Audioleitura abre caminhos para deficientes visuais

Vera dos Santos Peixoto Fortuna começou a perder a visão há 30 anos e há três ficou totalmente cega. Com 73 anos, a moradora do bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, leva uma vida normal, apesar das limitações impostas pela falta de visão. Faz ginástica, sai para passear com a família e amigos, vai ao teatro e a shows com as filhas e irmã.

Com a audioleitura, Vera descobriu um novo mundo. “Sem os livros eu fico mal, meio que desesperada, porque não acompanho a televisão e a leitura me acalma, me traz paz”. Os romances e as histórias policiais estão entre os gêneros preferidos da aposentada. E sempre que deseja algo novo para ler, entra em contato com a instituição filantrópica e sem fins lucrativos Audioteca Sal e Luz, que empresta audiolivros às pessoas cegas ou deficientes visuais para que tenham uma vida com mais qualidade por meio da educação, profissionalização, capacitação e entretenimento.

Criada há 25 anos, a entidade tem um acervo com mais de 2,7 mil títulos – didáticos, profissionalizantes, religiosos, literários e de estilos variados – que são escolhidos pelos associados e gravados por ledores voluntários em CD e em MP3 (ao final desta matéria, dois destes).

Uma das voluntárias é Nilza Lopes Melona, de 81 anos, conhecida como Narhua, que empresta a sua voz há 30 anos para dar vida aos personagens dos livros. Ledora da audioteca desde a criação da entidade, iniciou na atividade para ajudar uma conhecida que havia perdido a visão. “Um dia eu estava lendo um livro e gostei muito, era sobre a Ressurreição de Cristo, contado com base em estudos científicos, e ela me pediu para gravar. Foi aí que tudo começou”.

Após se aposentar, Narhua, disse que optou por fazer as gravações em sua casa, e por isso, transformou o local em um estúdio de gravações. Precisou fazer diversas mudanças para se livrar dos ruídos que vêm da rua para oferecer um material com a melhor qualidade possível. “Sou grata por tudo que aprendi ao longo destes anos. Fazer esse trabalho me ajudou bastante, não tinha uma boa leitura e esse exercício me trouxe isso também de presente. Sou apaixonada pelo que faço”, declarou.

A audioteca atende cerca de 1,5 mil pessoas por ano. O acervo é emprestado aos associados por tempo determinado e enviado via correios (cecograma) – um serviço postal destinado aos deficientes visuais que utilizam o braille para sua comunicação. Os empréstimos também acontecem de forma presencial.

Nos anos de 2003 e 2013, a Audioteca Sal de Luz foi reconhecida como tecnologia social pelo Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social e hoje é uma das 986 inciativas disponíveis no Banco de Tecnologias Sociais (BTS).

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

O trabalho desenvolvido pela instituição está em conformidade com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, em especial o de número 10 – Redução das Desigualdades -, que tem entre as metas para até 2030 empoderar e promover a inclusão social, econômica e política de todos, independentemente da idade, gênero, deficiência, raça, etnia, origem, religião, condição econômica ou outra.

* os áudios são de Narhua, de obras “Confesso que vivi” e “Para nascer”.

 

 

Material produzido pela Fundação Banco do Brasil

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