grupo.

Fruto de uma aliança entre diversos atores do campo social, a plataforma quer se tornar um apoio para pessoas e organizações que atuam na formulação, implementação, monitoramento e avaliação de políticas públicas, estratégias, programas, projetos e iniciativas para as juventudes. 

Mariana Resegue, coordenadora geral do Atlas das Juventudes, comenta que, além de mobilizar os atores para trabalhar com esse público, é importante mobilizar os próprios jovens para que possam entender o seu potencial e exigirem seus direitos.

Desafios das juventudes na pandemia

Mais de um ano após o início da pandemia, 6 a cada 10 jovens relatam ansiedade e uso exagerado de redes sociais, 5 a cada 10 sentem exaustão ou cansaço constante. Os dados são da pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus, iniciativa do Atlas das Juventudes. A segunda edição da pesquisa entrevistou mais de 68 mil jovens de todo o Brasil.

Uma das principais descobertas é a de que a desigualdade socioeconômica entre os jovens é ainda maior do que a da sociedade em geral. “Se fossemos um país só de jovens, seríamos ainda mais desigual do que já somos. Precisamos transformar esse cenário. Jovens precisam ter acesso a diferentes trilhas de desenvolvimento, não só uma trilha pensada para um tipo de mercado de trabalho”, reflete a coordenadora.

Na área de trabalho e renda, 55% revelam procurar formas de incrementar seu rendimento pessoal ou familiar, o que aumenta  a parcela daqueles que já pensaram em parar de estudar: 4 a cada 10 admitem ter considerado deixar os estudos.

Para Mariana, outro  destaque é o posicionamento político e, consequentemente, a visão de futuro dessas juventudes. “72% disseram que a situação da pandemia vai influenciar a forma como vão votar em futuras eleições. Esse impacto não foi visto em pesquisas anteriores.”

As juventudes e o ISP

Quando o assunto é investimento no tema, Mariana Resegue explica que educação  e renda são as prioridades. Entretanto, reforça que é necessário pensar sobre os jovens de forma transversal e incluir o tema em outras agendas. “Projetos que pensam em meio ambiente e clima, por exemplo, precisam considerar as juventudes, pois são jovens ativistas que estão na rua pensando a transformação.”

Mariana também cita a importância de o investimento social privado (ISP) discutir agendas fundamentais na sociedade brasileira, como o racismo estrutural. “O ISP ainda não olha tanto para o tema, mas é importante falarmos sobre a violência contra juventudes negras. A cada semana temos histórias que deveriam parar o Brasil”, reflete.

Para vencer o tamanho dos desafios brasileiros, que vão além da pauta das juventudes, Mariana acredita que o ISP precisa atuar de forma articulada e com base em evidências. “Uma organização sozinha não consegue coordenar um projeto como o Atlas. Por conta disso, a aliança que fizemos entre várias organizações do campo social levou a agenda para a Rede Temática de Juventudes do GIFE, levantou os dados e lançou a pesquisa para garantir que possamos ter essa base de dados qualificada sobre o tema.”

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