ChildFund Brasil é a segunda organização associada ao GIFE na lista das 100 Melhores ONGs do Brasil

O ChildFund Brasil é a terceira organização que compõe o grupo de associados do GIFE selecionados na última edição do Guia Melhores ONGs. Listada entre as melhores organizações de 2017 e 2018, a organização, que tem como missão ‘apoiar o desenvolvimento de crianças em situação de privação, exclusão e vulnerabilidade social, tornando-as capazes de realizar melhorias em suas vidas e dando a elas oportunidade de se tornarem jovens, adultos, pais e líderes que conferirão mudanças sustentáveis e positivas às comunidades’, foi classificada como a melhor organização na categoria ‘Criança e Adolescente’.

Associado ao GIFE desde 2006, o ChildFund, organização global presente e atuante no Brasil desde 1966, beneficia, por meio de projetos sociais em parceria com 45 organizações, mais de 140 mil pessoas, das quais mais de 42 mil são crianças, adolescentes e jovens de 700 comunidades de regiões urbanas e rurais de Minas Gerais, Ceará, Piauí, Bahia e Goiás.

Para manter a estrutura funcionando, o ChildFund divide-se em quatro pilares: governança, mobilização de recursos, desenvolvimento social e pessoas e administração e finanças e atua em cinco temas: proteção infantil/direitos humanos, resultados de desenvolvimento social/impacto social, prestação de contas, atuação na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) e desenvolvimento de organizações sociais parceiras.    

Causa e estratégia

A partir de estudos científicos, de análises do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pesquisas com crianças e jovens, foram desenvolvidos os conceitos de Privação, Exclusão e Vulnerabilidade (PEV), fundamentos do trabalho do ChildFund Brasil, que é dividido em cinco eixos: crianças, adolescentes, jovens de até 24 anos, famílias e comunidade.

Gerson Pacheco, diretor nacional do ChildFund Brasil, argumenta que a estratégia da organização, bem definida e delimitada, tem um fio condutor que ajuda os projetos a funcionarem nos territórios de atuação como, por exemplo, Santa Luz, no Piauí, município com um dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. “Nós sabemos onde a extrema pobreza está e trabalhamos para que a criança lidere e constitua a sua vida e se forme como cidadã, contribuindo para a cidadania em um mundo melhor”, afirma.

Nesse critério do prêmio, encaixa-se o pilar ‘Desenvolvimento social’ do ChildFund. “Uma organização do terceiro setor precisa ter esse olhar de não querer inventar a roda e sim participar do desenvolvimento de tecnologias robustas e investir em startups de tecnologia social. Nós customizamos e adaptamos para o Brasil tecnologias sociais usadas por mais de 20 anos e aplicadas em mais de 20 países porque é essa ferramenta que assegura o impacto das ações”.  

Representação e responsabilidade

Em representação e responsabilidade, Gerson destaca o fato de o ChildFund estar presente em áreas de extrema pobreza, com atuação em municípios com baixos IDH. “Em determinados municípios, uma criança consegue ter uma refeição a cada dois dias. Isso é uma dívida da sociedade brasileira e no nosso entendimento, o pacto [para combater essa realidade] precisa ser entre governo, iniciativa privada e a sociedade. É o impacto do ‘A três S’, Aliança dos três setores.”

Além disso, Gerson ressalta que o trabalho desenvolvido pelo ChildFund ao longo dos anos, juntamente com estudos e pesquisas, mostrou que 16 anos é o tempo mínimo de permanência da organização em uma localidade para que exista de fato uma transformação social sustentável, que tenha continuidade mesmo com a saída do ChildFund.  

Gestão e planejamento

Para fazer com que seu propósito de mobilizar pessoas em prol de mudanças sustentáveis na vida das crianças, adolescentes, jovens e suas comunidades seja atingido, a organização aposta em tecnologias sociais, escutas comunitárias das necessidades da população a partir do chamado diagnóstico colaborativo, parceria com o poder público e iniciativa privada, entre outros mecanismos. Além disso, Gerson destaca que o ChildFund trabalha para que haja um engajamento de todos os stakeholders, desde as crianças, passando pelos padrinhos e os próprios funcionários da organização.

Desde 2017, alinhado com o ChildFund International, o ChildFund Brasil segue a metodologia MAGIC, um conjunto de práticas para engajar seu público interno. Em resumo, a área de Pessoas e Cultura da organização proporciona um ambiente onde os colaboradores trabalham com: Propósito (Meaning); Autonomia (Autonomy); Crescimento (Growth); Impacto (Impact) e Conexão (Connection).

Outro ponto referente à gestão é a parceria com a Fundação Dom Cabral, que possibilita formações para funcionários a partir da posição de coordenador.

A aposta na governança colaborativa é, segundo Gerson, o segredo de sucesso para uma organização. “A nossa governança está sendo desenvolvida porque é uma melhoria contínua. Por conta do trabalho em rede do terceiro setor, ele precisa saber usar a governança colaborativa, se não as coisas não funcionam”. O ChildFund conta com uma assembleia e conselho administrativo que monitoram as ações e fazem a gestão das estratégias e práticas gerenciais.

Estratégia de financiamento

Um dos pilares que mantém as ações da ChildFund Brasil é a mobilização de recursos. Nesse quesito, Gerson destaca que a principal estratégia é o apadrinhamento financeiro. Nesta modalidade, o padrinho contribui mensalmente para um fundo coletivo que financiará atividades não só para a criança apadrinhada, mas para a sua família e comunidade, com o objetivo de promover um desenvolvimento social sustentável e concreto.

“A política que nos sustenta há 52 anos é o estabelecimento de um vínculo entre uma pessoa e uma criança e 90% do nosso financiamento vem de pessoas. Apadrinhar uma criança do Nordeste vai custar 60 reais por mês. Você vai apadrinhar aquela criança e nunca mais vai querer separar até que ela passe por um progresso, uma transformação. A palavra madrinha e padrinho tem muita força porque você vai fazer a diferença na vida daquela pessoa”, explica Gerson. Além do apadrinhamento, o ChildFund também realiza projetos em parceria com empresas.

Comunicação e prestação de contas

Para manter a comunicação de suas ações, impactos e aplicação de recursos arrecadados, o ChildFund produz um relatório de sustentabilidade em padrões internacionais e tem suas contas auditadas tanto nacional quanto internacionalmente. Além disso, três pilares compõem a governança da organização quando o assunto é administração de recursos: solidez, transparência e integridade, o que já conferiu à organização o selo de ONG Transparente, do Instituto Doar.  

Alana Fernandes, analista de comunicação do ChildFund Brasil, explica que a organização também investe na comunicação entre a criança e seu padrinho ou madrinha. Dessa forma,  as correspondências funcionam para manter esse vínculo ativo e também como uma prestação de contas a partir da voz das próprias crianças.

Figurar pelo segundo ano consecutivo na lista das 100 Melhores ONGs e ser reconhecida como a melhor organização no quesito “Criança e Adolescente” não é mérito exclusivo do ChildFund, defende Gerson. Segundo o diretor, o trabalho em rede e aliança é a chave para fazer dar certo.

“Eu me sinto muito enriquecido pelo ChildFund ter sido um provocador e facilitador de alianças, mas os méritos desse prêmio são dos nossos stakeholders que estão em aliança conosco. Se alguém pergunta por que o ChildFund chegou lá, é porque reconhecemos que não somos capazes de fazer as coisas sozinhos. Trata-se de uma costura de alianças estratégicas. Além disso, a chave também está no MAGIC dos nossos colaboradores, que têm mais de 85% de nível de engajamento e clima organizacional. Eu sou apenas o maestro de uma orquestra que toca muito bem e, com vários parceiros e colaboradores tocando, o recital fica legal”, afirma Gerson.  

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