Brasil assume a posição mais baixa no ranking histórico do Índice de Percepção da Corrupção desde 2012

Em 2019, o Brasil atingiu apenas 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), caindo mais uma posição no ranking de 180 países e territórios, para o 106º lugar. O resultado é o mais baixo desde 2012, ano em que o Índice sofreu uma alteração metodológica que passou a permitir a leitura em série histórica. Trata-se do 5º recuo seguido na comparação anual. Em 2018, o país já havia perdido dois pontos e caído nove posições.

O IPC é o principal indicador de corrupção no setor público do mundo. Produzido desde 1995 pela Transparência Internacional, o IPC avalia 180 países e territórios em uma escala que vai de 0, considerado o país percebido como altamente corrupto, e 100, país percebido como muito íntegro.

A última vez que o país avançou no ranking foi em 2014, quando chegou ao 69º lugar. De lá para cá, houve queda relativa em todas as edições. A pontuação do país não melhora desde 2016, quando atingiu 40 pontos na escala da Transparência Internacional.

O estudo da Transparência Internacional é um índice composto elaborado a partir de outras pesquisas. Neste ano, foram utilizados 13 indicadores e pesquisas elaborados por diferentes instituições. Foram considerados trabalhos do Banco Mundial, do Fórum Econômico Mundial, da publicação britânica The Economist, entre outras.

Posição frente a outros países

Com 35 pontos, o Brasil está ao lado do país mais pobre da Europa, a Albânia, e de nações do norte da África, como a Argélia e o Egito. Também ficaram com a mesma nota a Macedônia do Norte, a Mongólia e a Costa do Marfim.

Em relação aos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil só pontua melhor que o México, que está na 130ª posição no ranking deste ano.

Na América Latina, o país melhor colocado é o Uruguai, com 71 pontos (21º lugar), à frente, inclusive, de nações desenvolvidas como a França e os Estados Unidos (empatados em 23º lugar). Outro país que se destaca na região é o Chile, em 26º lugar.

A média do mundo na edição de 2019 foi de 43 pontos e cerca de dois terços dos países tiveram nota abaixo de 50 pontos. O grupo de países com a maior nota média foi a Europa Ocidental (66) e a menor média foi a da África subsaariana (32).

Desde 2012, quando a metodologia atual do estudo foi adotada, 22 países tiveram melhorias significativas em suas notas no IPC, entre eles a Grécia (12 pontos a mais), a Guiana (também 12) e a Estônia (10). E 21 lugares pioraram em termos de percepção de corrupção, inclusive o Canadá, a Nicarágua e a Austrália.

A análise da Transparência Internacional contida no documento deste ano sugere que “reduzir a influência do dinheiro na política e promover um processo decisório político inclusivo são essenciais para coibir a corrupção”.

Acesso o estudo completo aqui.

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